“É uma degradação sem precedentes das instituições democráticas.” Foi desta forma que o presidente do CHEGA, André Ventura, abriu o debate da moção de censura ao Governo sobre a atuação do ministro da Administração Interna, Luís Neves, esta terça-feira, na Assembleia da República, acusando o governante de assumir uma postura de “quero, posso e mando”: “Fala quando quer, diz aos jornalistas e aos políticos que só responde quando quer.”
Durante a discussão da moção de censura apresentada pelo CHEGA ao Governo, Ventura levantou suspeitas sobre uma eventual instrumentalização da Polícia Judiciária (PJ) para fins pessoais ou de proteção política e acusou Luís Neves de se comportar como o “novo xerife da República”.
Uma postura que tem sido tolerada pelo próprio Governo, face aos 144 mil euros associados à destruição de produtos químicos apreendidos pela PJ. O valor inicialmente apresentado pelo Ministério da Justiça abrangia material proveniente de vários processos e não apenas os 62 bidões apreendidos no âmbito da Operação Pacoba.
“Luís Neves mentiu, a ministra da Justiça mentiu. É um conluio inadmissível na República Portuguesa”, acusou.
Para o presidente do CHEGA, trata-se de “abuso de poder” e culpabiliza o ministro da Administração Interna: “Tenha vergonha por ainda estar aí sentado!”
Mas as perguntas não ficaram por aqui. Ventura quis saber por que razão Luís Neves não entregou as declarações de rendimentos a que se referia e exigiu explicações sobre as circunstâncias em que o então diretor nacional da PJ terá sido afastado de uma operação da Polícia Judiciária.
“Porque não entregou Luís Neves as declarações de rendimentos?”, questionou, antes de acrescentar: “Porque foi Luís Neves afastado da operação da PJ?”
“Capturados por Luís Neves”
“Porque está o PS em silêncio?”, perguntou Ventura.
O líder do CHEGA acusou depois os socialistas de estarem “capturados por Luís Neves”, considerando que esse silêncio perante as polémicas que envolvem o ministro é prejudicial para o funcionamento das instituições democráticas.