O futuro Hospital de Todos os Santos, em Lisboa, já perdeu 100 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) devido a atrasos na execução, avança o jornal SOL. Parte desse montante (cerca de 23 milhões de euros) chegou mesmo a ser transferida, mas acabou por ser devolvida.
A perda do financiamento resulta do incumprimento dos prazos definidos por Bruxelas, que exige que os projetos estejam concluídos até agosto de 2026 para garantir o acesso aos fundos. Este acabou por não cumprir.
Com a saída do PRR, o Estado fica agora obrigado a encontrar fontes alternativas de financiamento para uma obra que tem acumulado sucessivas derrapagens, refere o SOL.
O custo do projeto tem vindo a escalar ao longo dos anos. Inicialmente estimado em cerca de 334 milhões de euros, em 2017, subiu para 380 milhões em 2024 e atingiu quase 800 milhões no ano passado. Ainda assim, o valor final continua por definir.
Entre as principais causas dos atrasos está a revisão do projeto para integrar medidas de segurança sísmica, exigidas pelo Tribunal de Contas, alterações que contribuíram para o deslizamento dos prazos e, consequentemente, para a perda do financiamento europeu.
No terreno, persistem sinais contraditórios quanto à conclusão da obra: enquanto algumas indicações apontam para 2027, o consórcio responsável admite 2028. Para já, a incerteza mantém-se.
Com mais de quatro décadas de história, o hospital que prometia reforçar a resposta hospitalar na capital arranca marcado por atrasos, custos em escalada e um orçamento final ainda por apurar.