Organização Internacional de Migrações e PSP de Lisboa defendem divulgação de nacionalidade dos autores e vítimas de crimes

Os responsáveis do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP e da representação portuguesa da Organização Internacional de Migrações defenderam hoje em Lisboa que as nacionalidades dos autores e vítimas de crimes sejam divulgadas para combater a desinformação.

© Facebook/PSP

No colóquio ‘Coesão Social e os desafios da polarização urbana: uma estratégia local de segurança’, organizado pela Polícia Municipal de Lisboa, o comandante do Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP da PSP, Luís Elias, afirmou que “não houve qualquer exponenciar da criminalidade devido ao aumento do número de imigrantes”, rejeitando as suspeitas lançadas contra os estrangeiros que residem em Portugal.

“Sou apologista que estes números sejam conhecidos para desfazer mitos e desinformação sobre o número de crimes efetivamente cometidos pelos estrangeiros”, distinguindo os “estrangeiros que são turistas e os que vivem cá”, afirmou.

Dirigentes de extrema-direita têm pedido a divulgação das nacionalidades que constam no Relatório Anual de Segurança Interna e relacionam a criminalidade com a imigração, com o Governo a admitir que existe uma perceção de insegurança.

A divulgação das nacionalidades permitiria “desfazer a desinformação e algum discurso polarizador em relação a estas realidades”, admitiu Luís Elias, que destacou a progressiva redução da criminalidade geral, na última década.

O responsável admitiu que se verifica um crescente discurso de ódio na sociedade portuguesa e recordou a obrigação das organizações públicas de “apagar os comentários racistas e xenófobos nas suas redes sociais”.

“Há uma dificuldade das entidades públicas em serem ouvidas”, reconheceu.

Por seu turno, Vasco Malta, responsável do escritório da OIM em Portugal, defendeu que os números de estrangeiros envolvidos em crimes “devem ser conhecidos”, mas “isso não invalida o domínio das perceções”, que está marcada por um discurso contra o outro.

“A melhor política de integração do mundo inteiro não funciona se os imigrantes não fizerem parte dela”, advertiu o responsável, considerando que a “integração começa nos serviços de proximidade”.

Em paralelo, o país vive uma situação económica muito positiva, com uma taxa de desemprego em mínimos históricos, o que atrai mais imigrantes, disse Vasco Malta.

“Temos muito imigrantes”, mas “é verdade que estão todos a trabalhar”, comentou.

Presente no debate, o dirigente da comunidade do Bangladesh de Lisboa Rana Taslim Uddin admitiu o impacto dos imigrantes na sociedade portuguesa nos últimos anos.

“Estas pessoas só começaram a vir quando houve oportunidade” de emprego, porque “Portugal necessitava de imigrantes”, recordou.

A par disso, há “uma moda” nalgumas gerações de procurar outros locais para viver, “querem uma mudança e querem ver o mundo”.

Há “pessoas que têm oportunidades na sua terra e querem experimentar viver noutro lado”, disse, admitindo que Portugal é hoje “mais conhecido e está na moda”, o que ajudou à chegada de mais estrangeiros.

Ao mesmo tempo, “aumentou o racismo, aumentaram os ciúmes e aumentou a inveja entre os portugueses e os imigrantes” e assiste-se a “extremismos que não existiam antes”.

Já o assistente social António Brito Guterres, que tem feito vários trabalhos com as comunidades locais da cidade, considerou que “violência política é as pessoas não terem acesso aos serviços públicos”, o que é particularmente duro para quem é imigrante.

A isso, segundo o investigador, se somou a “grande inconstância das novas leis” que tratam do processo migratório e as pessoas “sentem que, de algum modo, estão a ser prejudicadas” pelo Estado, num momento em que o país precisa de gente.

“Não há imigrantes se não houver determinado estímulo económico para as pessoas cá estarem”, afirmou, lamentando também a “agressividade permanente com recurso à desinformação” contra os estrangeiros.

“Muitos estão a ir embora porque não se sentem acolhidos” e as “pessoas olham para esta realidade de hoje que não tem nada a ver” com o passado, acrescentou ainda.

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