Ex-diretor de informação da TVI vai a julgamento por desobediência qualificada

O ex-diretor de informação da TVI Sérgio Figueiredo vai ser julgado por desobediência qualificada, por atraso na divulgação do direito de resposta da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) relativo a uma reportagem emitida pelo canal.

Sérgio Figueiredo / TVI

© Facebook de Sérgio Figueiredo

De acordo com uma decisão instrutória do Tribunal de Cascais a que a Lusa teve acesso, Sérgio Figueiredo e os administradores à época da estação televisiva, Luís Velho, Luís Garcia e Olívia Mira, vão ser julgados por desobediência qualificada por não terem cumprido uma decisão judicial que obrigava o canal a emitir o direito de resposta da IURD num prazo de 24 horas após a receção da notificação da deliberação da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).

A deliberação resulta de decisão judicial do Tribunal Administrativo de Lisboa, confirmada após recursos por decisões do Tribunal Central Administrativo Sul e do Supremo Tribunal Administrativo.

A divulgação, que devia ter-se iniciado em 02 de março de 2020, em cumprimento da deliberação da ERC, apenas aconteceu entre 20 e 30 de julho do mesmo ano.

“Ao atuar da forma supra descrita, os arguidos representaram e quiseram não transmitir os textos das respostas da Igreja Universal do Reino de Deus no prazo de 24 horas a contar da receção da notificação da Deliberação ERC/2020/19 (DR-TV) do Conselho Regulador da ERC, bem sabendo que a tal estavam obrigados enquanto membros do conselho de administração e diretor de programação e informação da arguida TVI — Sociedade Independente, SA, na sequência da deliberação supra referida, sob pena de incorrerem na prática de um crime de desobediência qualificada”, lê-se na decisão instrutória datada de 09 de outubro.

A TVI exibiu em dezembro de 2017 uma série de reportagens denominadas “O Segredo dos Deuses”, na qual noticiou que a IURD esteve alegadamente relacionada com o rapto e tráfico de crianças nascidas em Portugal.

Os supostos crimes terão acontecido na década de 1990, com crianças levadas de um lar em Lisboa, que teria alimentado um esquema de adoções ilegais em benefício de famílias ligadas à IURD que moravam no Brasil e nos Estados Unidos.

A Procuradoria-Geral da República disse à Lusa que o Ministério Público arquivou o inquérito aberto para investigar uma alegada rede ilegal de adoção de crianças montada pela IURD, na década de 1990.

Últimas do País

Mais de 2.400 organizações alertam hoje para “a lacuna profundamente alarmante e irresponsável na proteção das crianças” com o fim do regime europeu que permite detetar abuso sexual de menores 'online', a partir de 03 de abril.
O CHEGA quer avançar com uma investigação parlamentar à gestão das vacinas contra a covid-19, na sequência das notícias que apontam para ocultação de informações pelo Estado português nos contratos celebrados com farmacêuticas durante a pandemia.
O relatório identifica falhas na escolha de procedimentos e adjudicações repetidas num universo de 12,6 milhões de euros.
Os furtos por carteiristas aumentaram em 2025, com 7.443 ocorrências registadas, a maioria nos distritos de Lisboa e do Porto, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI).
A proposta do CHEGA para a realização de uma auditoria independente às contas e contratações da Câmara Municipal de Oeiras foi chumbada, poucos dias depois de ter sido conhecida a acusação do Ministério Público que envolve Isaltino Morais e mais 22 arguidos por alegado uso indevido de cerca de 150 mil euros em despesas com refeições.
Um homem, de 41 anos, foi detido pela PSP por suspeitas de exercer violência doméstica contra a companheira e a mãe, nas Furnas, no concelho da Povoação, nos Açores, revelou hoje aquela força de segurança.
Mais de uma centena de bombeiros estão a combater um incêndio florestal em Aveiro, não havendo casas em risco, informou fonte dos Bombeiros.
A coordenadora da Equipa de Análise Retrospetiva de Homicídio em Violência Doméstica defendeu hoje que as audições para memória futura, previstas na proposta do Governo para as vítimas de violência doméstica, sejam alargadas a pessoas com outras vulnerabilidades.
A Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores (FEPONS) apelou esta terça-feira a um reforço da segurança dos banhistas durante as férias da Páscoa, considerado o período mais crítico para o afogamento nas praias ainda sem vigilância.
A União Europeia registou em 2025 a pior época de incêndios mais devastadora desde que há registos, com 1.079 milhões de hectares ardidos, quase metade (460.585) em Portugal e Espanha, segundo dados esta terça-feira divulgados.