A partir de segunda feira, dia 16 de março, a urgência de obstetrícia e ginecologia do Hospital de Vila Franca de Xira encerrou portas.
É assim que aos poucos vamos assistindo ao declínio do SNS devido ao total desinvestimento em profissionais e meios.
A solução apresentada pela atual ministra da saúde, Ana Paula Martins, é a criação de unidades de urgência regionais. A primeira surgiu na península de Setúbal, o que levou ao encerramento da urgência de obstetrícia do Hospital do Barreiro. A segunda abre portas dia 16 deste mês e irá centralizar-se no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures.
Esta decisão faz com que as grávidas dos 5 concelhos afetados por esta medida, sejam agora obrigadas a deslocar-se mais de 50kms para que possam ter um atendimento de urgência.
Estamos a falar de um universo de mais de 250 mil habitantes, distribuídos pelos concelhos de Arruda dos Vinhos, Azambuja, Alenquer, Vila Franca de Xira e Benavente que de um momento para o outro ficam não só sem serviço de urgência de obstetrícia e ginecologia, mas também sem urgência pediátrica que há quase 2 anos apenas funciona durante a semana, entre as 09.00h e as 20.00h.
Qual a razão apresentada para esta desastrosa decisão? De acordo com o ministério da saúde, a falta de profissionais de saúde, nomeadamente médicos obstetras.
Isto significa que vamos continuar a assistir a partos em ambulâncias, vamos aumentar o risco para grávidas e crianças e vamos sobrecarregar ainda mais hospitais que já estão a funcionar acima daquilo que é a sua capacidade de resposta.
Aqui falamos das consequências imediatas, mas importa também olhar para o futuro. Esta reorganização dos serviços de saúde, impacta diretamente o acesso a cuidados de saúde no interior da Área Metropolitana de Lisboa, colocando milhares de famílias sem proximidade a qualquer tipo de unidade saúde que dê resposta a situações que envolvam risco imediato para grávidas e para os seus bebés.
Num país em que são divulgadas sucessivas estatísticas que demonstram o envelhecimento da população e o possível colapso da Segurança Social, é inacreditável que seja esta a forma encontrada pelo atual governo para potenciar o aumento da taxa de natalidade.
É preciso fazer mais e melhor se quisermos salvar o pouco que resta do SNS, caso contrário o provável desfecho será a derivação para um sistema de saúde entregue a grupos privados, já utilizado noutros países, sendo o caso mais conhecido os Estados Unidos da América.
A principal consequência? A limitação no acesso aos cuidados mais básicos de saúde por parte das classes com menores recursos financeiros e a quase ausência de soluções nos concelhos mais periféricos e do interior do país, transferindo para as autarquias a responsabilidade de encontrar alternativas que devido á limitação de meios certamente se vão revelar insuficientes.