Ordem dos Médicos abre inquérito ao caso da grávida que morreu no São Francisco Xavier

© D.R.

A Ordem dos Médicos abriu um inquérito à morte de uma grávida que foi transferida para o hospital São Francisco Xavier, para fazer “uma avaliação muito aprofundada e séria daquilo que aconteceu”, avançou hoje à Lusa o seu bastonário.

“A Ordem dos Médicos assim que teve conhecimento que estavam médicos implicados, fez aquela que é a sua função na regulação da profissão médica, que é dar conhecimento ao Conselho Disciplinar da situação e pedido ao Conselho Disciplinar que faça a devida avaliação do caso, tendo em conta o relatório que IGAS [Inspeção-Geral das Atividades en Saúde] anunciou muito recentemente”, adiantou o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes.

O bastonário explicou que “sempre que há médicos implicados” e “indícios de má prática”, como diz o relatório da IGAS, a Ordem dos Médicos é obrigada “a fazer a sua própria avaliação”, nomeadamente técnica, científica e, sobretudo, disciplinar, para perceber se há aspetos deontológicos que não foram respeitados, uma vez que há um conjunto de médicos que estão envolvidos no processo.

Nesse sentido, o processo foi remetido ao Conselho Disciplinar, que é o órgão competente da Ordem dos Médicos, para fazer “uma avaliação muito aprofundada e séria daquilo que aconteceu”.

No dia 08 de junho, a TVI noticiou que o relatório “aponta três erros fatais” na assistência prestada no Hospital de Santa Maria à mulher, que veio a falecer depois de transferida para o Hospital de São Francisco Xavier.

O relatório aponta erros ao Hospital Santa Maria, dizendo que não foi seguida a orientação da Direção-Geral da Saúde, de julho de 2022, sobre o acompanhamento de mulheres grávidas durante a transferência inter-hospitalar, e adianta que quando a grávida de 30 semanas deu entrada na urgência ginecológica e obstétrica do Hospital Santa Maria, em 23 de Agosto, o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte (CHULN) ainda não tinha atualizado o seu regulamento à luz da nova orientação das autoridades de saúde.

A IGAS diz igualmente que o transporte não teria de ser equacionado porque, afinal, havia cama para o recém-nascido no Santa Maria.

O Ministério da Saúde e o Hospital de Santa Maria confirmaram no dia 09 de junho que tinham recebido relatório da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde.

“Tendo o relatório da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) sido enviado para o Ministério Público, o Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte respeitará os trâmites judiciais e não comentará nesta fase as suas conclusões, que, como expresso no documento, foram alvo de devido contraditório nos prazos previstos no processo”, adiantou o CHULN em comunicado.

O caso remonta ao final de agosto de 2022, quando a grávida, durante a viagem de transferência entre hospitais, sofreu uma paragem cardiorrespiratória, tendo sido realizados trabalhos de reanimação no transporte.

Segundo um comunicado do CHULN divulgado na altura, já no Hospital São Francisco Xavier a grávida foi “submetida a uma cesariana urgente”, tendo o recém-nascido ido para a unidade de cuidados intensivos neonatais, enquanto a mãe “ficou internada nos cuidados intensivos, vindo a falecer”.

Este caso levou à demissão da anterior ministra da Saúde, Marta Temido, que justificou a sua saída com “a circunstância de ter acontecido um episódio que, não tendo direta relação com o desempenho assistencial do SNS, era um episódio de uma gravidade tal que era necessário que houvesse uma responsabilização”.

Últimas do País

A Câmara Municipal de Santarém estimou em 34 milhões de euros os prejuízos provocados pelo mau tempo no concelho, dos quais cerca de 28 milhões respeitam a intervenções nas encostas, onde foram registados 42 deslizamentos.
A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) abriu um processo de avaliação aos alegados constrangimentos de acesso a cirurgia cardíaca por utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS), confirmou hoje à Lusa esta entidade.
Sete arguidos, 26 buscas e quase quatro milhões de euros em fundos europeus sob suspeita. A operação 'Terra Queimada' investiga um alegado esquema de conflitos de interesses e fraude na atribuição de apoios à reflorestação.
Os diretores de três dos principais serviços de cardiologia defenderam hoje o reforço dos centros de referência já existentes nessa área no SNS, alegando que criar novas estruturas fragiliza o modelo em vigor desde 2023.
A Ordem dos Farmacêuticos defendeu hoje a implementação de políticas que reduzam as barreiras económicas ao acesso a medicamentos, após um estudo que revela que os portugueses são os que mais se esforçam para pagá-los.
O Tribunal da Relação de Lisboa negou na terça-feira a extinção do processo criminal contra Ricardo Salgado na Operação Marquês devido ao diagnóstico de Alzheimer, um pedido da defesa que o tribunal considerou não ter “cobertura legal”.
O Governo publicou esta quarta-feira em "Diário da República" uma portaria que define a necessidade de ligar para a Linha SNS24 antes de aceder a "todas as urgências de obstetrícia e ginecologia" do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em Portugal continental.
Mais 22 concelhos juntaram-se aos 68 municípios abrangidos pela situação de calamidade decretada pelo Governo em janeiro nas zonas afetadas pela depressão Kristin, aos quais se aplicarão os mesmos apoios, segundo um despacho publicado esta quarta-feira em Diário da República.
Cerca de um terço dos medicamentos autorizados em Portugal não chegaram ao mercado, incluindo fármacos críticos, limitando o acesso dos doentes, revela o Índex da Equidade de Acesso ao Medicamento divulgado esta quarta-feira, 25 de fevereiro.
Três homens ficaram feridos hoje de madrugada na Rua do Benformoso, em Lisboa, após serem atingidos por uma arma de fogo disparada de um veículo ligeiro, disse à Lusa fonte da PSP.