Observatório de Segurança Interna pede aumentos para PSP e GNR via isenções fiscais

O presidente do Observatório de Segurança Interna (OSI) defendeu hoje aumentos para a PSP e GNR através de isenções fiscais e avisou os partidos para prometerem apenas o que podem cumprir, sob pena de aumentarem a frustração.

Em declarações à Lusa, Hugo Costeira salientou que o protesto da GNR e da PSP resulta de uma situação continuada de abandono por parte do poder político, algo acentuado pela atribuição de um subsídio de função à Polícia Judiciária.

“Se já há um regime de exceção fiscal às carreiras das forças de segurança, no que diz respeito à tributação do trabalho remunerado, os célebres gratificados, não há motivo para não isentar, por exemplo, os polícias do pagamento de impostos dos seus salários e o Estado dar-lhes isso quase como um desconto fiscal”, afirmou Hugo Costeira, que admitiu a dificuldade do Estado em dar o aumento direto exigido a dezenas de milhares de elementos da GNR e PSP.

“Os polícias querem realmente mais um suplemento ou querem que o seu salário base seja aumentado?” – questionou o responsável, que defende um aumento “naquilo que é o vencimento base”, recordando que os subsídios extra “não se aplicam quando há baixas médicas”, por exemplo.

A redução da tributação fiscal permitiria diluir os custos pelo Estado e não apenas pelo orçamento do Ministério da Administração Interna, considerou Hugo Costeira, que criticou também a forma como os políticos têm lidado com o problema.

“Uma das fórmulas que existe para calar os polícias é a questão dos gratificados” e “isto quer dizer que a polícia está a empenhar o seu efetivo numa prestação de serviços a entidades privadas, sendo os agentes remunerados por isso, mas estamos diretamente a destruir as suas vidas pessoais”, o que “leva à exaustão” dos profissionais, avisou.

“Nós estamos pura e simplesmente a destruir um ser humano”, porque “não lhe são dadas condições de descanso”, considerou Hugo Costeira, admitindo que o protesto das forças de segurança veio colocar o tema na agenda política.

Lembrando que os protestos dos polícias e guardas surge “numa má altura”, com o país em vésperas de eleições legislativas, o presidente do OSI defendeu que os partidos do arco da governação devem olhar para este problema e tentar encontrar uma solução de legislatura para os problemas do setor.

“Nós não podemos continuar, legislatura após legislatura, a permitir que as forças de segurança se degradem ao ponto de nós não conseguirmos recrutar” novos elementos, sublinhou.

Para tal contribui, por exemplo, a dificuldade de mobilidade, com limitações ao regresso dos elementos à sua zona de residência, onde têm as suas famílias, que são mais prejudiciais do que no resto da função pública, prejudicando o “direito à família e à estabilidade”.

No atual contexto, “os portugueses conhecem quais são os partidos normalmente mais defensores da das classes policiais” e há o risco de “algum populismo” por parte de alguns políticos.

Mas a situação atual resulta de um “sentimento generalizado e transversal da frustração que derivou da atribuição de um suplemento de missão a um corpo superior de polícia, que é polícia judiciária, que é absolutamente justo também”.

Nesse sentido, alertou contra a tentação de alguns partidos de aproveitarem este descontentamento para prometerem “mundos e fundos”.

“Não podemos chegar ao pé de pessoas que estão desesperadas há anos por melhorias das suas condições de vida e das suas questões salariais, prometer-lhes mundos e fundos e, daqui a dois ou três meses, alegarmos não estar em situação de cumprir”, disse Hugo Costeira.

“As forças de segurança são um dos pilares basilares da segurança de qualquer Estado democrático (…). Eu aconselho ao poder político que olhe para a polícia com carinho e que prometa aquilo que realmente possa cumprir e que seja honesto nessa promessa”, acrescentou ainda.

Últimas do País

O coordenador da Comissão de Trabalhadores do INEM, Rui Gonçalves, denunciou hoje um "forte desinvestimento" no Instituto nos últimos anos e lamentou a existência de "dirigentes fracos", defendendo uma refundação que garanta a resposta em emergência médica.
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) abriu hoje dois inquéritos para apurar as circunstâncias que envolveram as mortes de uma mulher em Sesimbra e de um homem em Tavira enquanto esperavam por socorro.
Portugal regista desde o início de dezembro um excesso de mortalidade de cerca de 22% associado ao frio e à epidemia de gripe, com aumento proporcional das mortes por doenças respiratórias, segundo uma análise preliminar da Direção-Geral da Saúde (DGS).
A enfermeira diretora da ULS Amadora-Sintra demitiu-se do cargo, alegando não existirem condições para continuar a exercer funções, anunciou hoje a instituição.
O INEM e a Liga dos Bombeiros Portugueses acordaram hoje um reforço de meios permanentes ao serviço da emergência médica, ainda não quantificado, mas que inicialmente se vai focar em responder a constrangimentos na margem sul de Lisboa.
Do Seixal a Sesimbra e a Tavira, o padrão repete-se: três pessoas morreram em diferentes pontos do país após esperas prolongadas por assistência médica, num retrato da rutura do socorro.
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) abriu uma auditoria interna aos procedimentos associados ao caso da mulher que morreu na Quinta do Conde, Sesimbra, depois de esperar mais de 40 minutos por socorro.
O Tribunal Judicial de Leiria começa a julgar no dia 23 um professor acusado de dois crimes de maus-tratos em concurso aparente com dois crimes de ofensa à integridade física qualificada.
O atraso no socorro voltou a ter consequências fatais. Uma idosa morreu na tarde de quarta-feira, na Quinta do Conde, após uma longa espera por assistência médica, com a ambulância mais próxima a mais de 30 quilómetros.
O Tribunal de Santarém condenou a prisão efetiva um homem responsável por três incêndios florestais, dois deles junto a zonas habitadas. A autoria foi confessada e considerada plenamente provada, apesar da tentativa de disfarçar os crimes alertando o 112.