Aumento no IUC junta em Lisboa milhares de motociclistas em protesto

Milhares de motociclistas de vários pontos do país encheram hoje várias estradas, em Lisboa, manifestando-se contra o aumento do Imposto Único de Circulação (IUC), que classificam como “um roubo” para encher os cofres do Estado.

© D.R.

O protesto, convocado pelo Grupo de Ação Motociclista (GAM), começou pelas 12:15, na Encarnação, em Lisboa.

Aos motociclistas que já se encontravam na capital juntaram-se outros que inicialmente se tinham concentrado em Aveiras de Cima, Alcácer do Sal e Vendas Novas, vindos de Norte a Sul do país.

Em causa está um aumento do IUC para as motos, previsto no Orçamento do Estado para 2024 (OE 2024), que vai começar a ser aplicado a partir de janeiro.

Os motociclistas dirigem-se para Belém, onde pretendem entregar um documento ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a alertar para o que dizem ser uma medida discriminatória do Governo.

“Temos que manifestar o nosso desagrado face a este abuso. Não é, de forma alguma, justo. É uma medida que nos apanhou de surpresa”, afirmou à Lusa Jorge Gameiro, que faz parte da organização do protesto.

Conforme defendeu, as motas são, hoje em dia, veículos de mobilidade para muitas pessoas e um acréscimo de até 25 euros a um IUC de 120 ou 130 euros é insuportável.

“Cada vez mais, a mota é um veículo alternativo. As pessoas, nas grandes cidades, podem deslocar-se de mota facilmente. É um veículo económico e adequado”, sublinhou.

Presente no mesmo protesto, José Antunes vincou que o atual nível de vida não permite suportar mais aumentos.

“As pessoas utilizam a mota para se deslocarem para o trabalho […]. Muitos têm uma mota, além de um carro para a família, e agora não vão ter condições para isso. É um aumento exagerado”, notou.

Ainda assim, não está confiante que o Governo altere esta situação.

“Não sei se [os governantes] vão prestar atenção, mas deveriam. É um protesto justo e as pessoas não podem pagar mais aumentos”, reiterou.

José Félix, por sua vez, considerou esta medida como “um rombo” injustificável para a carteira dos contribuintes.

“É uma decisão meramente financeira. Acho que este aumento não tem cabimento. Não é por causa disto que se vai proibir a poluição. Há pessoas que vão dar baixa das motas e as próprias companhias de seguros vão ser penalizadas”, apontou.

O motociclista assegurou ainda que com esta medida o ministro das Finanças, Fernando Medina, “está preocupado com os cofres do Estado e não com o ambiente”.

José Félix referiu também que a decisão sobre o aumento não é unânime dentro do próprio PS e alertou para a possibilidade de o partido vir a perder votos nas próximas eleições.

“Com o Governo de maioria absoluta é o quero, posso e mando. Nós somos sempre o elo mais fraco”, lamentou.

Contudo, mostrou-se disponível para continuar a participar em formas de luta por uma causa que assegura ser justa.

“Nós somos amantes de motas e temos colegas com 10 motas. Como é que vão conseguir pagar? Vai ser uma desgraça. Não tem cabimento. Quando comprámos os veículos sabíamos o que tínhamos que pagar e agora o Governo vem dizer que temos que pagar outros valores. Os carros elétricos estão isentos, mas circulam e também estragam o alcatrão. Poderiam ter um imposto mínimo”, acrescentou.

No manifesto, que vai ser entregue a Marcelo Rebelo de Sousa, os motociclistas defendem que o motociclo é o meio de transporte particular motorizado “mais económico e menos poluente que existe”, que resolve o “problema de mobilidade dos mais de 500.000 cidadãos que já usam estes veículos para as suas deslocações diárias”.

Segundo os números divulgados na missiva, o parque circulante de motociclos registou mais de 38.000 veículos em 2022.

“Com o aumento do IUC acrescido da nova ‘taxa ambiental’, [os motociclistas] irão perder a isenção do seu pagamento, podendo atingir nalguns modelos os 26,19 euros. Refira-se ainda que os motociclos de maiores cilindradas que já pagavam mais de IUC que de seguro obrigatório, vão ser ainda mais castigados, com um aumento absurdo superior a 22% atingindo o valor de 168,15 euros”, destacou.

A proposta de OE2024 altera as regras de tributação, em sede de IUC, para os veículos da categoria A de matrícula anterior a 2007 e motociclos (categoria E), determinando que estes deixem de ser tributados apenas com base na cilindrada (como sucede atualmente), passando a ser considerada a componente ambiental.

O OE2024 contém, contudo, uma cláusula de salvaguarda, determinando que o agravamento do imposto não pode, em cada ano, subir mais de 25 euros.

Últimas do País

A PSP deteve, em Faro, um homem procurado pelas autoridades brasileiras por violação de uma menor e que já tinha sido condenado a uma pena de prisão superior a nove anos, anunciou a corporação.
Os tempos de espera nas urgências nos hospitais voltaram a subir na Grande Lisboa, com doentes urgentes a chegarem a esperar, em média, cerca de nove horas.
Suspeitos terão vigiado o estabelecimento antes de avançarem para o assalto. A vítima foi manietada e ficou ferida. Um cidadão travou o roubo e os dois homens acabaram em prisão preventiva.
Homem de 49 anos tinha cumprido cerca de 15 anos de prisão por crimes da mesma natureza. Segundo a PJ, terá sequestrado uma vítima em Torres Novas, sendo ainda suspeito de violação. A vítima conseguiu libertar-se e pedir ajuda. Pouco depois, o suspeito terá atacado e roubado outra pessoa.
Mais de 26 mil doentes críticos não foram socorridos pelo INEM com os meios mais adequados em 2025, ano em que a taxa de paragem das Ambulâncias de Emergência Médica (AEM) melhorou, mas ainda ficou acima dos 38%.
Um homem, de 48 anos, foi detido por "fortes indícios" de um número "ainda indeterminado" de crimes de pornografia de menores agravados, ocorridos no Montijo, anunciou hoje a PJ, adiantando que o suspeito ficou obrigado a apresentações semanais pelo tribunal.
Homem de 35 anos foi intercetado durante uma fiscalização quando circulava num velocípede elétrico. Militares encontraram produto suspeito escondido numa embalagem de tabaco de enrolar e o teste confirmou tratar-se de canábis.
Homem de 31 anos era procurado pelas autoridades brasileiras por suspeitas de ter submetido a própria irmã a atos sexuais, em duas ocasiões, em 2016. Foi localizado pela Polícia Judiciária e ficou em prisão preventiva enquanto aguarda o processo de extradição.
Suspeito era considerado amigo da família e terá usado essa relação de confiança para levar a criança até casa, em Portimão. Prometeu-lhe gomas e, já a sós, atraiu-a para o quarto com o pretexto de lhe fazer uma massagem. Foi detido e será presente a primeiro interrogatório judicial.
Operação avaliada em 380 milhões de euros coloca o Estado como segundo maior acionista de referência da REN. O preço acordado representa um prémio superior a 55 milhões face à cotação da participação quando Montenegro anunciou o negócio.