Professores de Português no Estrangeiro queixam-se de abandono da tutela

©FENPROF

Vários professores do Ensino Português no Estrangeiro (EPE) reivindicaram hoje, em Lisboa, a resolução dos “muitos” problemas que os atingem e a retoma das negociações, tendo recebido da tutela a garantia de um próximo encontro em setembro.

O protesto registou-se na Fundação Calouste Gulbenkian, que acolhe hoje o oitavo encontro da Rede de Ensino Português no Estrangeiro (EPE), e foi promovido pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof), para quem o EPE tem estado “abandonado pela tutela”.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, disse que são “muitos” os problemas que afetam os docentes do EPE, “às vezes à margem da sua sobrevivência, porque os seus salários não estão atualizados de acordo com o custo de vida nos países onde estão”.

Um dos motivos que esteve na origem desta iniciativa relaciona-se com a negociação do regime jurídico do EPE, que os sindicatos querem que seja retomada, mas que acusam a tutela de não promover.

“O regime jurídico do EPE está há anos para ser alterado”, disse, considerando que a sua resolução poderá contribuir para a melhoria das condições destes professores.

Apesar de uma inicial discussão com o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Paulo Cafôfo, os sindicatos queixam-se da negociação não ter tido consequências e reclamam, por isso, um novo impulso.

Mário Nogueira recordou uma antiga reivindicação da Fenprof que é a passagem da tutela dos docentes do EPE para o Ministério da Educação.

“O instituto Camões tutela os docentes, mas percebe-se que é uma tutela com pouca competência, porque a secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas é que determina tudo o que acontece ao nível do EPE”, indicou.

E prosseguiu: “Entendemos que, sendo uma resposta do Estado português ao nível da educação, o Ministério da Educação não pode estar ausente, admitindo que o Camões, a secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e o Ministério dos Negócios Estrangeiros possam ter também aqui algum papel, nomeadamente em questões relacionadas com a rede”.

Presente no protesto — que se caracterizou pela entrega de documentos explicativos aos vários participantes do encontro, incluindo a Paulo Cafôfo — o secretário-geral do Sindicato dos Professores no Estrangeiro, Carlos Pato, reiterou a necessidade de se desbloquear o documento de revisão do regime jurídico do EPE.

Este regime poderá resultar em muitos benefícios para estes docentes, como a criação de quadros interministeriais, observou.

Entre os vários desafios que os docentes do EPE enfrentam está, por exemplo, a impossibilidade de concorrer aos concursos em Portugal e a coleção de contratos, com alguns professores a terem até 20 contratos, o que “leva à precariedade”.

Outra reivindicação passa pela revisão das tabelas salariais, com Carlos Pato a lembrar que “existe um abismo incrível entre o salário de um professor no país de acolhimento e um português a trabalhar lá e que tem de pagar as mesmas coisas, mas com menos dinheiro”.

Antes do início do encontro da rede EPE, os dirigentes sindicais entregaram o mesmo documento ao secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, que deu a sua palavra de que em setembro iria receber estes sindicatos, retomando assim as negociações para a revisão do regime jurídico do EPE, entre outras matérias.

Últimas do País

O diploma que proíbe a ocultação do rosto em espaços públicos, frequentemente designado como ‘lei das burcas’, já foi publicado em Diário da República e entra em vigor no próximo dia 23 de setembro.
Oito homens ficaram feridos numa sucessão de episódios violentos entre Loures, Lisboa e Amadora. Três vítimas de esfaqueamento ficaram em estado grave e outro homem foi baleado durante uma festa. PSP investiga as ocorrências e procura identificar os responsáveis.
A menos de um mês do arranque do ano letivo, há mais quartos disponíveis para os estudantes deslocados, mas o aumento da oferta face ao ano passado não se traduziu numa redução do preço das rendas.
Auditoria colocou mais de 12 milhões de euros em pagamentos da RTP sob escrutínio. Marisa Garrido recebeu suplementos quando dirigia os Recursos Humanos da estação pública e o CHEGA quer respostas: “Quem decidiu? Quem recebeu? Quem fiscalizou?”
Um total de 13 distritos de Portugal continental estarão hoje sob aviso amarelo por risco de aguaceiros por vezes fortes e trovoada, disse o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Os técnicos do INEM querem que o instituto desista de transformar as ambulâncias de Suporte Imediato de Vida em veículos ligeiros, que retira capacidade de transporte de doentes, e alargue a rede de ambulâncias de emergência até final de 2027.
Partido liderado por André Ventura defende que a gratuitidade dos manuais escolares seja alargada aos alunos do ensino privado.
O Ministério Público acusou quatro homens, entre os 30 e os 46 anos, por tráfico de droga, detenção ilegal de arma proibida, recetação e falsificação ou contrafação de documento, no concelho de Portalegre, foi hoje anunciado.
Dois militares do Exército português morreram hoje atropelados na autoestrada 1 (A1), junto à área de serviço da Mealhada, no município de Cantanhede, quando auxiliavam o condutor de um veículo pesado de mercadorias ali imobilizado, afirmou a instituição.
Ministro utiliza pessoalmente um Golf GTD que já conduzia quando liderava a Polícia Judiciária (PJ). Apesar da avaliação de ameaça, prescinde de motorista e segurança e garante que assim poupa dinheiro ao Estado.