Mãe de Jéssica falou ao tribunal de Setúbal mas revelou muitas contradições

© D.R.

As contradições no depoimento da mãe da menina de três anos morta em junho do ano passado, em Setúbal, marcaram a sessão de hoje do julgamento dos cinco arguidos no processo, que está a decorrer no tribunal de Setúbal.

A mãe de Jéssica Biscaia, Inês Sanches, que está acusada dos crimes de homicídio qualificado e de ofensas à integridade física qualificada, por omissão, justificou a entrega da filha à família Montes com alegadas ameaças de morte a si própria e aos quatro filhos que não vivem com ela.

As ameaças, segundo Inês Sanches, terão sido feitas de forma reiterada pelos arguidos Ana Pinto, o marido Justo Ribeiro Montes e a filha do casal, Esmeralda Pinto Montes, todos suspeitos da autoria de maus-tratos violentos que levaram à morte de Jéssica Biscaia.

Estes três arguidos estão a ser julgados pelos crimes de homicídio qualificado consumado, rapto, rapto agravado e coação agravada, violação agravada e tráfico de estupefacientes agravado.

Questionada pelo tribunal de Setúbal, Inês Sanches entrou várias vezes em contradição, apresentando versões diferentes sobre alguns factos que constam do processo, designadamente sobre o montante da alegada dívida à família Montes.

A mãe de Jéssica começou por dizer ao tribunal que tinha sido pressionada para pagar uma dívida de 100 euros do ex-companheiro Alexandrino Biscaia, com quem viveu entre 2017 e 2021, pela compra de droga à família Montes.

Poucos minutos depois, Inês Sanches garantiu ao tribunal que a dívida, afinal, já estava paga, mas que, entretanto, tinha contraído uma outra dívida com a família Montes no valor de 250 euros, alegadamente por uma “amarração” da arguida Ana Pinto, para a ajudar a preservar a relação com o padrasto de Jéssica, Paulo Amâncio, que naquela altura era seu companheiro.

O presidente do coletivo de juízes, Pedro Godinho, tentou também perceber a linha de raciocínio de Inês Sanches para o comportamento que revelou nos dias que antecederam a morte da filha.

Inês Sanches afirmou várias vezes que tinha medo da família Montes e que terá sido por isso que não só nunca denunciou as alegadas ameaças às autoridades, como também não levou a filha ao hospital quando a menina regressou a casa com nódoas negras, depois de ter estado uma segunda vez ao cuidado da família Montes.

Instada várias vezes pelo tribunal, Inês Sanches também não conseguiu apresentar uma explicação para o facto de ter entregado a filha uma terceira vez a uma família que mal conhecia e da qual disse ter recebido várias ameaças de morte.

Sobre o “alargamento do esfíncter anal” da menina, como consta da autópsia e foi comprovado pelo testemunho do perito de medicina legal ouvido na terça-feira pelo tribunal, Inês Sanches disse não ter qualquer explicação para o facto.

Durante a tarde, o tribunal ouviu ainda a inspetora da Polícia Judiciária de Setúbal Catarina Maurício, que coordenou a investigação do homicídio de Jéssica.

Catarina Maurício confirmou perante o tribunal que alguns objetos apreendidos nas inspeções realizadas à casa da família Montes apresentavam vestígios da menina e de um, ou mais do que um, dos arguidos Ana Pinto, Justo Montes e Esmeralda Montes.

A inspetora da Polícia Judiciária disse também que a casa da família Montes, onde Jéssica terá sido vítima dos maus-tratos violentos que lhe terão causado a morte, terá sido lavada com lixivia no dia em que a menina morreu, reconhecendo que esse facto poderá ter prejudicado a recolha de vestígios nas duas inspeções realizadas no local.

Questionada pelo advogado de Justo Montes, que lhe perguntou se além dos objetos apreendidos ao seu constituinte com vestígios de ADN do próprio e de Jéssica Biscaia, a investigação tinha apurado mais alguma coisa sobre o mesmo, a inspetora Catarina Maurício respondeu de forma lacónica: “ele esteve no apartamento todos os dias”.

O julgamento do homicídio de Jéssica Biscaia, que começou em 05 de junho, tem nova sessão marcada para as 09:15 de quinta-feira.

Últimas do País

Cerca de 2.000 crianças foram vítimas de acidentes rodoviários em 2025, segundo dados da GNR que indicam também que, nos primeiros quatro meses de 2026, já foram registados mais de 500 acidentes com menores.
O Serviço SOS Pessoa Idosa da Fundação Bissaya Barreto, Coimbra, denunciou hoje que triplicou o número de processos relacionados com situações mais graves e complexas encaminhados para o Ministério Público em 2026.
Cerca de 70 bombeiros, apoiados por 26 viaturas, combatem um incêndio num armazém de gestão de resíduos plásticos em Taveiro, no concelho de Coimbra, que deflagrou na madrugada de hoje, disse à agência Lusa fonte da Proteção Civil.
Providência cautelar aceite pelo Tribunal Administrativo de Lisboa suspende decisão da autarquia de Carlos Moedas que determinava a retirada do outdoor político do CHEGA.
Um homem, de 23 anos, ficou em prisão preventiva indiciado por sete crimes de furto qualificado em residências e estabelecimentos industriais, cometidos no concelho de Vila Verde, distrito de Braga, indicou a GNR.
Sondagem do Diário de Notícias coloca partido liderado por André Ventura à frente da AD. CHEGA surge com 23,5% enquanto a AD regista 23,2%.
Os centros de saúde fizeram no ano passado menos 767.413 consultas médicas presenciais, segundo a Entidade Reguladora da Saúde (ERS), que aponta para uma “reconfiguração da atividade”, com mais consultas não presenciais e ao domicílio.
A PSP registou 3.725 denúncias de violência doméstica e deteve 433 pessoas no primeiro trimestre do ano, um ligeiro aumento em relação ao mesmo período de 2025, revelou hoje a polícia, avançando que apreendeu 99 armas neste contexto.
O número de penas e de medidas com vigilância electrónica no âmbito da violência doméstica aumentou 222,61% em 10 anos e, actualmente, representa 60% do total de pulseiras electrónicas.
A concentração de poeiras no ar provenientes do norte de África deverá manter-se até sábado, associada às temperaturas acima da média, informou hoje o Instituo Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).