PS rejeita propostas de PSD, CHEGA e PCP sobre recurso de amparo ao TC

© Parlamento

Na reunião de hoje da Comissão Eventual para a Revisão Constitucional os deputados debateram a proposta do PSD que pretendia consagrar o recurso excecional ao Tribunal Constitucional “de decisão judicial de última instância, quando for invocada a violação de direitos, liberdades e garantias e esteja em causa uma questão que se revista, pela sua relevância jurídica ou social, de importância fundamental”.

O social-democrata Paulo Mota Pinto, que já foi juiz do Palácio Ratton, considerou que existe uma “oportunidade de melhoria” da lei, e detalhou que estava em causa permitir o alargamento de competências do Tribunal Constitucional “para, em casos excecionais, poder conhecer de recursos em que seja invocada a violação de direitos, liberdades e garantias contra decisões, e não dizendo que a norma aplicada foi inconstitucional” – algo que acontece atualmente, uma vez que o TC apenas aprecia a constitucionalidade de normas.

No mesmo artigo, o CHEGA queria introduzir na Lei Fundamental a possibilidade de recurso de amparo junto do Tribunal Constitucional “para proteção de direitos, liberdades e garantias” e o deputado Rui Paulo Sousa defendeu que esta alteração “mudaria substancialmente a visão como os cidadãos perspetivam o TC”.

Já o PCP, propunha a criação de um artigo autónomo estabelecendo que “o Tribunal Constitucional conhece do recurso constitucional de amparo, contra quaisquer atos ou omissões dos poderes públicos, de caráter definitivo, que lesem diretamente direitos fundamentais, nos termos e condições a definir por lei”, com a deputada Alma Rivera a considerar que esta proposta valorizava os direitos constitucionais e o próprio Tribunal.

A deputada do PS Isabel Moreira – partido necessário para perfazer os dois terços precisos para alterar a Constituição – manifestou-se pessoalmente a favor do recurso de amparo, salientando que não há no Grupo Parlamentar do PS o entendimento de avançar atualmente nesta matéria mas, ainda que houvesse, não seria da forma proposta pelo PSD, CHEGA e PCP.

“Há um problema que tem sido identificado que é o facto de, precisamente por não haver recurso de amparo, isto é, por eu não poder reagir nomeadamente a atos administrativos que lesem direitos fundamentais, ou a sentenças judiciais que lesem direitos fundamentais, tem sido o próprio TC a tentar reagir ao facto de não haver recurso de amparo, através, nomeadamente, do recurso de segundo tipo, isto é, através da fiscalização concreta, o que torna o sistema muito inseguro e muito aleatório”, considerou.

Na ótica da constitucionalista “não faz o menor sentido consagrar o recurso de amparo, sem extinguir o recurso de segundo tipo”.

Na resposta, o social-democrata Paulo Mota Pinto considerou que não faz sentido extinguir o recurso de segundo tipo “porque há casos em que a inconstitucionalidade está na norma, e não na decisão, e há países que consagram os dois recursos”.

“Os argumentos do PS são improcedentes, denunciam má vontade contra um recurso dirigido a proteger direitos, liberdades e garantias e, no fundo, declaram aqui que o PS não está disponível para este avanço ou sequer para discutir ou negociar este avanço”, lamentou.

O deputado João Cotrim Figueiredo da IL mostrou-se favorável à existência de um recurso de amparo e desafiou PS e PSD a encontrar um consenso, apelo também deixado pelo deputado do Livre, Rui Tavares.

Na reunião foram ainda debatidos vários artigos sobre as regiões autónomas da Madeira e dos Açores e o debate ‘aqueceu’ numa proposta do PSD que pretendia estabelecer que “a lei eleitoral pode atribuir direito de voto aos cidadãos [nas eleições regionais] com dupla residência, numa Região Autónoma e no estrangeiro”.

Esta proposta foi refutada pelo PCP, Livre mas também pela deputada do BE Catarina Martins, que considerou “muito difícil de compreender” que um cidadão madeirense que vive em Aveiro não possa votar nestas eleições, e outro que vive na Madeira mas mudou a morada para o estrangeiro pode votar, rejeitando a residência como critério para o direito ao voto.

Outra proposta que gerou um debate ‘aceso’ entre deputados foi do PCP que pretendia consagrar que “o regime de incompatibilidades e impedimentos dos membros das assembleias legislativas das regiões autónomas e dos governos regionais são equiparados respetivamente aos dos Deputados à Assembleia da República e dos membros do Governo”.

Esta proposta foi rejeitada pela social-democrata Sara Madruga da Costa, que por várias vezes insistiu na ideia de que não estava em causa o conteúdo mas o princípio, argumentando que o articulado violava a autonomia das regiões autónomas, o que gerou uma troca de argumentos intensa com a deputada Alma Rivera, do PCP.

Últimas de Política Nacional

O presidente do CHEGA criticou hoje o PSD por inviabilizar uma comissão de inquérito à Operação Influencer com "motivos fúteis" e perguntou de que "tem medo" o partido de Luís Montenegro, reiterando que a forçará a partir de setembro.
A Assembleia Municipal de Oeiras rejeitou uma proposta apresentada pelo CHEGA que defendia a transmissão pública das reuniões da Câmara Municipal e das Assembleias de Freguesia do concelho.
O CHEGA entregou este domingo a proposta de constituição de um inquérito parlamentar à Operação Influencer para aferir a legalidade da intervenção do ex-primeiro-ministro António Costa em processos ligados ao lítio, hidrogénio e ao centro de dados de Sines.
O CHEGA apresentou um projeto de lei para impedir o enfraquecimento das competências do Tribunal de Contas (TdC) e manter o atual sistema de visto prévio sobre contratos públicos.
O presidente do CHEGA contestou a maioria de direita a reconfirmar o decreto que prevê a perda da nacionalidade, apesar do chumbo do Tribunal Constitucional, defendendo que, em alternativa, deve ser realizado um referendo sobre esta matéria.
O CHEGA apresentou um projeto de lei na Assembleia da República para eliminar vários benefícios fiscais atribuídos aos partidos políticos, defendendo que não faz sentido existirem “privilégios” para estruturas partidárias enquanto os contribuintes enfrentam uma carga fiscal cada vez mais elevada.
Uma nova sondagem da Aximage revela que a maioria dos portugueses concorda com a proposta do CHEGA para baixar a idade da reforma. Segundo os dados divulgados, 69% dos inquiridos apoiam a medida defendida por André Ventura.
Luís Montenegro afirmou que a situação económica e financeira de Portugal está melhor do que a da Alemanha, declarações que estão já a gerar críticas e incredulidade nas redes sociais.
O CHEGA apresentou um projeto de lei para reforçar os poderes das Polícias Municipais, permitindo clarificar legalmente a detenção de suspeitos em flagrante delito e a sua entrega imediata à PSP ou à GNR.
Álvaro Santos Pereira será ouvido na Assembleia depois de o CHEGA exigir esclarecimentos sobre compras travadas pelo Banco Central Europeu.