Ex-presidente da FP Judo diz que secretário de Estado do Desporto deve demitir-se

© facebook.com/FPJudo

O secretário de Estado da Juventude e do Desporto deveria demitir-se, depois de a tutela ter ‘imposto’ a eleição para os órgãos sociais na Federação Portuguesa de Judo e não apenas para presidente, defendeu hoje o ex-presidente.

“O que se espera do secretário de Estado e do IPDJ [Instituto Português da Juventude e do Desporto] é que sejam o garante do cumprimento das regras e das leis. E aqui foi ao contrário. É o IPDJ e o secretário de Estado que nos obrigaram, por escrito, a não cumprir a lei. Imiscuíram-se na federação, naquilo que também é ilegal”, argumentou Jorge Fernandes, em declarações à agência Lusa.

O dirigente, que foi destituído em 18 de dezembro do cargo, devido a incompatibilidades ao abrigo do artigo 51 do Regime Jurídico das Federações Desportivas, lamentou a postura da tutela, tanto da secretaria de Estado, como do IPDJ.

Jorge Fernandes comentou a decisão de 17 de fevereiro do Tribunal de Loures, com um juiz a desconvocar o ato eleitoral para o domingo seguinte, de 19 de fevereiro, ressalvando que a eleição deveria ser apenas para o cargo de presidente, o único órgão destituído.

“O tribunal decidiu que aquela norma estava mal feita, da eleição para todos os órgãos sociais, e é aquilo que sempre defendemos, eleições só para o presidente. As eleições são anuladas porque, na opinião do juiz, não podia ser eleição para os órgãos sociais. A pergunta é correta, era a que fazíamos. O que é que os órgãos sociais fizeram? Não foram destituídos, não se demitiram, foram eleitos para quatro anos, devem manter-se”, explicou.

O dirigente defendeu a estrutura federativa e as decisões do presidente da Mesa da Assembleia Geral (Carlos Andrade), que teve, inicialmente, uma interpretação semelhante à agora proferida pelo tribunal, mas que foi ‘contrariado’ pela tutela.

“O presidente da Mesa da Assembleia Geral é o menos culpado disto tudo, não tem culpa nenhuma. Cumpriu, contrariado e, está escrito, marcou as eleições para todos os órgãos e na própria assembleia, consta da ata, que ele próprio se manifestou contrário, que não era essa a leitura, nem dele, nem de todos os advogados que nos acompanham”, disse.

Ainda em relação à decisão do tribunal, Jorge Fernandes esclareceu também que em nenhum momento o juiz sentenciou que ele não poderá ser candidato a novo ato eleitoral – só para presidente – e já marcado para 29 de abril.

“Na opinião dele, o presidente que é destituído não deveria poder candidatar-se nesse mandato. Por falta de idoneidade. Ora, aqui, não é o caso. Eu não fui destituído por falta de idoneidade, fui destituído por duas incompatibilidades. São coisas diferentes”, argumentou.

Jorge Fernandes lembrou o inquérito do IPDJ que levou à marcação de assembleia da FPJ – sob risco de perder a utilidade pública -, e voltou a apontar as duas incompatibilidades de que foi acusado e a defesa que teve da própria inquiridora do IPDJ.

“A inquiridora [do IPDJ], quando ouviu, ao fim de três horas, disse que eu não perdia o mandato por isso. Se eu não perdia por isso, porque é que perdi? A leitura da inquiridora é igual à dos nossos advogados. Se eles já lá trabalhavam porque é que não podia fazer o contrato”, questionou.

Em causa estava o seu cargo de treinador no Judo Clube de Coimbra, sendo presidente da FPJ – que os estatutos do organismo permitem em contradição com o Regime Jurídico – e a contratação do seu filho e ex-judoca como funcionário da federação.

“[O filho] Já estava a trabalhar lá e recebia dinheiro. O que estava em causa, segundo a inquiridora, é se ele recebia dinheiro? Recebia, antes de eu estar na federação. Fiz aquilo que o Estado e os partidos pedem, acabar com os contratos precários, quer do meu filho, como de outros, fiz um contrato como devia ser com todos”, defendeu.

