Câmara de Lisboa diz não ter capacidade para anular licenças de alojamento local

A Câmara de Lisboa não tem capacidade para anular as licenças de estabelecimentos de alojamento local (AL) que não fizeram prova da manutenção de atividade, afirmou hoje o presidente da autarquia, reiterando as críticas ao programa Mais Habitação.

© Facebook de Carlos Moedas

“Neste momento, a câmara municipal não pode, nem tem a capacidade, […] para estar a anular todas estas licenças”, afirmou Carlos Moedas (PSD), na reunião pública do executivo camarário, em resposta a questões da vereadora do Bloco de Esquerda (BE), Beatriz Gomes Dias, sobre o cancelamento dos AL que não fizeram prova de atividade e a fiscalização de que os imóveis afetos transitam para uso de habitação.

No âmbito do programa nacional Mais Habitação, aprovado pelo Governo (PS), a nova legislação, que entrou em vigor em setembro, deu dois meses aos titulares de registo de AL para fazerem prova da manutenção de atividade.

De acordo com os dados oficiais, Lisboa tem 19.917 registos de AL, tendo 11.447 feito prova de registo de atividade, o que significa que mais de 8.200 deverão ser cancelados por terem esgotado o prazo para o fazer.

Para o presidente da Câmara de Lisboa, o resultado da obrigação de os proprietários de AL fazerem prova da manutenção de atividade “mostra como em Portugal, muitas vezes, os Governos tomam medidas públicas, de política pública, sem estudarem os dados”.

“No fundo, nós tivemos um pacote Mais Habitação que definiu regras segundo uns dados que afinal não são verdade. Lisboa, supostamente, tinha 20 mil alojamentos locais em funcionamento e agora sabemos que são metade, portanto a política pública deveria ter sido feita com base na realidade e não foi”, criticou o autarca.

Carlos Moedas considerou que a implementação de medidas sem dados de suporte “mostra falta de detalhe, de análise”, resultando em políticas públicas “mal desenhadas”.

A vereadora do Urbanismo, Joana Almeida (independente eleita pela coligação “Novos Tempos” PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança), realçou “o caos instalado à conta da decisão do Governo” de definir um prazo para a submissão dos comprovativos de quem tem um alojamento local ativo.

Joana Almeida confirmou que “11 mil proprietários” de AL submeteram as provas da manutenção de atividade, documentos que “a Câmara Municipal de Lisboa, com a sua equipa de três recursos humanos nesta área toda do alojamento local, vai ter de validar”.

“Com a pressa de resolver este tema, o Governo decidiu que aqueles proprietários de AL que o tenham ao serviço até 120 dias não precisavam de pôr, de submeter, esses comprovativos, ou seja, neste momento temos nove mil proprietários de AL que não sabemos se são as tais licenças fictícias ou fantasma”, expôs.

A responsável pelo pelouro do Urbanismo lembrou que o Relatório de Caracterização e Monitorização do Alojamento Local em Lisboa, datado de dezembro de 2022 e divulgado em fevereiro, indicou que dois em cada três AL na cidade correspondem a “licenças-fantasma”.

“Neste momento, não temos qualquer informação de quem são os proprietários de alojamento local que mantêm o alojamento até 120 dias”, apontou, indicando que a câmara está a “definir a solução para resolver o caos”.

Joana Almeida reforçou que “foi um caos instalado quando poderia ter sido uma oportunidade” para esclarecer quantos AL já transitaram para uso de habitação, referindo que a câmara ficou “sem possibilidade de saber a realidade que verdadeiramente acontece no território, porque muitas destas licenças de AL já estão em arrendamento”.

A vereadora referiu que, na sequência da aprovação da Carta Municipal de Habitação, a câmara prepara-se para discutir a proposta de alteração ao Regulamento Municipal do Alojamento Local (RMAL).

Entre as alterações introduzidas na nova lei, no que ao AL diz respeito, a isenção de impostos para os proprietários que retirem as casas do alojamento local até ao fim de 2024, uma contribuição extraordinária sobre a atividade e a suspensão do registo de novas unidades fora dos territórios de baixa densidade.

Últimas de Política Nacional

O CHEGA apresentou no Parlamento um projeto de lei que pretende restringir a realização de celebrações muçulmanas em espaços públicos e impor novas regras no financiamento e construção de novas mesquitas no país.
O líder do CHEGA associa a subida do custo de vida à guerra na Ucrânia e defende descida de impostos para aliviar os portugueses.
O grupo municipal do CHEGA em Oeiras apresentou uma moção de censura ao executivo liderado por Isaltino Morais, na sequência da acusação do Ministério Público relacionada com despesas em refeições pagas com fundos públicos.
O líder do CHEGA, André Ventura, condenou hoje as buscas na Câmara Municipal de Albufeira, liderada pelo seu partido. "O que aconteceu hoje é, a todos os títulos, lamentável", referiu.
O Ministério Público (MP) acusou o presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, e outros 22 arguidos, incluindo vereadores e funcionários, de peculato e de abuso de poder por gastos de 150 mil euros em refeições pagas pelo município.
O presidente da Assembleia da República solicitou à Comissão de Transparência a abertura de um inquérito às afirmações da deputada do PS Isabel Moreira no debate dos diplomas sobre mudança de género, após queixa do líder parlamentar do PSD.
Quando vários crimes muito graves são julgados no mesmo processo, a pena final nem sempre acompanha a gravidade do que foi feito. É essa lógica que o CHEGA quer alterar.
O presidente do CHEGA condenou hoje o ataque contra participantes na Marcha pela Vida e pediu todos os esclarecimentos à PSP e Governo, considerando que não pode haver violência "boa ou má" conforme se é de esquerda ou de direita.
O presidente do CHEGA disse hoje ter garantia "política e negocial" que haverá dois nomes indicados pelo PSD e um pelo seu partido para os juízes para o Tribunal Constitucional, eleições cuja data será definitivamente proposta na quarta-feira.
O presidente do CHEGA disse hoje que há condições para aprovar nos próximos dias a nova lei do retorno proposta pelo Governo com alterações do seu partido, esperando que o Tribunal Constitucional não volte a ser "força de bloqueio".