PS, PSD e CDS, negam subsídio de risco para polícias

A proposta do CHEGA para um suplemento de risco para Polícia de Segurança Pública (PSP), Guarda Nacional Republicana (GNR) e Guarda Prisional foi, esta quinta-feira, chumbada na Assembleia da República (AR), com votos contra do PSD, PS e CDS-PP, abstenções da Iniciativa Liberal, Livre e PCP e votos a favor das restantes bancadas.

© Folha Nacional

Das sete propostas apresentadas pelo CHEGA, apenas duas foram aprovadas – dois projetos de resolução, em que num caso recomenda-se ao Governo a revisão da tabela de gratificados da PSP e no outro intitula-se “Pela Prevenção do Suicídio nas Forças de Segurança”. Este era o debate que mais tinta fez correr nos jornais, nos últimos dias, depois de o presidente do CHEGA, André Ventura, ter apelado, com um vídeo nas redes sociais, às forças de segurança para se juntarem, dentro e fora da Assembleia da República, no dia em que os deputados iriam debater sobre o subsídio de risco. Para o CHEGA, é imperativo que todas as forças de segurança tenham direito ao mesmo valor de subsídio de risco, pois “todos os homens e mulheres fardados dão, diariamente, a vida pelos portugueses” e “nenhuma vida está acima da outra”. Por essa razão, era “importante que estes profissionais estivessem presentes” num debate relacionado “com o futuro e a carreira” de cada um. “Estamos aqui reunidos por uma razão, porque o Governo socialista criou, nas forças de segurança, uma injustiça histórica”, começou por dizer o líder do CHEGA, na sua intervenção de abertura, esta quinta-feira, no Parlamento. André Ventura teceu várias críticas ao Partido Socialista e culpabilizou o antigo Governo pela crise agora vivida nas forças de segurança, referindo que o debate representa uma “humilhação de uma das classes mais maltratadas do país e mais mal paga da Europa”. “É uma vergonha que nos envergonha e que deveria envergonhar o país todo”, criticou. Em linha, o líder parlamentar, Pedro Pinto, frisou que o “socialismo colocou polícias contra polícias”, sendo agora “tempo de o PS e de a esquerda de assumirem responsabilidades”. Ao que o deputado Nuno Gabriel acrescentou: “A esquerda nunca se preocupou com os polícias e deve-lhes um pedido de desculpa”. O CHEGA apresentou sete projetos, mas “poderiam ser mais”, de acordo com a deputada Cristina Rodrigues, face ao “estado de degradação” que as forças de segurança do país vivem atualmente. “Não têm aloja- mentos dignos, têm salários baixos e falta de condições de trabalho, mas continuam a sair à rua para proteger os portugueses e não só”, vincou a deputada. Várias foram as críticas feitas ao CHEGA e ao líder do partido, com o PS a acusar o CHEGA de querer ser “braço sindical” dos polícias e o PSD a afirmar que Ventura só quer “humilhar as forças e serviços de segurança”. Ao que o presidente do CHEGA descartou, expondo que “o PS traiu as forças de segurança, durante oito anos de governo, e mentiu a todos os polícias na campanha eleitoral”; e anotando que o “Governo, ao fim de três meses de manda- to, ainda não tem nenhuma proposta para resolver este problema e que não tem, nem nunca teve, vontade de resolver o problema dos polícias”.

“O CHEGA tem sete projetos e o Governo tem zero. Passaram três meses que são Governo e têm zero projetos para apresentar às nossas forças de segurança”, ironizou Ventura, salientando que “o país está ao contrário e deve ser concertado”.

“Não pode haver polícias de primeira, nem de segunda. A vida destes homens e mulheres é igual e ninguém está acima de ninguém. Este é o país do mundo que menos compensa ser polícia”, terminou.

