Portugal já registou mais de 7.000 hectares de área ardida em 2023

©D.R.

Portugal já registou mais de 7.000 hectares (ha) de área ardida devido aos incêndios florestais em 2023, segundo os dados provisórios do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) hoje divulgados.

Os dados do ICNF são contabilizados desde o dia 01 de janeiro até à passada terça-feira e indicam que, de um total de 1.971 incêndios rurais resultaram 7.366 ha de área ardida, entre povoamentos (1.826 ha), matos (5.454 ha) e agricultura (86 ha).

Comparando valores deste ano com os dos últimos dez anos, o ICNF assinala que foram anotados mais de 12% de incêndios rurais e mais de 48% de área ardida em relação à média anual do período.

“O ano de 2023 apresenta, até ao dia 11 de abril, o 5.º valor mais elevado em número de incêndios e o 5.º valor mais elevado de área ardida, desde 2013”, lê-se no relatório.

Em apenas 11 dias de abril já arderam mais 43 ha do que em todo o mesmo mês no ano passado.

Em abril deste ano, até à passada terça-feira, foram queimados 1.208 ha, enquanto no mês homólogo – em 30 dias – relativo ao último ano registaram-se 1.165 ha de área ardida.

Retirando abril da equação, nos primeiros três meses do ano foram contados 6.158 ha de aérea ardida, menos 1.986 ha do que os verificados em 2022 no mesmo período.

O ICNF explica que 73% do total dos incêndios rurais ocorridos, até ao momento, em 2023 são de pequena dimensão, com uma área ardida inferior a 1 ha.

Até ao momento, fevereiro é o mês que apresenta o maior número de incêndios rurais, com um total de 1.025 de fogos, correspondendo a 52% do número total registado no ano.

Fevereiro é também o mês que tem a maior área ardida, com um total de 5.200 ha queimados, o que equivale a 71% do total de área ardida em 2023.

Sobre os incêndios de maior dimensão, o organismo que assegura a execução das políticas de conservação da natureza e das florestas verificou 13 incêndios com uma área ardida de entre 100 e 1.000 ha.

“Até 11 de abril de 2023 registaram-se 12 incêndios enquadrados nesta categoria, que resultaram em 1.898 hectares de área ardida, cerca de 26% do total da área ardida”, realça.

Do total de 1.971 incêndios rurais ocorridos este ano, 1.264 foram investigados e têm o processo de averiguação de causas concluído – 64% do número total de incêndios responsáveis por 79% da área total ardida.

De acordo com o ICNF, as causas de incêndios mais frequentes em 2023 são queimadas para gestão de pasto para gado (30%) e queimadas de sobrantes florestais ou agrícolas (28%).

“Conjuntamente, as várias tipologias de queimas e queimadas representam 79% do total das causas apuradas. Os reacendimentos representam 3% do total das causas apuradas”, sublinha.

Analisando por distrito, o ICNF destacou Porto (319), Braga (314) e Viana do Castelo como os com maior número de incêndios, indicando que “são maioritariamente de reduzida dimensão”, não ultrapassando 01 ha de área ardida.

Em relação ao distrito do Porto, a percentagem de incêndios com menos de 01 ha de área ardida é de 87%.

No que respeita à área ardida, o distrito mais afetado é Braga com 2.258 ha, cerca de 31% da área total ardida, seguido de Vila Real com 1.702 hectares (23% do total) e de Viana do Castelo com 1.361 hectares (18% do total).

Examinando a severidade meteorológica, o ICNF chegou a um valor total de “área ardida ponderada” este ano de 4.618 ha, traduzindo a “área ardida total que se obteria se todos os incêndios seguissem o ‘comportamento’ médio histórico face à severidade meteorológica do dia/local em que ocorreram”.

O valor de área ardida real de 7.366 ha corresponde a 160% da “área ardida ponderada”, o que significa que a área ardida este ano é “consideravelmente superior à área ardida ‘expectável’ tendo em conta a severidade meteorológica verificada”.

Últimas do País

Portugal regista desde o início de dezembro um excesso de mortalidade de cerca de 22% associado ao frio e à epidemia de gripe, com aumento proporcional das mortes por doenças respiratórias, segundo uma análise preliminar da Direção-Geral da Saúde (DGS).
A enfermeira diretora da ULS Amadora-Sintra demitiu-se do cargo, alegando não existirem condições para continuar a exercer funções, anunciou hoje a instituição.
O INEM e a Liga dos Bombeiros Portugueses acordaram hoje um reforço de meios permanentes ao serviço da emergência médica, ainda não quantificado, mas que inicialmente se vai focar em responder a constrangimentos na margem sul de Lisboa.
Do Seixal a Sesimbra e a Tavira, o padrão repete-se: três pessoas morreram em diferentes pontos do país após esperas prolongadas por assistência médica, num retrato da rutura do socorro.
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) abriu uma auditoria interna aos procedimentos associados ao caso da mulher que morreu na Quinta do Conde, Sesimbra, depois de esperar mais de 40 minutos por socorro.
O Tribunal Judicial de Leiria começa a julgar no dia 23 um professor acusado de dois crimes de maus-tratos em concurso aparente com dois crimes de ofensa à integridade física qualificada.
O atraso no socorro voltou a ter consequências fatais. Uma idosa morreu na tarde de quarta-feira, na Quinta do Conde, após uma longa espera por assistência médica, com a ambulância mais próxima a mais de 30 quilómetros.
O Tribunal de Santarém condenou a prisão efetiva um homem responsável por três incêndios florestais, dois deles junto a zonas habitadas. A autoria foi confessada e considerada plenamente provada, apesar da tentativa de disfarçar os crimes alertando o 112.
As Equipas de Cuidados Continuados Integrados (ECCI) registaram um aumento de 43% no número de utentes a aguardar vaga, segundo o regulador, que aponta para uma tendência de tempos médios de internamento na rede superiores ao recomendado.
O Ministério Público instaurou um inquérito ao caso do homem que morreu na terça-feira no Seixal depois de esperar quase três horas pelo socorro do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).