Escolas consideram que medidas de autodeterminação de género criam exigência desproporcional

Associações representativas dos pais e diretores escolares consideraram hoje que as medidas recentemente aprovadas para garantir o direito à autodeterminação da identidade de género de crianças e jovens criam às escolas uma exigência desproporcional.

© D.R.

A posição foi assumida pela Confederação Nacional das Associações de Pais, a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, a Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo e o Conselho Nacional de Associações de Profissionais de Educação Física e Desporto.

“Sendo esta uma problemática transversal a toda a sociedade, é solicitado à escola que adote medidas (na adaptação das casas de banho e principalmente dos balneários existentes na generalidade das escolas) que não têm uma correspondência global”, referem em comunicado.

As organizações referem-se ao diploma aprovado na semana passada pelo parlamento que define medidas a adotar pelas escolas para garantir o direito de crianças e jovens à autodeterminação da identidade de género e a proteção das suas características sexuais.

Sublinhando que “é isso que as escolas têm feito”, as quatro organizações consideram que a legislação é, por um lado, desnecessária, mas entendem também que cria “uma exigência educativa desproporcional e, porventura, inconsequente à escola”.

O principal problema, justificam, é o ponto do texto que prevê que as escolas terão de garantir “que a criança ou jovem, no exercício dos seus direitos e tendo presente a sua vontade expressa, aceda às casas de banho e balneários, assegurando o bem-estar de todos, procedendo-se às adaptações que se considerem necessárias”.

No entender dos pais e diretores, a situação torna-se particularmente problemática na disciplina de Educação Física por “exigir instalações específicas, como os balneários”, levantando-se também desafios em termos de avaliação, uma vez que o currículo está, em alguns aspetos, orientado “para uma diferenciação sexual determinada por princípios biológicos e não associados a processos de autodeterminação de identidade e expressão de género”.

Por outro lado, referem ainda que se trata de uma “questão muito sensível e na qual a família tem de ser envolvida” e argumentam que os representantes das comunidades educativas deveriam ter sido ouvidas no processo legislativo.

As organizações apelam, por isso, que o Presidente da República, a quem solicitaram uma audiência com caráter de urgência, não promulgue o diploma aprovado pelo PS, BE, PAN e Livre, com os votos contra do PSD, Chega e IL e a abstenção do PCP.

“Esta lei e a alteração prevista não está em linha com os interesses públicos e defesa dos alunos na escola, podendo mesmo não só prejudicar, como aumentar a conflitualidade, contrariamente ao objetivo de a escola ser um espaço de liberdade, respeito, livre de qualquer pressão, agressão ou discriminação, e, acima de tudo, que todos tenham o direito à privacidade em segurança”, acrescenta a posição conjunta.

Últimas do País

Os dez municípios abrangidos pelas seis barragens transmontanas concessionadas à Movhera anunciaram hoje que vão pedir nova audiência à Autoridade Tributária (AT) para saber o que é feito dos 335,2 milhões resultantes dos impostos devidos por esta transação.
A comissão de utentes da Fertagus vai apresentar uma queixa à Comissão Europeia contra o Estado português por permitir que os passageiros sejam diariamente transportados em condições “fora do padrão europeu” e com riscos para a saúde, foi hoje anunciado.
O Tribunal de Arcos de Valdevez decretou prisão preventiva a uma mulher de 42 anos, detida por suspeita de exercer violência psicológica e física contra o seu ex-companheiro de 43 anos, revelou hoje a GNR.
A Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços, no concelho do Seixal, é um dos sete locais patrimoniais mais ameaçados da Europa escolhidos pela principal rede europeia da sociedade civil dedicada ao património, a Europa Nostra.
A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) indicou hoje calcular que os prejuízos causados pelo mau tempo nos quartéis ascendem a 6,6 milhões de euros e não incluem os danos em mais de 20 viaturas.
O projeto-piloto de cuidados continuados domiciliários vai ser alargado às unidades locais de saúde que queiram aderir, depois de ter abrangido, em média, 550 utentes por dia, em situação de dependência, doença terminal ou convalescença, foi hoje anunciado.
Mais de metade dos utentes referenciados para cuidados paliativos no SNS em 2024 morreram antes da admissão, mais do que nos dois anos anteriores, revela um estudo do regulador da Saúde.
A Área Metropolitana de Lisboa, com 18 municípios, contabiliza prejuízos de cerca de 270 milhões de euros devido ao mau tempo, revelou hoje o presidente do Conselho Metropolitano, ressalvando que o levantamento dos danos ainda não está concluído.
A Associação Académica de Coimbra decidiu excluir o partido CHEGA de todas as atividades académicas promovidas pela estrutura estudantil, impedindo a sua participação em eventos políticos, culturais e cívicos organizados pela associação. A deliberação foi aprovada por larga maioria em Assembleia Magna.
A saúde mental dos portugueses é pior entre os jovens adultos face à população acima dos 55 anos, apesar dos laços familiares fortes e hábitos alimentares saudáveis, fatores socioculturais habitualmente associados a essa diferença geracional.