Secretária-geral recusa responsabilidades na falta de conhecimento da greve no INEM

A secretária-geral do Ministério da Saúde recusou hoje qualquer responsabilidade na falta de conhecimento do INEM relativamente às greves de 2024, lembrando que a informação chegou à Direção-Executiva do SNS e à Administração Central do Sistema de Saúde.

©INEM

Ana Margarida de Brito Pedroso falava na Comissão Parlamentar de Inquérito ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), para apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

Em resposta aos deputados, a responsável insistiu que não compete à secretaria-geral fazer divulgações de pré-avisos de greve, mas apenas fazer a recolha estatística dos trabalhadores em situação de ausência ao trabalho por causa da greve.

No âmbito das suas atribuições, a secretaria-geral “só recolhe informação estatística” dos trabalhadores em situação de ausência, afirmou a responsável, acrescentando: “Só temos responsabilidades em termos de recursos humanos se forem da secretaria-geral”.

A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) concluiu no seu relatório que o INEM não foi informado dos pré-avisos das greves gerais que decorreram em 31 de outubro e 4 de novembro (convocadas pela Federação Nacional de Sindicatos Independentes da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos, apesar de terem sido enviados pelos sindicatos para o Ministério da Saúde. No dia  04 de novembro de 2024, a greve geral coincidiu com a greve ao trabalho extraordinário que tinha sido convocada pelo Sindicato dos Técnicos de Emergência-Pré-Hospitalar.

Sobre o facto de o INEM não ter tido atempadamente conhecimento de uma das greves que decorreram em simultâneo, disse que se a paralisação foi convocada de forma correta, “o sindicato ou deu conhecimento direto ou publicitou de forma idónea” e, aí, “o INEM tem de ter mecanismos para conhecer esses pré-avisos”.

“Não há um terceiro interveniente que tenha obrigação legal de transmitir o pré-aviso do greve”, sublinhou a responsável, que perante a insistência dos deputados afirmou: “só posso praticar atos que a lei diz”.

Recusando o papel de “bode expiatório”, disse que enquanto cidadã e enquanto secretária-geral do Ministério da Saúde fez “exatamente o que lhe competia e lembrou que nunca houve discordância da parte da tutela em relação a esta matéria.

Questionada sobre se achava difícil que o INEM não tivesse conhecimento da greve, afirmou: “Não quero fazer insinuações injustas, mas o próprio inspetor-geral da Saúde admite no relatório que a greve era do conhecimento publico”.

“A greve era pública (…). O INEM perante três greves simultâneas agiu em relação a duas delas. Não era expectável que não agisse relativamente a esta”, acrescentou.

Disse ter recebido a informação da greve também reencaminhada pelo gabinete ministerial e sublinhou que a mesma informação foi enviada para a ACSS (que gere os recursos humanos) e a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“O INEM integra o SNS”, lembrou, acrescentando: “Presumo que todos partimos do princípio de que ou greve estava corretamente convocada e o inem tinha de ter conhecimento direto e próprio, senão, a greve era ilegal”.

Ana Margarida de Brito Pedroso foi ainda questionada sobre a quem imputaria a responsabilidade pela não definição de serviços mínimos na greve geral que abrangeu os técnicos de emergência pré-hospitalar.

Em resposta, aludiu a um parecer da ACSS sobre os contornos legais da greve que refere que a paralisação terá sido devidamente convocada e insistiu: “se estava, teria de ser a instituição visada a acautelar os serviços mínimos, se não estivessem definidos em instrumento de regulação coletiva de trabalho”.

Durante as greves dos técnicos de emergência pré-hospitalar, entre 30 de outubro e 4 de novembro de 2024, registaram-se 12 mortes, três das quais associadas a atrasos no socorro, segundo a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).

A CPI pretende apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM e o foco inclui a atuação do instituto durante a greve do final de outubro e início de novembro de 2024.

Últimas do País

Um guarda prisional, de cerca de 40 anos, foi agredido por um visitante no interior do Estabelecimento Prisional de Lisboa, depois de lhe ter ordenado que abandonasse as instalações. O suspeito encontrava-se acompanhado por uma criança e terá desobedecido às indicações do funcionário.
Um jovem de 15 anos, com necessidades educativas especiais, continua sem aulas devido à falta de uma resposta escolar adequada. Depois de várias tentativas para resolver a situação, a mãe decidiu apresentar queixa, levando às autoridades policiais um problema que coloca em causa o acesso do filho à educação.
Uma mulher de 30 anos foi encontrada morta, com ferimentos provocados por arma de fogo, no interior de uma viatura estacionada na berma da Estrada Nacional 360, nas Caldas da Rainha. Ao seu lado estava um homem de 25 anos, apontado como seu namorado, que foi encontrado inconsciente.
O Parlamento pediu os contratos contestados pela entidade reguladora da profissão, mas recebeu uma minuta já alterada. A SÁBADO revela que existiam três contratos assinados com as cláusulas consideradas ilegais.
Ricardo Carrilho acusa Luís Neves de o ter afastado para proteger interesses instalados na SIRESP. Em declarações à Renascença, denuncia contratações suspeitas, negócios com escritórios de advogados e contratos com operadores privados que não cumpririam as suas obrigações.
A proteção de vítimas de violência levanta uma nova controvérsia: o acesso à licença parental remunerada a 100% poderá depender da saída da residência. A condição, noticiada pelo Jornal de Notícias, coloca em discussão a relação entre os apoios sociais e a segurança de quem enfrenta situações de violência.
As autoridades já apreenderam mais de 42 toneladas de cocaína desde o início do ano, um volume que evidencia a dimensão das operações de combate ao tráfico de droga. Os números colocam novamente em destaque a atividade das redes internacionais de narcotráfico e a importância da fiscalização das rotas de circulação de estupefacientes.
André Ventura acusa Luís Neves de “prepotência e incapacidade de lidar com a verdade” e coloca a responsabilidade pela resolução do caso nas mãos de Luís Montenegro. O presidente do CHEGA alerta que, enquanto o primeiro-ministro não intervier, “a infeção deste Governo será cada vez maior”.
Três trabalhadores morreram hoje num acidente laboral num reservatório de água de uma habitação na Quinta do Lago, no concelho de Loulé, distrito de Faro, disseram à Lusa fontes da GNR e da Proteção Civil.
Cerca de 150 dirigentes associativos do setor agroflorestal concentraram-se esta segunda-feira junto à Assembleia da República, em Lisboa, para exigir ao Governo 140 milhões de euros em apoios que permitam enfrentar o aumento dos custos de produção e recuperar a competitividade face a Espanha. A resposta do ministro da Agricultura aponta para 2027, ano em que estarão disponíveis mais de 162 milhões de euros para apoiar o setor.