A finalizar, Jorge Fernandes sublinhou que o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Correia, bem como o presidente do IPDJ, Vítor Pataco, deveriam demitir-se, num processo em que diz estar constantemente sob ameaça.

“Podemos confiar no IPDJ, que ameaça com a retirada da utilidade pública? Que retira as verbas, que obriga a fazer as eleições através de uma norma ilegal deles, que [o ato eleitoral] era para todos os órgãos sociais e os delegados? Podemos confiar num secretário de Estado que ameaça com a utilidade pública? Que fez o que fez, ele e o IPDJ. Podemos nós confiar nas instituições do Estado? Vou mais longe, acho que o Vítor Pataco e o secretário de Estado se deviam demitir imediatamente, eles próprios”, afirmou.

Em defesa, Jorge Fernandes lembrou ainda os telefonemas da tutela, a cada vez que dizia ser recandidato, já depois de ser alvo do inquérito que levou à sua destituição.

“De cada vez que dizia que era candidato, era ameaçado com um processo. Quer o secretário de Estado, quer o IPDJ. Telefonavam-me. Perguntavam ‘Jorge, mas você vai mesmo ser candidato?’ Eu dizia, vou. ‘Mas sabe que vai haver mais um inquérito? Que vai ter mais um processo?’ Eu pergunto: onde estão esses inquéritos e processos?”, revelou.

A decisão do Tribunal de Loures em desconvocar as eleições de 19 de fevereiro levou já a Mesa da Assembleia Geral da FPJ a marcar novo ato eleitoral, a realizar em 29 de abril e apenas para o cargo de presidente.

“Em cumprimento da referida sentença, foram desconvocadas as respetivas eleições para os Órgãos Sociais da FPJ, impondo-se ora, na linha do nosso entendimento original, proceder à convocação de eleições apenas para o órgão presidente”, pode ler-se no site oficial da federação.

Últimas de Desporto

O clube Estrela Vermelha de Belgrado foi sancionado em 40 mil euros depois de os adeptos exibirem uma imagem de São Simeão, figura histórica do país, acompanhada de uma mensagem de fé. A UEFA justificou a multa com base nas regras que proíbem conteúdos considerados políticos ou religiosos nos estádios.
O Relatório de Análise da Violência Associada ao Desporto (RAViD), hoje divulgado, denota uma “redução significativa do número global de incidentes” em 2024/25, para 7.140, depois de 8.879 em 2023/24.
Os futebolistas da seleção portuguesa de sub-17 e o selecionador, Bino Maçães, que conquistaram no ano passado o primeiro título mundial da categoria para Portugal, foram hoje condecorados com a Ordem do Mérito pelo Presidente da República.
O Presidente da República anunciou hoje que vai condecorar com a Ordem do Mérito os jogadores da seleção nacional de futebol de sub-17 que conquistaram o campeonato mundial, numa cerimónia marcada para 02 de janeiro.
Portugal conquistou hoje o título mundial de futebol de sub-17, pela primeira vez, ao vencer a Áustria, por 1-0, em Doha, na final do Campeonato do Mundo.
A seleção portuguesa de futebol assegurou hoje a nona presença num Campeonato do Mundo, ao golear por 9-1 a Arménia, na sexta e última jornada do Grupo F da qualificação europeia, no Estádio do Dragão, no Porto.
A Assembleia Geral (AG) do Benfica para discussão e votação do Relatório e Contas da temporada 2024/25 foi suspensa devido a incidentes no interior do pavilhão quando o antigo presidente e candidato às eleições Luís Filipe Vieira ia discursar.
Dupla portuguesa ficou em segundo lugar em Milão, naquela que foi a terceira medalha para Portugal nos Mundiais de Canoagem que decorrem em Itália. João Ribeiro e Messias Baptista falharam ouro por meros 16 centésimos de segundo.
O tenista português Nuno Borges regressa a Nova Iorque para repetir a presença nos oitavos de final do Open dos Estados Unidos, um ‘major’ que considera “muito especial” e que começou a visitar como representante universitário no ‘kids day’.
O canoísta Fernando Pimenta apurou-se hoje para a final dos olímpicos K1 1.000 dos Mundiais de Milão, com o segundo melhor tempo numa meia-final que juntou as principais estrelas da modalidade.