Deputados vão poder votar à distância ou antecipadamente em alguns casos

© Parlamento

O novo Regimento da Assembleia da República prevê a possibilidade de os deputados participarem à distância nas votações em plenário, por via remota, ou até votarem antecipadamente quando se tratar de eleições em urna, mas apenas “em casos excecionais”.

A norma prevista no texto comum foi hoje a debate na reunião do grupo de trabalho de revisão do Regimento, sem oposição de qualquer das bancadas.

“Em casos excecionais, motivados por impossibilidade de presença física na sala das sessões do deputado, designadamente devido à presença em missão parlamentar no exterior, e desde que requerido antecipadamente, pode o Presidente da Assembleia da República autorizar que o voto seja exercido remotamente, com recurso a meios de comunicação à distância que permitam visualizar e registar o sentido de voto expresso, sempre que a forma de votação for por levantados e sentados ou nominal”, lê-se no texto.

Também quando se tratar de uma votação eletrónica — obrigatória para leis orgânicas, por exemplo -, o deputado que não está presente na sala das sessões “é chamado nominalmente pela Mesa a indicar o seu sentido de voto, que é contabilizado com os que forem expressos com recurso ao sistema eletrónico”.

Recentemente, por exemplo, o PS pediu para adiar a votação das Leis de Programação Militar e de Infraestruturas Militares — que exigem maioria absoluta de 116 deputados – por vários deputados da bancada se encontrarem ausentes devido a compromissos parlamentares no estrangeiro.

O Regimento passará também a prever, para as mesmas situações excecionais, que os deputados possam votar antecipadamente nas eleições dos órgãos externos — desde que já entregues as listas candidatas — deixando o boletim de voto em sobrescrito fechado com os serviços.

Na reunião da semana passada do grupo de trabalho, já tinha sido discutido, sem grandes objeções, o artigo do Regimento que admite o funcionamento à distância do plenário ou comissões “em casos excecionais, e a possibilidade de participação remota de deputados nos trabalhos parlamentares “quando tal se justificar por dificuldade de transporte, ou por ausência em missão parlamentar, doença ou impossibilidade de presença física ou outro motivo justificado, desde que previamente comunicado”.

Na reunião de hoje, gerou discussão a norma atual que determina que “não são admitidos projetos e propostas de lei ou propostas de alteração que infrinjam a Constituição ou os princípios nela consignados”, uma decisão do Presidente da Assembleia da República, que pode pedir um parecer à Comissão de Assuntos Constitucionais, e de que há sempre recuso para plenário.

O deputado do CHEGA Bruno Nunes e o líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, defenderam uma maior abertura na admissão de diplomas, lembrando que todas as leis que saem do parlamento podem ser avaliadas pelo Tribunal Constitucional.

O PSD, pelo deputado Hugo Carneiro, propôs acrescentar que os diplomas devem ser admitidos se a inconstitucionalidade puder ser resolvida durante o processo legislativo e o PS, pelo coordenador do grupo de trabalho Pedro Delgado Alves, admitiu duplicar o tempo do debate do recurso da não admissão em plenário, como forma de ‘compensar’ o partido por a sua iniciativa não ser discutida.

À tarde, o grupo de trabalho de revisão do Regimento volta a reunir-se para finalizar a discussão do texto comum, incluindo o ponto que motivou este processo: a reposição dos debates quinzenais com o primeiro-ministro, num modelo que já tem pelo menos o consenso de PS e PSD (basta a maioria absoluta dos socialistas para aprovar qualquer alteração).

As votações indiciárias em grupo de trabalho estão previstas para sexta-feira à tarde, tendo de ser confirmadas na Comissão de Assuntos Constitucionais no dia 18 de julho e, depois, aprovadas no último plenário de votações antes das férias, a 19.

Últimas de Política Nacional

O requerimento do CHEGA para ouvir presencialmente o coordenador operacional do INEM no Norte, Miguel Ângelo Santos, foi chumbado na Comissão Parlamentar de Inquérito ao INEM com votos contra de PS e PSD.
Após um confronto com a vice-presidente do Parlamento, Teresa Morais, o líder do CHEGA, André Ventura, decidiu abandonar o hemiciclo, acompanhado por toda a bancada do partido.
O presidente do CHEGA, André Ventura, defendeu no Parlamento que o debate sobre racismo em Portugal está marcado por critérios diferentes consoante os casos, alertando para o que considera ser uma aplicação seletiva do conceito na sociedade, no desporto e no sistema político.
A audição na comissão de inquérito ao INEM expôs fragilidades nos sistemas informáticos da emergência médica. Confrontada pelo deputado do CHEGA, Pedro Frazão, a antiga responsável dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) reconheceu que os sistemas são antigos e que poderia ter havido maior intervenção.
O Ministério Público decidiu arquivar o processo que levou ao levantamento da imunidade parlamentar do deputado do CHEGA João Ribeiro. A decisão concluiu que não existem indícios que justifiquem a continuação da investigação.
O presidente do CHEGA, André Ventura, questionou o Governo sobre a resposta do Estado a portugueses que se encontram em zonas de conflito, defendendo que o Executivo deve garantir proteção e eventual repatriamento dos cidadãos nacionais em territórios afetados pela guerra.
O grupo parlamentar do CHEGA questionou a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, sobre o encerramento das urgências de obstetrícia dos hospitais do Barreiro e de Vila Franca de Xira, através de uma pergunta parlamentar entregue na Assembleia da República.
O primeiro-ministro regressa esta quarta-feira ao Parlamento para um debate quinzenal que será aberto pelo PS e deverá ficar marcado pelo conflito com o Irão e as condições de utilização pelos EUA da Base das Lajes.
De acordo com os números mais recentes, a conta oficial do partido liderado por André Ventura soma mais de 91.500 seguidores, superando os cerca de 90.900 da IL. Logo atrás surgem o PSD, com 70.400 seguidores, e o PS, com 62.900.
O líder do CHEGA defende a reposição do mecanismo de desconto fiscal sobre os combustíveis, criado em 2022 para mitigar o impacto da guerra na Ucrânia. André Ventura acusa as petrolíferas de acumularem lucros em períodos de instabilidade internacional e pede medidas imediatas para aliviar o preço.