Segundo relatou à Lusa Joana Oliveira, mãe de um dos alunos da turma A do terceiro ano da Escola Básica Professora Aida Vieira, que pertence ao agrupamento do Bairro Padre Cruz, a 03 de maio, às 21h00, os encarregados de educação receberam indicações para não levarem as crianças às aulas no dia seguinte.
De acordo com a mesma encarregada de educação, o pedido – feito pela direção da escola – manteve-se durante os sete dias úteis seguintes, até que os encarregados de educação anunciaram uma manifestação à porta do estabelecimento para esta quinta-feira.
Nesse mesmo dia, as crianças puderam voltar a entrar na escola, ainda que com indicação de estarem sob supervisão apenas até às 13h45. Entre essa hora e as 15h30, quando começam as atividades de enriquecimento escolar, “ficam na escola, mas sem supervisão”, relata Joana Oliveira, acrescentando que o mesmo aconteceu hoje.
Segundo esta mãe, a situação vem piorando desde março, altura em que a professora titular da turma pôs baixa por gravidez. Desde então, “as crianças têm andado de professor em professor ou distribuídas por outras turmas”, lamenta.
“Consideramos esta medida injusta e prejudicial para as crianças, que têm direito à educação e a um ambiente escolar estável”, afirmou.
Na quinta-feira ao final do dia, a direção da escola enviou uma informação sobre a turma 3.º A – à qual a Lusa teve acesso -, na qual reconhece e lamenta os “constrangimentos causados às famílias”, justificando a permanência das crianças em casa com a “necessidade de se reorganizar o horário da turma/docentes”.
A direção planeia que, “a partir de dia 18/05/2026, seja possível assegurar na íntegra o horário do 3.ºA”.
Porém, acrescenta, “até que seja possível a colocação de um Técnico Especializado para Formação (Licenciatura em Educação Básica) ou de um docente do 1.º ciclo, a turma ficará com um professor que será coadjuvado por outros professores dos 2.º e 3.º ciclos”.
A direção realça que a “medida tem caráter temporário e que continuam a ser desenvolvidos todos os esforços para assegurar o restabelecimento do normal funcionamento das atividades letivas e o cumprimento integral do horário escolar dos alunos”.
A Lusa pediu esclarecimentos, na quinta-feira, ao Ministério da Educação — que já estava a par do caso –, mas até agora não obteve resposta.
Apesar das várias tentativas, a direção da escola e a direção do agrupamento mantêm-se incontactáveis.
Os encarregados de educação já pediram reunião à direção da escola, mas, segundo Joana Oliveira, até agora não obtiveram retorno. Também o Ministério da Educação, ao qual denunciaram a situação, não lhes respondeu.
“O ministro da Educação tem de tomar medidas, as crianças têm o direito e a obrigação de estudar”, lembra Joana Oliveira, aludindo a uma possível violação do direito à educação.
Inaugurada em setembro de 2010, a Escola Básica Professora Aida Vieira acolhe atualmente 12 turmas do 1.º ao 4.º anos de escolaridade.