Diretor Nacional confia que PJ não volte a ficar fora de investigações como a Operação Influencer

O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) manifestou hoje a expectativa de que a PJ não volte a ser excluída de investigações de criminalidade económico-financeira como a Operação Influencer, apesar de reconhecer a autonomia do Ministério Público.

© Facebook da PJ

“Tendencialmente, isso não acontecerá porque a qualidade do nosso trabalho e a celeridade que vamos imprimir às perícias… tendencialmente, essas investigações serão, no cumprimento da lei, distribuídas à PJ. No entanto, o MP, na sua autonomia, tem todo o poder de avocar as investigações e conduzi-las diretamente. E para nós isso não é nenhum drama, sentimo-nos honrados e orgulhosos quando intervimos nas investigações”, afirmou Luís Neves em declarações à margem de uma conferência sobre corrupção e integridade no desporto, na sede da PJ, em Lisboa.

Questionado sobre as razões para no caso que levou à demissão do primeiro-ministro o Ministério Público (MP) ter optado por outras autoridades em detrimento da PJ – que detém a competência especializada para investigações sobre corrupção e criminalidade económico-financeira -, Luís Neves assegurou que essa questão está “resolvida” e lembrou o défice de meios da instituição em 2019, quando essa investigação começou.

“A procuradora-geral da República, neste mesmo local, explicou que a investigação começou em 2019. Nós tínhamos meios que estavam muito deficitários. A investigação tem hoje o valor que tem – sobretudo feito por vós, atendendo a quem foi atingido -, mas a investigação em 2019, quando começou, não começou com esse objetivo. Portanto, o MP avocou a investigação, fez o seu trabalho e está a fazer o seu trabalho”, observou

Sublinhando que os profissionais da PJ estão “muito confortáveis” na relação com o MP, o diretor nacional assinalou também que Lucília Gago já fez recentemente questão de “reiterar a importância e a confiança na PJ” e expressou a sua convicção de que a ausência da força de segurança que dirige não será prejudicial para a investigação da Operação Influencer.

“O MP pode ou não deferir uma determinada investigação, quer no início, quer noutro momento. Entendeu – na sua perspetiva, bem – conduzi-la da forma como conduziu, tendo avocado. Por isso, a única coisa que esperamos é que esta investigação possa chegar a bom porto e, no final, seja descoberta a verdade dos factos”, continuou.

Luís Neves indicou ainda que no presente e no futuro a PJ “estará muito mais capacitada para ter qualquer investigação e de assumir por completo as suas competências”, salientando que o combate à corrupção e à criminalidade económico-financeira “é a prioridade das prioridades” da instituição.

O processo Operação Influencer está associado aos negócios do lítio, hidrogénio verde e do centro de dados de Sines, e assenta na suspeita de crimes de prevaricação, corrupção ativa e passiva de titular de cargo político e tráfico de influência.

As buscas e detenções realizadas no dia 07 de novembro levaram a PGR a divulgar um comunicado em que revelou que o primeiro-ministro António Costa é alvo de um inquérito no Ministério Público (MP) junto do Supremo Tribunal de Justiça. Na sequência dessa nota de imprensa, o primeiro-ministro apresentou a demissão, com o Presidente da República a anunciar a decisão de dissolver o parlamento e convocar eleições legislativas para 10 de março.

Últimas do País

A Urgência de Ginecologia e Obstetrícia de Abrantes esteve encerrada 32 dias até meados de setembro, contra 50 em todo o ano de 2025, informou a ULS Médio Tejo, que aponta a falta de especialistas como principal dificuldade.
A Agência para a Integração, Migrações e Asilo registou uma subida superior a 50 vezes no número de notificações para abandono voluntário. Processos acumulados ajudam a explicar a escalada.
A Polícia Marítima apreendeu 99 jerricans carregados com cerca de dois mil litros de combustível na zona de Olho de Boi, em Almada. As autoridades suspeitam que a carga possa estar ligada à logística utilizada para abastecer embarcações rápidas associadas ao tráfico de droga.
As diligências estão relacionadas com suspeitas de alegadas escutas ilegais no caso Football Leaks. Procuradores procuram documentação que permita esclarecer o que aconteceu.
A Associação Nacional dos Cuidados Continuados (ANCC) revelou esta quarta-feira que nos últimos cinco anos fecharam mais de 750 camas nestas unidades, das quais mais de 260 só este ano, o triplo do ano passado.
O diploma que proíbe a ocultação do rosto em espaços públicos entra hoje em vigor, prevendo multas de até três mil euros para quem cobrir a cara, exceto por motivos de saúde, entre outros.
Desde 2022, 928 vítimas de violência doméstica receberam o subsídio de reestruturação familiar, destinado a compensar a perda temporária de rendimentos decorrente do afastamento do agressor, revelou hoje o Instituto da Segurança Social (ISS).
As aulas presenciais no Centro de Formação de Portalegre da GNR foram hoje retomadas, mas a Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) alertou que mantém-se nas instalações uma praga de percevejos.
A recomendação é garantir a cobrança dos cuidados faturáveis a cidadãos estrangeiros não residentes. O problema é que os hospitais não conseguem determinar antecipadamente quanto custa cada episódio de urgência.
Três homens de nacionalidade estrangeira, com 26, 31 e 32 anos, são suspeitos de receber diferentes tipos de droga através de encomendas postais, preparar doses individuais e vendê-las diretamente aos consumidores. Ficaram em prisão preventiva.