Arguidos no caso da queda da árvore no Monte na Madeira ausentes no início do julgamento

©Tribunais de Comarca

O julgamento do caso da queda de uma árvore na freguesia do Monte, no Funchal, que provocou 13 mortos e dezenas de feridos, começou hoje no Tribunal da Comarca da Madeira com a ausência dos dois arguidos.

São arguidos no processo a ex-vice-presidente da Câmara do Funchal, Idalina Perestrelo, e o então responsável pelos jardins do município, Francisco Andrade, acusados pela prática, em autoria material, de 13 crimes de homicídio negligente.

Também vão responder por 24 crimes de ofensa à integridade física por negligência.

Os advogados de ambos os arguidos, que não estiveram presentes na sessão de hoje, afirmaram no tribunal que os seus constituintes estão disponíveis para prestar declarações nas próximas sessões.

O coletivo de juízes, presidido por Joana Dias, decidiu agendar mais duas audiências para os dias 26 e 27 de abril, ao longo das quais serão ouvidos os dois arguidos e 36 testemunhas.

Na sessão desta manhã, apenas uma assistente no processo prestou declarações. O julgamento prossegue à tarde com a audição das primeiras cinco testemunhas.

No início da sessão, a advogada de Francisco Andrade salientou que “nada permitiu ou podia ter permitido antever a queda da árvore”.

Sofia Ribeiro defendeu que “o arguido não tinha como percecionar o risco da queda da árvore” e não podia ter feito nada para evitar o acidente.

A advogada realçou também que o parecer do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza que consta da acusação refere-se ao estado de conservação dos plátanos e não dos carvalhos.

O caso chega a julgamento depois de a juíza Joana Dias ter decidido a separação dos processos crime do de indemnização cível para evitar o problema de datas de prescrição.

Em 15 de agosto de 2017, no decorrer das cerimónias religiosas em honra da Assunção de Nossa Senhora, uma festa também conhecida pelo Dia da Nossa Senhora do Monte, a Padroeira da Madeira, num dos mais concorridos arraiais (festa popular) do arquipélago, um carvalho com cerca de 150 anos caiu sobre a multidão que aguardava a passagem da procissão.

A árvore media 29,8 metros de altura e tinha um peso total estimado de 10,4 toneladas, de acordo texto da acusação.

Desta queda resultaram 13 mortes (duas das quais de cidadãos estrangeiros, de nacionalidades francesa e húngara) e cerca de meia centena de feridos.

A fase de instrução deste processo começou em 04 de outubro de 2019 à porta fechada, tendo sido, entretanto, suspenso devido à pandemia da covid-19.

Em fase de inquérito, o então presidente do município funchalense, Paulo Cafôfo, eleito pela coligação Confiança (PS, (PND, MPT, PTP e PAN), foi constituído arguido, mas o Ministério Público acabou por não o acusar, optando pelo arquivamento, porque o autarca havia delegado as competências destes espaços noutros elementos da equipa.

A decisão foi contestada por alguns dos assistentes neste processo.

Últimas do País

O coordenador da Comissão de Trabalhadores do INEM, Rui Gonçalves, denunciou hoje um "forte desinvestimento" no Instituto nos últimos anos e lamentou a existência de "dirigentes fracos", defendendo uma refundação que garanta a resposta em emergência médica.
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriu hoje dois inquéritos para apurar as circunstâncias que envolveram as mortes de uma mulher em Sesimbra e de um homem em Tavira enquanto esperavam por socorro.
Portugal regista desde o início de dezembro um excesso de mortalidade de cerca de 22% associado ao frio e à epidemia de gripe, com aumento proporcional das mortes por doenças respiratórias, segundo uma análise preliminar da Direção-Geral da Saúde (DGS).
A enfermeira diretora da ULS Amadora-Sintra demitiu-se do cargo, alegando não existirem condições para continuar a exercer funções, anunciou hoje a instituição.
O INEM e a Liga dos Bombeiros Portugueses acordaram hoje um reforço de meios permanentes ao serviço da emergência médica, ainda não quantificado, mas que inicialmente se vai focar em responder a constrangimentos na margem sul de Lisboa.
Do Seixal a Sesimbra e a Tavira, o padrão repete-se: três pessoas morreram em diferentes pontos do país após esperas prolongadas por assistência médica, num retrato da rutura do socorro.
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) abriu uma auditoria interna aos procedimentos associados ao caso da mulher que morreu na Quinta do Conde, Sesimbra, depois de esperar mais de 40 minutos por socorro.
O Tribunal Judicial de Leiria começa a julgar no dia 23 um professor acusado de dois crimes de maus-tratos em concurso aparente com dois crimes de ofensa à integridade física qualificada.
O atraso no socorro voltou a ter consequências fatais. Uma idosa morreu na tarde de quarta-feira, na Quinta do Conde, após uma longa espera por assistência médica, com a ambulância mais próxima a mais de 30 quilómetros.
O Tribunal de Santarém condenou a prisão efetiva um homem responsável por três incêndios florestais, dois deles junto a zonas habitadas. A autoria foi confessada e considerada plenamente provada, apesar da tentativa de disfarçar os crimes alertando o 112.