Lisboa rejeita receber do Governo mais competências sem verbas adequadas

O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), afirmou hoje que, independentemente de qual for o próximo Governo, o município “não aceitará dar mais nenhum passo” no processo de descentralização sem ter a garantia de verbas adequadas.

© Facebook de Carlos Moedas

“Enquanto não for reequilibrado aquilo que é necessário como recursos para exercer essa descentralização, a câmara municipal não aceitará dar mais nenhum passo”, afirmou Carlos Moedas, em declarações à agência Lusa.

No âmbito do processo de descentralização de competências do Governo para as autarquias, o município de Lisboa aceitou apenas a transferência da área da educação.

“Neste momento, não aceito qualquer passo a mais na descentralização sem ter garantia de verbas e, portanto, nem na área da saúde, nem na área social”, reforçou o autarca de Lisboa.

Questionado sobre as alterações a introduzir na descentralização com o próximo Governo, na sequência da demissão do primeiro-ministro, António Costa (PS), e da marcação de eleições legislativas antecipadas para 10 de março de 2024, Carlos Moedas disse que o processo tem de “mudar de uma ideia descentralizadora, que é apenas passar tarefas para as câmaras municipais, para uma ideia em que se passa exatamente os recursos necessários para que essa descentralização tenha efeito”.

“A câmara municipal tem hoje em dia a descentralização na área da educação, mas depois o Governo não nos compensa com o dinheiro necessário para fazermos obras nas escolas ou para mantermos as escolas”, reclamou o autarca do PSD, frisando que é preciso que a transferência de competências seja acompanhada dos recursos necessários.

O social-democrata sublinhou que existe um ‘déficit’ na área da educação, em que a câmara está a utilizar recursos próprios quando estes deveriam vir do Governo: “Cada ano que passa, nós temos ‘déficit’ na educação e mesmo assim não conseguimos acudir a tudo”.

Posicionando-se como “um municipalista”, o presidente da Câmara de Lisboa defendeu que “deve haver mais poder nos municípios a nível da educação, da saúde, da área social e de mais áreas, mas para isso é preciso os recursos, o que não tem acontecido”.

“O erro desta descentralização é que ela é feita sem passar os recursos necessários, ou seja, passa-se a responsabilidade, mas não se passam os recursos”, reiterou, explicando que a câmara não tem dinheiro para fazer as obras nas escolas.

Carlos Moedas considerou que a mudança de Governo pode ser uma oportunidade para corrigir o que está mal no processo de descentralização, “tanto ao lado do Partido Socialista como do lado do Partido Social Democrata, partidos que acreditam nessa descentralização”.

“A diferença é que o Partido Socialista até agora não tem feito essa descentralização com os recursos necessários, portanto é uma descentralização de certa forma feita a passar apenas as tarefas sem o dinheiro necessário para executar essas tarefas. E eu sempre lutei como político, e penso que essa é a visão do Partido Social Democrata, que a descentralização tem de ser feita com os recursos necessários para poder efetivamente servir as pessoas”, declarou.

Além do problema das verbas, o autarca queixou-se das próprias competências transferidas, referindo que o município tem a responsabilidade sobre os assistentes operacionais, mas não tem sobre toda a escola, e, no caso dos centros de saúde, tem construído os edifícios, “mas depois não há médicos suficientes e as pessoas estão à espera”.

“Ficamos apenas meio descentralizados […]. Temos de ter meios de recursos e meios também de poder responder às pessoas. Enquanto isso não acontecer, a descentralização não está feita”, expôs.

O Governo iniciou em 2019 a transferência de competências para os municípios do continente em 22 áreas, entre as quais na educação, na saúde, na ação social e na cultura.

A conclusão do processo enfrentou diversos contratempos, sobretudo em relação à educação, à saúde e à ação social, que envolvem a transferência de verbas que têm sido consideradas insuficientes pelos municípios.

A Associação Nacional de Municípios Portugueses e o Governo assinaram um acordo, em 22 de julho de 2022, sobre as áreas da educação e da saúde, que atualizou as verbas e os termos em que estas competências são descentralizadas.

Últimas de Política Nacional

Décadas depois de terem servido Portugal em cenários de guerra, muitos Antigos Combatentes continuam a viver com pensões baixas e a lidar com as consequências físicas e psicológicas do serviço militar. Para o CHEGA, o apoio atualmente dado pelo Estado está longe de refletir esse sacrifício.
O líder do CHEGA aponta máximos históricos no Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e acusa o Governo de encher os cofres à custa do aumento dos preços, enquanto famílias enfrentam um cabaz alimentar em máximos históricos.
Depois da saída precoce do enfermeiro, o Governo volta a nomear um responsável para a Estrutura de Missão para o Licenciamento de Projetos de Energias Renováveis (EMER 2030) sem ligação direta ao setor, mantendo a estrutura no centro da contestação política.
O líder do CHEGA, André Ventura, disse hoje que “já tinha falado” com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre o impasse nas eleições dos órgãos externos e que “há dias” existia um acordo em relação à indicação dos candidatos.
Meses depois da passagem da tempestade Kristin, continuam visíveis os sinais de destruição em várias zonas florestais da região Centro do país. Árvores derrubadas, madeira acumulada e vastas áreas de mato e destroços continuam espalhadas pelo terreno, aumentando o risco de incêndios.
André Ventura apontou o dedo ao Governo e questionou a ausência de mudanças estruturais, num momento em que o país enfrenta pressão no custo de vida, nos combustíveis e no acesso à saúde.
A reforma antecipada de Mário Centeno passou de decisão interna do Banco de Portugal para tema central de escrutínio político, depois de o CHEGA ter exigido explicações no Parlamento. O foco está agora nos critérios, nos acordos internos e na transparência do processo.
O debate quinzenal com o primeiro-ministro deverá voltar a ficar hoje marcado pelas consequências da guerra no Médio Oriente, com a oposição a pedir mais medidas ao Governo para atenuar o efeito do conflito na economia.
O escândalo sexual que abalou os Estados Unidos e expôs uma rede internacional de tráfico e abuso de menores pode voltar a ganhar destaque em Portugal. Desta vez, com um pedido político claro: saber se há portugueses envolvidos.
O partido liderado por André Ventura pediu explicações em novembro do ano passado sobre a escalada dos preços dos alimentos. O requerimento foi aprovado, mas meses depois a Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar (PARCA) ainda não apareceu, num momento em que o custo do cabaz alimentar continua a subir e a pressionar as famílias.