O custo do cabaz alimentar em Portugal voltou a subir e atingiu um novo máximo histórico. Na segunda semana de março, o conjunto de produtos essenciais monitorizado pela DECO PROteste alcançou os 254,12 euros, o valor mais elevado desde que a organização começou a acompanhar estes preços, em 2022.
De acordo com a associação de defesa do consumidor, este montante representa mais 12,30 euros do que no início deste ano, o que corresponde a um aumento de cerca de 5% em pouco mais de dois meses. Quando comparado com a primeira semana de 2022, a subida é ainda mais expressiva: mais 66,42 euros, o equivalente a um aumento superior a 35%.
Entre os produtos que mais contribuíram para esta subida desde o início do ano destacam-se a curgete, a dourada e a couve-coração, que registaram as maiores variações de preço.
A DECO PROteste alerta, contudo, que a tendência poderá não ficar por aqui. A organização admite que os preços dos alimentos possam continuar a subir nos próximos meses, pressionados por diversos fatores económicos e geopolíticos.
Entre as razões apontadas estão os aumentos nos preços dos combustíveis e da energia, associados à instabilidade no Médio Oriente, cujos efeitos começam já a sentir-se nas cadeias internacionais de abastecimento. Um cenário que recorda a crise energética desencadeada pela guerra na Ucrânia.
A estes fatores juntam-se ainda os prejuízos provocados pelas tempestades que atingiram Portugal no início do ano, cujos impactos poderão refletir-se na produção agrícola e, consequentemente, no preço final pago pelos consumidores.
Outro motivo de preocupação é o eventual aumento do custo dos fertilizantes agrícolas, muitos dos quais são produzidos ou dependem de matérias-primas provenientes do Médio Oriente. Como grande parte destes produtos é transportada por via marítima através do estreito de Ormuz, um eventual agravamento do conflito na região poderá pressionar ainda mais os preços dos alimentos.