André Ventura anunciou esta terça-feira que o CHEGA vai levar ao Parlamento um projeto de resolução para auditar a Segurança Social antes da discussão do Orçamento do Estado para 2027.
Na sede nacional do partido, o presidente do CHEGA rejeitou que sejam misturados diferentes sistemas da Segurança Social para sustentar cenários que possam, no futuro, abrir caminho à redução das reformas.
“Para nós, as pensões são sagradas”, afirmou Ventura, alinhando neste ponto com as recentes declarações do Presidente da República.
O líder do CHEGA contestou ainda o défice de 1,9 mil milhões de euros e responsabilizou sucessivos governos pelo crescimento da despesa corrente, nomeadamente através de subsídios e apoios.
Ventura estabeleceu também uma relação entre o aumento da imigração e as contribuições para a Segurança Social, argumentando que Portugal permitiu a entrada de cerca de 1,6 milhões de imigrantes e que essas contribuições foram apresentadas durante anos como uma vantagem para o equilíbrio do sistema.
“E agora dizer que há um buraco”, criticou.
Quem acumula salários e pensões?
Ventura anunciou que o CHEGA vai apresentar no Parlamento um projeto de resolução, como discussão prévia ao Orçamento de Estado 2027 (OE2027), para colocar sob escrutínio pensões de elevado valor, acumulações de reformas com salários e suplementos pagos nos últimos anos.
“Quantas pessoas estão a acumular salários e pensões? Quantas pensões milionárias temos? Quantas pensões estão a receber acima de 5000 euros? 8000 euros? 15 mil euros?”, questionou.
Ventura apontou como exemplo o caso do antigo ministro da Saúde António Correia de Campos, que acumula uma pensão com a remuneração pelas atuais funções, classificando a situação como uma “anormalidade no sistema português”.
O líder da oposição questionou ainda quantos funcionários receberam suplementos nos últimos anos e lançou uma crítica ao cenário de eventuais cortes: “Quem ganha apenas 600 euros de pensão ainda vão cortar?”
Para Ventura, qualquer reforma da Segurança Social deve começar precisamente pela fiscalização destas situações.
“Não podemos continuar num país em que quem ganha 20 mil euros ainda recebe suplementos”, afirmou.
Ventura leva incêndio da sede de Évora à PGR
O presidente do segundo maior partido anunciou ainda uma participação criminal à Procuradoria-Geral da República, pedindo uma investigação às circunstâncias do fogo.
Segundo Ventura, os bombeiros terão confirmado que, quando ocorreu o segundo incêndio, a eletricidade e a energia estavam cortadas no edifício. O líder do CHEGA referiu que os pontos de maior pressão térmica se encontravam junto às janelas.
Perante estes elementos, o presidente do CHEGA afirmou existir “grande probabilidade de termos tido fogo posto na sede”.
Ventura associou ainda o episódio às ameaças que diz terem sido deixadas em gabinetes do partido e na sua própria residência, considerando que os diferentes acontecimentos poderão configurar “um conjunto de factos de intimidação”.
A investigação terá agora de determinar a origem do incêndio e esclarecer se existiu ou não intervenção criminosa.