Os cerca de 800 mil euros pagos pelo empresário Carlos Santos Silva na compra de uma vivenda na Malveira, em 2022, acabaram por chegar à conta bancária de José Sócrates na Caixa Geral de Depósitos: dinheiro que, entretanto, já terá sido totalmente gasto pelo antigo primeiro-ministro, avança o jornal SOL.
A revelação levou o Ministério Público a abrir um novo inquérito, depois de uma investigação jornalística ter exposto o negócio imobiliário que envolve familiares de Sócrates e o empresário da Covilhã, apontado pela acusação como um dos seus principais homens de confiança.
Segundo as autoridades, o imóvel foi adquirido por Santos Silva a Pedro Pinto de Sousa, irmão de José Paulo Pinto de Sousa, primo do ex-líder socialista e também arguido na Operação Marquês.
De acordo com a investigação, citada pelo SOL, o dinheiro não terá chegado diretamente a Sócrates. O montante terá seguido um circuito financeiro intermediado entre contas de familiares, criando uma espécie de “cortina de opacidade”, antes de acabar na conta do antigo governante.
Perante estes indícios, o Ministério Público determinou a quebra do sigilo bancário dos intervenientes, com o objetivo de esclarecer a origem e o destino dos fundos.
Parte do dinheiro utilizado na operação poderá ter origem nos 34 milhões de euros que, segundo a acusação da Operação Marquês, pertenciam a Sócrates, embora estivessem depositados em contas controladas por Santos Silva. Esses valores foram descongelados em 2021, após a decisão do juiz Ivo Rosa, que ilibou os arguidos da maioria dos crimes inicialmente imputados.
Já em 2022, Santos Silva terá utilizado parte desses fundos para adquirir a vivenda na Malveira, num negócio que volta agora a colocar os protagonistas da Operação Marquês sob escrutínio judicial, refere o SOL.
Este não terá sido, contudo, o primeiro negócio imobiliário entre Santos Silva e o círculo familiar de Sócrates. Em 2021, o empresário adquiriu também o Monte das Margaridas, em Montemor-o-Novo, propriedade anteriormente associada à ex-mulher do antigo primeiro-ministro, Sofia Fava, operação que motivou igualmente uma averiguação preventiva por suspeitas de branqueamento de capitais.
O novo inquérito pretende agora apurar se estas transações serviram para dissimular a origem de fundos ligados a alegados atos de corrupção, num contexto que continua a ter como pano de fundo o julgamento da Operação Marquês, atualmente em curso em Lisboa.