Conversas de Santos Silva eliminadas da base de dados do Parlamento por ordem do próprio

Foram dadas, esta quinta-feira, ordens diretas para se proceder a remoção de todos os registos de vídeo e áudio de conversas oficiosas do Presidente da Assembleia da República (PAR), no seguimento da publicação de um vídeo na ARTV (canal oficial do parlamento) que foi posteriormente divulgado pelo jornal online ‘Observador’.

As imagens revelam uma conversa entre Augusto Santos Silva, António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa que, entre outros deputados do PS e PSD, comentaram a postura de alguns partidos na sessão de boas-vindas ao Presidente da República do Brasil.
O pedido de remoção foi feito pelo próprio Augusto Santos Silva através do seu Secretário-Geral.

No vídeo, Santos Silva acusou a Iniciativa Liberal de “falta de integridade política” e, com algum riso, refere que “aquilo não foi nada”, referindo-se à ausência da bancada parlamentar na sessão solene de receção a Lula da Silva. As hostilidades continuaram quando Santos Silva apontou que “há quem faça pior”, referindo-se ao protesto do CHEGA em plenário. António Costa acrescenta que Lula da Silva está habituado ao calor, gracejando que no Brasil até no inverno faz calor. Marcelo Rebelo de Sousa entra em conversa com algumas afirmações de concordância.

Fonte próxima dos serviços da Assembleia da República denunciaram este comunicado do Secretário-Geral do PAR e afirma que este foi rececionado com nervosismo e contou com a agitação e gritaria entre as chefias de gabinete dos demais departamentos da Assembleia da República.

Santos Silva já negou ter-se referido aos respetivos partidos em tais termos, sendo altamente criticado pelo Presidente da IL, Rui Rocha, que acusou o PAR de adotar uma “conversa de café”, atitude que não favorece um Presidente da Assembleia da República. Já o CHEGA condenou as atitudes “vingativas e infantis” de Santos Silva e promete agir judicialmente contra o próprio.

Últimas de Política Nacional

A moção de censura caiu, mas o CHEGA não ficou sentado. Consumada a votação, toda a bancada se levantou e fez ecoar “demissão” pelo plenário, fechando um debate em que André Ventura responsabilizou Montenegro não apenas pela permanência de Luís Neves, mas também pelo rumo do Governo.
Mentiras, abuso de poder e suspeitas sobre a utilização da Polícia Judiciária. Luís Neves está debaixo de fogo esta terça-feira, acusado de protagonizar uma lógica de “quero, posso e mando”. Mas a pressão não recai apenas sobre o ministro da Administração Interna: Luís Montenegro é também chamado a assumir responsabilidades e a explicar, de forma cabal, por que razão continua a manter Neves no Governo.
Afinal, não foi “vais pagá-las”. Luís Neves esclareceu esta terça-feira, na Assembleia da República, a frase que disse dirigida à bancada do CHEGA, em dia de debate quinzenal com o primeiro-ministro. Aos deputados do partido liderado por André Ventura, o ministro da Administração Interna assumiu que as palavras que proferiu foram: “Vão levar comigo.”
O líder parlamentar do CHEGA, Pedro Pinto, acusou o ministro de trocar os esclarecimentos prometidos por “propaganda barata” e perguntou-lhe diretamente quando abandona o cargo. Neves fechou a porta à demissão e colocou a bola no campo de Montenegro.
André Ventura responsabiliza o primeiro-ministro pela crise política em torno de Luís Neves e garante que a moção de censura poderia ter sido evitada se o ministro já tivesse abandonado o Governo. Presidente do CHEGA acusa ainda o Estado de ter mentido ao partido sobre os 144 mil euros associados à destruição dos produtos químicos e desafia os restantes partidos a escolherem de que lado ficam.
Primeiro, o Governo respondeu ao CHEGA indicando um orçamento de 144.456 euros para a destruição dos químicos, em linha com a justificação apresentada por Luís Neves. Agora, confrontado pelo Observador, o Ministério da Justiça esclarece um pormenor decisivo: aquele valor abrangia produtos apreendidos em vários processos e não apenas os 62 bidões da Operação Pacoba. Afinal, os 144 mil euros não eram só para aqueles químicos.
O líder do CHEGA contesta limitações ao objeto da comissão de inquérito e quer escrutinar toda a passagem de Luís Neves pela direção da PJ, incluindo o seu afastamento da Operação Influencer e perceber se decisões tomadas durante o mandato sofreram influência política.
Luís Montenegro vai enfrentar o debate da moção de censura apresentada pelo CHEGA no dia 8 de setembro, às 15h00. Partidos decidiram acelerar os prazos para que o país não fique à espera de uma resposta política à iniciativa apresentada na sequência das polémicas que envolvem o ministro da Administração Interna, Luís Neves.
Presidente do CHEGA anunciou esta quarta-feira que o partido deu entrada de uma moção de censura ao Governo e considera a decisão “irreversível”. André Ventura acusa Luís Neves de não esclarecer as suspeitas que têm marcado a polémica em torno do ministro, critica o silêncio de Montenegro e garante que a comissão parlamentar de inquérito é para manter.
Presidente do CHEGA quer saber como Portugal vai pagar as novas fragatas e quanto custarão os juros. Ventura acusa ainda o Governo de ter adotado a “escola Luís Neves”: “Fala quando quer, sobre o que quer.”