Novo pacto quer reforçar papel do farmacêutico e das farmácias comunitárias

As principais organizações representativas do setor farmacêutico uniram-se num Pacto pela Valorização da Profissão e da Atividade do Farmacêutico Comunitário, um compromisso comum para o futuro da profissão e o fortalecimento do papel das farmácias comunitárias.

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Segundo revelou a Associação Portuguesa de Jovens Farmacêuticos (APJF), este pacto envolve 18 compromissos que passam pela criação de condições para atrair e reter profissionais em todas as fases da carreira, diferenciação e especialização da atividade farmacêutica, reforço da formação inicial e contínua e valorização salarial.

O pacto defende ainda a justa remuneração dos serviços farmacêuticos, a proteção das farmácias em territórios de baixa densidade populacional, a promoção de ambientes de trabalho saudáveis e seguros, a conciliação entre vida pessoal, familiar e profissional, a autonomia técnica e científica do farmacêutico e o reconhecimento social da profissão.

Este memorando de entendimento surgiu na sequência de um estudo feito pela APJF, envolvendo mais de 1.000 farmacêuticos, que avaliou a perceção destes profissionais sobre as suas condições de trabalho, bem como a satisfação e perspetiva de futuro.

A análise concluiu que mais de 90% dos farmacêuticos comunitários estão preocupados com as condições do mercado de trabalho em Portugal, sendo que 30% já procuraram oportunidades de trabalho em farmácia comunitária no estrangeiro, um valor que sobe para 40% nos casos dos farmacêuticos com menos de 35 anos.

Os principais desafios e constrangimentos apontados pelos farmacêuticos são a remuneração — três em cada quatro não estão satisfeitos com o salário, sobretudo em função das qualificações profissionais e da realidade socioeconómica do país – e o equilíbrio entre a vida profissional, pessoal e familiar.

As perspetivas de progressão na carreira são também apontadas como preocupações neste estudo, que indica que as dimensões remuneração e equilíbrio entre a vida profissional, pessoal e familiar figuram “entre os fatores que mais influenciam a motivação dos profissionais”.

Tendo em conta a escassez de profissionais de saúde, o envelhecimento da força de trabalho da saúde, a crescente evolução científica, técnica e tecnológica e as qualificações que são exigidas a estes profissionais, este pacto pretende ajudar a retê-los em Portugal e aumentar a atratividade da profissão entre os mais jovens.

“Existem grandes desafios para a atração, retenção e valorização de talento nas farmácias comunitárias, particularmente num contexto de maior integração dos farmacêuticos e farmácias comunitárias em complementaridade com o Serviço Nacional de Saúde”, considera a APJF, que por isso defendeu que se avançasse para esta “agenda conjunta”.

O pacto foi assinado entre as principais entidades do setor: Ordem dos Farmacêuticos, Sindicato Nacional Farmacêutico, Associação Nacional das Farmácias, Associação de Farmácias de Portugal, Associação Portuguesa de Jovens Farmacêuticos, Associação Portuguesa de Estudantes de Farmácia e Associação Portuguesa de Farmacêuticos para a Comunidade.

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