O novo presidente da Unidade Local de Saúde (ULS) de São José, em Lisboa, está sob investigação do Ministério Público, num processo relacionado com a adjudicação de contratos públicos durante o período em que liderou o Centro Hospitalar de Entre o Douro e Vouga.
Em causa, segundo avança o Correio da Manhã, estão contratos no valor de cerca de 6,1 milhões de euros, envolvendo a aquisição de bens, serviços e a realização de obras. O inquérito, aberto há três anos, visa apurar eventuais irregularidades em ajustes diretos e concursos públicos, incluindo possíveis ligações a empresas e a um advogado que prestou serviços à instituição.
Apesar da investigação, Miguel Paiva assegura que nunca foi constituído arguido e garante estar a colaborar com a justiça, afirmando que nunca se sentiu suspeito.
Ainda assim, o processo levanta dúvidas sobre o funcionamento interno do hospital, em particular na área das compras. Em 2019, uma antiga responsável clínica já tinha denunciado um sistema “montado para a ineficiência”, que, segundo a própria, conduzia ao recurso sistemático a ajustes diretos.
A Polícia Judiciária já ouviu várias testemunhas e procura agora apurar quem era responsável pela escolha das empresas nos procedimentos, de forma a determinar a eventual existência de favorecimento.
A nomeação de Miguel Paiva para a presidência da ULS de São José foi aprovada pelo Governo em fevereiro, numa altura em que o setor da saúde enfrenta também atrasos e derrapagens financeiras em projetos estruturantes, como o Hospital de Todos os Santos.