Mesmo antes do debate, vários agentes das forças de segurança já aguardavam entrada no Parlamento. À porta da Assembleia da República, foram várias centenas de polícias e militares que esperam para marcar presença nas galerias, para assistir ao debate que falava sobre uma das principais reivindicações destes profissionais. Contudo, aquando do arranque do plenário, a maioria continuava lá fora e teve de ficar à porta a assistir ao que se dizia no hemiciclo nos ecrãs dos telemóveis. “Estou a dar conta ao presidente de que há pessoas lá fora que querem entrar e estão a ser impedidas de entrar”, avisou André Ventura, o presidente da Assembleia da República, José Aguiar-Branco. “Homens e mulheres estão lá fora, na fila, à espera para entrar. Sem armas e de forma ordeira, esperam para ficar na galeria e apenas para mostrar que querem uma vida um pouco melhor”, acrescentou. “Centenas de pessoas estão à porta, à espera para entrar na casa da democracia”, corroborou o líder parlamentar, Pedro Pinto. Em resposta, o presidente da AR garantiu que “venham de onde vierem, ninguém é impedido de entrar na casa da democracia”. Mas a abertura das galerias ocorreu em cima da hora marcada para o início da discussão e uma hora depois, a fila em U estendia-se por toda a lateral do Palácio de São Bento. Alguns deputados do CHEGA fizeram questão de passar pela mesma porta por onde entravam os agentes. Os polícias aplaudiram e cantaram “vergonha”, mostrando a sua indignação aos membros do partido liderado por Ventura.

“Somos tratados como cidadãos de segunda. O primeiro-ministro está a faltar-nos à palavra. Isto é a casa da democracia e não nos deixam entrar”, contou um agente ao deputado Pedro Frazão que declarou, aos jornalistas, estar ali para apenas “para ouvir e perceber porque é que as pessoas não conseguiam entrar”. Lá dentro, já no fecho do plenário, sem todos os agentes no Parlamento, alguns que viajaram quilómetros até Lisboa, para marcar presença nas galerias, a deputada Cristina Rodrigues, registou o problema: “Houve pessoas que fizeram entre 300 e 400 quilómetros, para entrar na Assembleia da República, e não conseguiram. É uma vergonha”.

 

 

 

 

Últimas de Política Nacional

O CHEGA defendeu ontem que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, "perdeu por completo o controlo da situação" relativa ao ministro da Administração Interna e insistiu na saída de Luís Neves do cargo.
O Ministério da Justiça (MJ) ordenou uma auditoria interna à Polícia Judiciária (PJ) na sequência das notícias sobre o funcionamento desta polícia no mandato do ex-diretor nacional e atual ministro da Administração Interna, Luís Neves.
Luís Neves está novamente no centro da polémica. O atual ministro da Administração Interna vai ser julgado no Tribunal de Contas por infrações financeiras cometidas quando era diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), num caso relacionado com contratos públicos que, segundo o tribunal, não cumpriram as regras da contratação pública.
O CHEGA defende que Portugal deve exigir a exclusão de Marrocos da organização conjunta do Mundial de Futebol de 2030, na sequência da invasão massiva de migrantes em Ceuta.
O CHEGA defende que Portugal deve exigir a exclusão de Marrocos da organização conjunta do Mundial de Futebol de 2030, na sequência da invasão massiva de migrantes em Ceuta.
O movimento de professores Missão Escola Pública (MEP) considerou hoje que será "praticamente impossível" concluir as reapreciações da 1.ª fase dos exames nacionais até sexta-feira, relatando casos de docentes convocados nos últimos dias.
O presidente do Chega considerou ontem que os dados sobre a dívida pública evidenciam uma "péssima gestão" do Governo, além de uma "enorme incompetência", e defendeu que este "é um dado que não deve ser desvalorizado".
O presidente do CHEGA, André Ventura, afirmou que os responsáveis pela invasão do seu gabinete devem ser afastados "da Assembleia da República e da vida política".
O Presidente do CHEGA voltou a pedir a demissão do ministro da Administração Interna e a intervenção do Presidente da República, considerando que as polémicas com Luís Neves estão a levar a uma "degradação da autoridade do Estado".
A escolha é entre André Ventura, do CHEGA, e Luís Montenegro, do PSD. Para os inquiridos da última sondagem da Aximage, André Ventura ocupa o primeiro lugar no pódio, com 44% dos inquiridos a considerá-lo o Líder da direita em Portugal. Em segundo lugar surge Luís Montenegro, atual Primeiro-ministro, com 43% dos votos.