Câmara da Régua reabre de forma condicionada troço no Vale da Cunca

A Câmara da Régua reabriu de forma condicionada o troço da Estrada Municipal (EM) 593, no Vale da Cunca, afetado pelo mau tempo, numa altura em que prossegue com limpezas, prepara repavimentação de vias e reparação de muros.

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“Estamos a trabalhar para repor a normalidade e melhorar a rede viária do concelho”, afirmou hoje à agência Lusa o presidente da Câmara do Peso da Régua, José Manuel Gonçalves.

O comboio de tempestades que atingiu Portugal provocou prejuízos no concelho do sul distrito de Vila Real que podem ascender aos cinco milhões de euros, entre os quais se encontra o troço da EM593 — Rua do Pendão (Vale da Cunca) — Miradouro da Presegueda, que esteve cortado ao trânsito durante várias semanas e é uma “ligação estruturante” entre as aldeias de Presegueda, Poiares e Canelas.

“Fomos abrindo para facilitar a circulação das pessoas e ainda mais agora, nesta situação agravada que estamos a sentir com o aumento do preço dos combustíveis. É nesse sentido de facilitar a vida às pessoas e às empresas que, neste momento, procedemos à abertura condicionada”, apontou José Manuel Gonçalves.

O município explicou que, na sequência das fortes intempéries sentidas em fevereiro, registaram-se “assentamentos significativos na plataforma da estrada no troço do Vale da Cunca, que provocaram a quebra do pavimento e o aparecimento de fendas de grande dimensão” e levaram à interdição do trânsito naquela zona.

A autarquia explicou que iniciou de “imediato os procedimentos necessários para resolver o problema, avançando com prospeções geotécnicas especializadas que permitissem compreender as causas do fenómeno e definir a solução técnica mais adequada”.

Os resultados das prospeções revelaram níveis freáticos elevados, entre os 3,5 e os 4,5 metros de profundidade, situação que terá estado na origem dos assentamentos e dos movimentos de terreno verificados na estrada e nas áreas envolventes.

José Manuel Gonçalves acrescentou que está “a ser desenvolvida uma solução técnica” para aquele local e antevê custos “bastantes significativos”.

Essa solução incluirá a “execução de camadas drenantes para reduzir o nível de água no solo” e a “implementação de fundações indiretas (estacas) que irão estabilizar a plataforma e as estruturas de suporte, ancoradas no maciço rochoso existente a cerca de sete metros de profundidade”.

A reabertura é temporária e decorrerá até ao início da empreitada de reabilitação definitiva da via, que permitirá resolver de forma estrutural os problemas identificados.

O município advertiu que, em caso de agravamento das condições meteorológicas ou de alteração das condições de segurança, poderá voltar a ser necessário proceder ao encerramento temporário do trânsito neste troço.

José Manuel Gonçalves disse que “ainda há muito trabalho” a fazer a nível das vias no concelho, estando a ser preparados procedimentos para repavimentação de vias e recuperação de muros caídos.

Na zona ribeirinha, afetada pela subida do caudal do rio Douro, já se fizeram as limpezas e vão ser repostas árvores e material urbano.

No entanto, para além do investimento público, o autarca chamou de novo a atenção para as dificuldades dos particulares, designadamente viticultores, esperando medidas que possam ajudar a mitigar os prejuízos nas suas propriedades e lembrando que os produtores durienses “têm sido fustigados” ao longo dos anos com os preços baixos da uva e dificuldades de escoamento da produção.

A passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foi registada em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.

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