Meia centena de dentistas em protesto frente ao parlamento debaixo de chuva intensa

Cerca de meia centena de médicos dentistas estão concentrados hoje em frente ao parlamento, debaixo de chuva forte, para exigir a criação da carreira especial de médico dentista no Serviço Nacional de Saúde e alertar para a precariedade vivida no setor.

© Facebook/SMD

O mau tempo não foi suficiente para desmobilizar os profissionais do protesto, convocado pelo Sindicato dos Médicos Dentistas (SMD) devido “à espiral de desvalorização da classe”.

Os manifestantes seguram com uma mão o chapéu-de-chuva e com a outra uma faixa que diz: “Excesso de médicos dentistas em Portugal. Há médicos dentistas a passar fome”.

As reivindicações dos dentistas também estão expostas nas faixas colocadas sobre as baias colocadas à frente das escadarias da Assembleia da Repúblicas, onde se pode ler: “Médicos dentistas do SNS não têm enquadramento legal. Cansados de promessas queremos carreiras” ou “O cheque dentista não resolve os problemas da saúde oral. Benefício social à custa dos médicos dentistas”.

Os manifestantes gritaram também palavras de ordem como “Planos de saúde são uma fraude” e “Saúde oral para todos”.

Os médicos dentistas alertam que Portugal tem mais do dobro dos profissionais recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e simultaneamente tem “um dos piores índices de saúde oral da União Europeia”.

“O rácio de 800 habitantes para cada médico dentista passará, em 2025, para 650 habitantes para cada médico dentista, o que é manifestamente exagerado e nefasto quer para a profissão quer para a classe que atravessa a maior crise laboral, desde que existe em Portugal”, salienta o sindicato.

Os médicos dentistas reivindicam também a regulamentação dos Planos de Saúde, a reformulação dos cheques dentista, “a redução imediata dos ‘numerus clausus'” e “impedir a abertura de mais um curso de medicina dentária”.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do sindicato, João Neto, afirmou que as propostas que levaram à manifestação são para “tentar colmatar um bocadinho a precariedade, o desemprego e o subemprego que existe na classe e que vai afetar os mais jovens”.

“Os colegas recém-licenciados vão emigrar. Há mais de 600 que emigram todos anos e há situações ainda mais gravosas”, disse João Neto.

Defendeu também ser preciso “alertar os estudantes, ou quem está a pensar tirar o curso de Medicina Dentária, para que não vai ter a perspetiva de futuro que se pensa, porque há excesso de dentistas”,

O dirigente sindical avisou ainda que é preciso “ter coragem de reduzir os números clausus (…) porque senão vai ser o caos”.

Licenciada há menos de um ano, Mariana Batista, de Lisboa, apontou as barreiras que tem encontrado devido aos planos de saúde que, “muitas vezes, são uma fraude”, porque os pacientes pensam que são grátis, mas “a publicidade é enganosa”.

A jovem médica dentista relatou que, quando os pacientes chegam ao consultório, têm que lhes ser explicado “tudo sobre os planos de saúde, que não há tratamentos grátis”.

“Não é possível haver tratamentos grátis, porque nós estamos a recibos verdes e se o paciente não paga, nós também não vamos receber”, disse à Lusa Mariana Batista.

“Temos um assistente, temos um médico, temos eletricidade para pagar e torna-se complicado”, lamentou a jovem, que participou na primeira manifestação nacional de médicos dentistas.

Resistentes à chuva e ao vento, os dentistas fizeram questão de marcar presença no protesto “pela valorização do médico dentista, pelo médico dentista no SNS e pela saúde oral dos portugueses”, disse João Neto.

O presidente do sindicato lamentou que a saúde oral tenha sido esquecida por sucessivos governos, o que se reflete na proposta do Orçamento do Estado para 2024, em que “só há dois parágrafos sobre a saúde oral dos portugueses”.

Últimas do País

Todos os arguidos acusados de aceder indevidamente ao subsídio social de mobilidade nos Açores, no âmbito da operação 'Mayday', foram hoje condenados, alguns a pena suspensa, sendo as penas mais elevadas de 10 e 14 anos de prisão efetiva.
O Tribunal de Serpa determinou a prisão preventiva do homem de 69 anos suspeito de maus-tratos que resultaram na morte de um bebé de três meses, naquela cidade alentejana, revelou hoje fonte policial.
Entre 20 e 50 pessoas atacaram agentes e viaturas da PSP durante a madrugada. Equipas de Intervenção Rápida recorreram a disparos de ‘shotgun’ para restabelecer a ordem. Os suspeitos conseguiram fugir.
A perda de sono devido às altas temperaturas relacionadas com as alterações climáticas duplicou nos últimos 50 anos nas principais cidades do mundo, Lisboa incluída, indica um estudo hoje divulgado.
Homem de 69 anos foi detido pela Polícia Judiciária por suspeitas de ter agredido violentamente a criança enquanto estava à sua guarda. Investigação aponta para um caso de síndrome do bebé chocalhado.
PJ intercetou uma encomenda proveniente dos Países Baixos que escondia drogas sintéticas. Suspeito, de 36 anos, é acusado de revender estupefacientes através das redes sociais.
Dezenas de investigadores estão hoje concentrados num protesto em Lisboa para exigir o fim da precariedade e melhores condições de trabalho.
O líder parlamentar do PSD considera que a recalendarização dos exames nacionais "não justifica" o "alarido da oposição" e assegura que os sociais-democratas vão continuar a dialogar com o CHEGA e com o PS.
Direção-Geral da Saúde registou 292 casos em 2025. Sete em cada dez vítimas foram mutiladas antes dos nove anos de idade.
A GNR chama a atenção para a importância da manutenção preventiva dos pneus e apela a todos os condutores para que, antes de iniciarem as suas viagens, verifiquem o estado geral dos seus veículos.