SNS enfrenta “riscos e incertezas” que condicionam sustentabilidade

© D.R.

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) enfrenta “riscos e incertezas” que condicionam a prestação de cuidados aos utentes e a sua sustentabilidade no futuro, alertou hoje o Conselho das Finanças Públicas (CFP).

O aviso consta do relatório do CFP sobre o desempenho do SNS em 2022, que na área assistencial identifica os “constrangimentos da atividade dos cuidados primários” como fator que poderá pressionar os serviços de urgência e o internamento hospitalar.

“O número de utentes sem médico de família tem apresentado um crescimento superior a 30% nos últimos dois anos, persistindo uma trajetória ascendente iniciada em 2019. No final de 2022, cerca de 1,5 milhões de utentes não tinham médico de família atribuído, correspondendo a 14,1% do total de inscritos no SNS”, indica o documento.

Segundo este órgão independente que avalia o cumprimento da política orçamental, o aumento de mais de 355 mil utentes sem médico de família no último ano, face a 2021, “torna menos exequível a cobertura plena da população” por esses especialistas em medicina geral e familiar.

Ainda no âmbito da atividade assistencial do SNS, o relatório alerta também que o aumento do recurso aos serviços de urgência “pressiona os hospitais e obriga-os a redirecionar recursos da atividade programada para acudir aos episódios de urgência”.

O CFP avança que as consultas realizadas nos cuidados primários diminuíram face a 2021, observando-se uma redução de 1,5 milhões no número de consultas médicas, assim como uma redução no volume de consultas de enfermagem, contrariando as subidas registadas nos dois anos anteriores.

“Quanto à atividade hospitalar, em 2022 observou-se um aumento contínuo da produção nas diversas áreas assistenciais”, salienta também o documento, ao adiantar que o número de consultas médicas hospitalares e de intervenções cirúrgicas programadas realizadas em 2022 ultrapassou os valores de 2019 e de 2021.

No entanto, o maior número de consultas médicas hospitalares e cirurgias programadas “não foi suficiente para evitar a diminuição da capacidade de resposta do SNS nestas áreas”, uma vez que o número de utentes em lista de espera para a primeira consulta voltou a aumentar em 2022, bem como o número de utentes em Lista de Inscritos para Cirurgia.

Concretamente, o número de consultas médicas hospitalares realizadas em 2022 (12,8 milhões) aumentou 2,9% em relação a 2021. Em 2022 foram também realizadas 758 mil intervenções cirúrgicas programadas, face às 709 mil em 2021.

Já quanto às urgências, o cumprimento dos tempos de triagem continuou a cumprir-se em “apenas 61% dos casos”, à semelhança de 2021, indicam os dados do CFP.

No internamento, verificou-se uma taxa média de ocupação de 84%, ligeiramente superior à observada em 2021 (81%).

“No entanto, importa salientar que esta taxa de ocupação engloba situações bastante discrepantes em várias regiões do país, destacando-se as taxas de ocupação superiores a 100% no Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, Hospital de Magalhães Lemos, Centro Hospitalar do Oeste e Hospital de Vila Franca de Xira”, refere o documento.

“Depois da retoma da atividade em 2021 na generalidade das áreas assistenciais do SNS, o ano de 2022 caracterizou-se pela agudização de determinados constrangimentos já patentes no período pré-pandemia”, conclui o CFP.

Últimas do País

A Universidade Politécnica de Portalegre (UPP) abriu um inquérito interno para apurar alegada tentativa de assédio sexual entre alunos, revelou o vice-reitor à agência Lusa.
A Habita!, criada por antigas assessoras do BE, recebeu apoios de organizações internacionais, incluindo uma rede financiada na sua origem pela fundação de George Soros. Uma investigação identifica ainda 150 mil euros de fundos europeus.
Mais de 240 turmas do 1.º ciclo continuam sem professor atribuído, segundo avança o Expresso. A falta de docentes prolonga-se mais de um mês após o arranque das aulas.
Uma mulher de 35 anos morreu esta quarta-feira, em Mafra, após ter sido atacada com uma arma branca. Um homem de 40 anos foi identificado como suspeito do crime, que estará relacionado com um alegado contexto de violência doméstica.
As empresas privadas de transporte de doentes ameaçam suspender a atividade por falta de apoios aos combustíveis. Em causa estão deslocações essenciais para tratamentos oncológicos, hemodiálise e consultas hospitalares.
Uma mensagem aparentemente inofensiva, enviada por um contacto conhecido, está a ser utilizada numa nova burla que circula no WhatsApp. O pedido para votar numa jovem candidata a uma bolsa de estudos inclui uma hiperligação fraudulenta que pode permitir aos criminosos assumir o controlo da conta e espalhar o esquema por outros contactos.
Uma fraude identificada pela Check Point está a espalhar contactos falsos de mais de 20 marcas de viagens, incluindo companhias aéreas e plataformas de reservas. Os números chegam às respostas da inteligência artificial e escaparam à deteção de 61 motores antivírus.
Um homem e uma mulher, ambos de 32 anos e de nacionalidade estrangeira, foram detidos pela Polícia Judiciária na Guarda por suspeitas de violência doméstica, exploração da filha na mendicidade e crimes sexuais. A menor, que tinha 13 anos à data dos factos, já se encontrava institucionalizada quando surgiram indícios de abusos sexuais alegadamente cometidos pelo pai.
Doze pessoas foram detidas, uma delas constituída arguida, por suspeita de tráfico de estupefacientes em Lamego e Tarouca, segundo a GNR.
Os estudantes de Medicina alertaram hoje para falhas na plataforma de escolha de vagas do internato médico, após candidatos relatarem acesso antecipado a informações que, segundo a ACSS, resultaram de uma simulação técnica.