Aguiar-Branco pede inquérito às afirmações da deputada Isabel Moreira após queixa de Hugo Soares

O presidente da Assembleia da República solicitou à Comissão de Transparência a abertura de um inquérito às afirmações da deputada do PS Isabel Moreira no debate dos diplomas sobre mudança de género, após queixa do líder parlamentar do PSD.

© Folha Nacional

No despacho, a que a Lusa teve acesso, José Pedro Aguiar-Branco admitiu que as afirmações imputadas à deputada socialista no debate de sexta-feira “apresentam gravidade objetiva bastante para justificar averiguação”.

Hugo Soares pediu que seja aberto um inquérito por alegada violação grave dos deveres dos deputados depois de Isabel Moreira ter dito, em plenário, que os projetos de lei do PSD, Chega e CDS-PP – todos relativos ao regime jurídico de mudança de sexo e de nome próprio no registo civil – “ratificaram o assassinato de Gisberta”, uma mulher transexual que em 2006 foi agredida e morta por um grupo de adolescentes na cidade do Porto.

“Sustenta o requerente que tal formulação equivale, ainda que por via indireta, a imputar aos deputados subscritores e apoiantes dessas iniciativas, incluindo aos deputados do PSD, uma responsabilidade moral ou política pela legitimação de um homicídio, o que configuraria ofensa grave à sua honra e dignidade, bem como lesão da dignidade e do prestígio da Assembleia da República”, refere o despacho.

Alem das declarações em plenário, Hugo Soares acrescentou à queixa uma publicação da mesma deputada na rede social X, na qual escreveu: “O PSD capitulou de vez. Acaba de ser aprovado o fim da autonomia de todos os trans. Sim, adultos, também. Aprovaram o diploma do Chega e do CDS. É como se estivessem a dizer que fez sentido atirar com a Gisberta para dentro de um poço. Matá-la. Nem um voto fora da disciplina”.

Na apreciação da queixa, o presidente da Assembleia da República considerou que a linguagem usada pode “ultrapassar o plano da crítica política vigorosa e entrar no domínio da desqualificação moral dos proponentes e apoiantes das iniciativas em causa”.

“Ao associar o respetivo impulso legislativo à ‘ratificação’ de um assassinato, a expressão utilizada é suscetível de projetar sobre deputados determinados uma censura de gravidade excecional, colocando, assim, de forma fundada, a questão da sua compatibilidade com os deveres de respeito, urbanidade e lealdade institucional que impendem sobre todos os membros da Assembleia da República”, referiu.

Aguiar-Branco considerou que, “sem prejuízo do contraditório e do apuramento complementar que se revelem devidos”, estas declarações da deputada do PS, bem como a publicação na rede social, são suscetíveis “de comprometer a honra e a dignidade de deputados determinados, de convocar o dever de respeito previsto na alínea e) do n.º 1 do artigo 14.º do Estatuto dos Deputados e de colocar a questão da eventual violação dos deveres de urbanidade, lealdade institucional e prestígio da instituição parlamentar constantes dos artigos 5.º e 9.º, alínea f), do Código de Conduta”.

Por essa razão, o presidente do parlamento determinou o pedido de abertura de inquérito à Comissão Parlamentar de Transparência e Estatuto dos Deputados e, além de notificar o queixoso e a visada, deu ainda conhecimento da decisão aos grupos parlamentares do CDS-PP e do Chega, “atenta a respetiva conexão com os factos em apreciação”.

Últimas de Política Nacional

O líder do CHEGA acusa José Luís Carneiro de contradição e sustenta que os socialistas preferem preservar o entendimento político com o PSD a transformar em lei aquilo que dizem defender: baixar o IVA nos combustíveis de 23% para 13%.
O partido liderado por André Ventura exige explicações sobre pagamentos identificados pela Inspeção-Geral das Finanças e quer ouvir atuais e antigos responsáveis da televisão pública. Conselho Fiscal e Conselho Geral Independente também são chamados ao escrutínio. “Estamos a falar de recursos que são públicos”, avisa o deputado Daniel Teixeira.
O presidente do CHEGA anuncia novo requerimento potestativo para investigar a passagem de Luís Neves pela direção da PJ e acusa o Parlamento de aplicar critérios diferentes dos usados noutras comissões de inquérito. Ventura admite limitar novamente o objeto para desbloquear a CPI.
O presidente do CHEGA acusa Aguiar-Branco de bloquear o escrutínio ao atual ministro da Administração Interna e fala numa operação de “contenção política de danos”. Ventura denuncia “dois critérios” na admissão de inquéritos parlamentares e promete não deixar cair a investigação à passagem de Luís Neves pela direção da Polícia Judiciária.
A Cosmos Business Travel, empresa ligada ao universo empresarial da família Oliveira, terá faturado perto de 600 mil euros desde 2024 em serviços de viagens e alojamento contratados por organismos públicos, segundo revela o Tal & Qual.
O inquérito potestativo que permitiria avançar com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a Luís Neves sem votação foi rejeitado. CHEGA denuncia uma tentativa de proteger o ministro da Administração Interna e impedir que a sua gestão na PJ seja investigada.
CHEGA voltou a exigir que a comissão de inquérito à gestão de Luís Neves na Polícia Judiciária avance no arranque da nova sessão legislativa. Aguiar-Branco mantém o processo em análise e ainda não deu luz verde à constituição da comissão. Partido liderado por André Ventura lamenta novo impasse num inquérito que considera ser um direito potestativo.
A Entidade para a Transparência (EpT) admitiu não ser possível determinar com "rigor e fidedignidade" quantos titulares de cargos políticos e altos cargos públicos estão atualmente obrigados a apresentar declarações de rendimentos e interesses.
A Entidade para a Transparência (EpT) reconheceu que não concluiu a verificação de todas as declarações únicas de interesses e rendimentos do atual Governo, sublinhando que há processos a aguardar decisões do Tribunal Constitucional sobre que informação declarar.
Um estudo aos 25 Governos Constitucionais revela que quatro em cada dez ministros assumiram pastas sem licenciatura ou pós-graduação relacionada com a tutela. Apenas 20,9% tinham especialização académica avançada na área que ficaram responsáveis por governar.