“Se o CHEGA vencer, voltamos”: portugueses obrigados a emigrar prometem regressar a Portugal

Trocaram Portugal pelo estrangeiro à procura de melhores salários e estabilidade. Anos depois, há emigrantes que admitem regressar a casa se o CHEGA chegar ao poder.

© D.R.

Milhares de portugueses que vivem atualmente no estrangeiro manifestam, através de relatos nas redes sociais, vontade de regressar a Portugal caso uma vitória do CHEGA represente a mudança política que dizem esperar para o país. Muitos partiram à procura de melhores salários, estabilidade profissional e condições para constituir família, mas continuam ligados a Portugal e admitem fazer as malas e voltar se encontrarem condições económicas e sociais que lhes permitam reconstruir a vida no país.

Portugal continua, entretanto, a perder dezenas de milhares de cidadãos todos os anos. O Observatório da Emigração estima que cerca de 65 mil portugueses emigraram em 2024, depois de aproximadamente 70 mil no ano anterior. Suíça, Espanha, França, Alemanha e Bélgica continuam entre os principais destinos.

Uma reportagem recente da SIC Notícias voltou a expor este paradoxo: enquanto Portugal recebe números elevados de imigrantes, continua a ter dificuldade em convencer os seus próprios emigrantes a regressar.

E vontade de voltar não parece faltar. Um inquérito da SEDES a portugueses residentes no estrangeiro revelou que mais de 70% gostariam de regressar a Portugal, seja a médio ou longo prazo ou depois da reforma.

Entre os principais obstáculos surgem os baixos salários, apontados por 62% dos participantes, mas também a falta de oportunidades profissionais, o compadrio e a corrupção, as dificuldades no sistema de saúde e a falta de reconhecimento profissional. São precisamente alguns destes problemas que aparecem nos testemunhos de emigrantes que associam uma eventual vitória do CHEGA à possibilidade de regressarem ao país.

Para estes portugueses, voltar não é apenas uma questão económica. Significa criar os filhos perto da família, regressar à terra onde nasceram e deixar de viver a milhares de quilómetros dos pais e avós. Muitos deixam, contudo, claro que não estão dispostos a trocar a estabilidade conquistada no estrangeiro por baixos salários, custos elevados com a habitação, impostos e dificuldades nos serviços públicos.

Este desejo de mudança teve também expressão nas urnas. Nas legislativas de maio de 2025, o CHEGA foi o partido mais votado pelos portugueses residentes no estrangeiro, somando 92.192 votos e 26,15% da votação nos círculos da emigração. O partido venceu tanto no círculo da Europa, com 28,20%, como no círculo de Fora da Europa, com 20,78%, elegendo um deputado em cada um.

Últimas do País

Trocaram Portugal pelo estrangeiro à procura de melhores salários e estabilidade. Anos depois, há emigrantes que admitem regressar a casa se o CHEGA chegar ao poder.
O Instituto Nacional de Estatística revela uma quebra generalizada da população até aos 24 anos. Ao mesmo tempo, o número total de habitantes aumentou em 37 mil, impulsionado pelas faixas etárias mais velhas.
Hospitais continuam condicionados pela falta de aprovação dos planos para 2026. Recém-licenciados ficam limitados a contratos precários e podem acabar no privado ou no estrangeiro.
PSP mantém agentes à civil nas ruas do centro da capital. Mouraria concentra 316 detenções e polícia admite dificuldade em travar um negócio onde, quando um traficante é preso, outro surge para o substituir.
Portugal prepara-se para investir cerca de 3,9 mil milhões de euros em três fragatas FREMM EVO, recorrendo a financiamento europeu. Quanto custará realmente a operação aos contribuintes, incluindo juros, continua por esclarecer.
A Covilhã foi o município com maior área ardida entre 2020 e 2025 e, no mesmo período, os dez municípios com maior área ardida estão localizados nas regiões Norte e Centro, divulgou esta quinta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).
A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou hoje ter recebido uma denúncia contra o diretor da Polícia Judiciária (PJ) no âmbito de escutas realizadas no processo Football Leaks.
Quatro suspeitos, entre os 28 e os 43 anos, foram detidos nas Caldas da Rainha após nove meses de investigação. PSP apreendeu uma arma de fogo, centenas de doses de haxixe e cocaína e mais de 26 mil euros em dinheiro.
Partido liderado por André Ventura apresentou projetos de lei que pretendem dar prioridade às crianças portuguesas no acesso às creches e estabelecer, nas matrículas escolares, prioridade para crianças de nacionalidade portuguesa ou filhas de portugueses, seguindo-se os filhos de cidadãos da União Europeia.
Autoridades registaram uma sucessão de detenções em flagrante por diferentes ilícitos, incluindo posse de arma proibida e condução sem habilitação legal.