Bombeiros apontam falhas aos comandos sub-regionais de emergência e proteção civil

A mudança do sistema de proteção civil de uma estrutura distrital para um modelo sub-regional aconteceu há um ano, mas a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) aponta falhas à organização e alega que "não funcionam".

© DR

Os 24 comandos sub-regionais de emergência e proteção civil entraram em funcionamento a 04 de janeiro de 2023, substituindo os 18 comandos distritais de operações e socorro (CDOS).

O fim dos 18 CDOS e a criação de 24 comandos sub-regionais de emergência e proteção civil, cuja circunscrição territorial corresponde ao território de cada comunidade intermunicipal, estavam previstos na lei orgânica da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), que entrou em vigor em abril de 2019.

Numa resposta enviada à Lusa, a ANEPC refere que os comandos sub-regionais “funcionaram como o previsto, sem que se tenham registado constrangimentos no seu funcionamento”.

A Proteção Civil sustenta que os comandos sub-regionais se “encontram a funcionar em pleno”, tendo sido designados todos os comandantes e segundos comandantes sub-regionais em janeiro do ano passado, com exceção dos responsáveis pelo comando sub-regional da Península de Setúbal, uma vez que esta comunidade intermunicipal foi criada em fevereiro de 2023.

A ANEPC garante que o comando sub-regional da Península de Setúbal está “a funcionar”, apesar de só ter atualmente segundo comandante, prevendo-se a designação do cargo de comandante sub-regional este mês de janeiro.

A Proteção Civil refere também que a maioria dos comandos sub-regionais ficou instalada nos edifícios anteriormente afetos aos extintos CDOS, tendo sido instalados em novos imóveis seis comandos sub-regionais, cujos edifícios foram cedidos gratuitamente pelos municípios.

Questionada sobre os custos, a ANEPC refere que os encargos com as obras de adaptação dos imóveis destinados à respetiva instalação “foram parcialmente suportados ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), bem como a aquisição de mobiliário adicional e equipamento informático.

Para a LBP, esta organização criada pela Proteção Civil “está em desacordo e em incumprimento com a lei de bases da proteção Civil”.

“Não beneficia em nada os corpos de bombeiros, antes pelo contrário. Do ponto de vista operacional e da mobilização de meios, o que se tem verificado é que, apesar de estar no papel essa distribuição, quando há ocorrências, ela não é respeitada em muitos casos. O princípio da proximidade é aquele que se executa e não o princípio da organização”, disse à Lusa o presidente da LBP.

António Nunes considera que esta reforma “não foi um sucesso”, frisando que “há dificuldades”, uma vez que na maioria das situações o que funcionou “foi o princípio da proximidade e não o da organização”.

O responsável criticou o facto de se ter “inventado uma organização que os outros agentes de proteção civil não têm”, tendo em conta que funcionam no modelo distrital.

“No âmbito da proteção civil, não há planos sub-regionais, o que há é planos municipais, distritais, nacionais e regionais nos Açores e na Madeira”, disse, frisando que “a estrutura está mal implementada, mal organizada e não cumpre com a lei de bases da Proteção Civil”.

O presidente da LBP considera ainda que a estrutura da ANEPC é “exagerada e empolada”, existindo um grande número de dirigentes, que é “um desperdício financeiro para a proteção civil”.

Como exemplo, referiu os locais onde existe um comandante e segundo comandante sub-regional para oito corpos de bombeiros.

A estrutura regional e sub-regional da proteção civil integra os comandos regionais do Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, e os 24 comandos sub-regionais de emergência e proteção civil.

O Comando Regional do Norte abrange os comandos sub-regionais do Alto Minho, do Alto Tâmega e Barroso, da Área Metropolitana do Porto, do Ave, do Cávado, do Douro, do Tâmega e Sousa e das Terras de Trás-os-Montes e o Comando Regional do Centro inclui os comandos sub-regionais da Beira Baixa, das Beiras e Serra da Estrela, da Região de Aveiro, da Região de Coimbra, da Região de Leiria e de Viseu Dão Lafões.

Por sua vez, o Comando Regional de Lisboa e Vale do Tejo abrange os comandos sub-regionais da Grande Lisboa, da Lezíria do Tejo, do Médio Tejo, do Oeste e da Península de Setúbal, o comando regional do Alentejo inclui os comandos sub-regionais do Alentejo Central, do Alentejo Litoral, do Alto Alentejo e do Baixo Alentejo e o comando regional do Algarve compreende o comando sub-regional do Algarve.

Últimas do País

As comunidades intermunicipais (CIM) da Região de Leiria, Região de Coimbra e Médio Tejo pediram ao Governo o prolongamento das medidas de apoio lançadas para compensar os estragos provocados pela depressão Kristin.
O técnico de sangue detido na quarta-feira por suspeitas de crimes de peculato, corrupção de substâncias e/ou propagação de doença foi hoje proibido pelo tribunal de entrar em Coimbra e suspenso de funções, anunciou a Polícia Judiciária (PJ).
A Polícia Judiciária (PJ) de Braga apreendeu uma tonelada de cocaína que entrou em Portugal por via marítima, dissimulada em contentores entre centenas de sacos de açúcar de 50 quilos, foi esta sexta-feira anunciado.
A PSP deteve este ano quase 2.000 condutores com excesso de álcool e multou outros 1.320 pelo mesmo motivo, anunciou hoje a polícia, alertando para os riscos acrescidos da condução sob a influência do álcool.
Ricardo Gonçalves abandona partido após críticas à estrutura local e passa a independente na Assembleia de Freguesia de Ferragudo.
O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) revelou que três matas nacionais do litoral, nos concelhos da Marinha Grande e de Leiria, foram “particularmente afetadas” pelo mau tempo.
André Ventura vai a tribunal por acusações de corrupção a um ex-autarca, na sequência de investigações que envolveram o também ex-deputado do PSD detido em 2023 no âmbito da Operação ‘Vortéx’.
Os distritos de Bragança, Guarda e Castelo Branco estão esta sexta-feira sob aviso amarelo devido à previsão de chuva, por vezes forte, podendo ser acompanhada de trovoada e de queda de granizo, segundo o IPMA.
A Guarda Nacional Republicana (GNR) registou até quarta-feira (22 de abril) mais de oito mil crimes rodoviários, 4.752 dos quais por condução com excesso de álcool, e 30.026 acidentes, que causaram 127 mortos.
Mais de 10.500 condutores em excesso de velocidade foram multados pela PSP desde o início do ano, o equivalente a uma média de 95 automobilistas por dia, indicou hoje aquela polícia.