Suplemento da PJ pago com retroativos a janeiro de 2023

A atribuição do suplemento de missão aos inspetores da Polícia Judiciária foi aprovada pelo Governo a 29 de novembro.

©facebook/pjudiciaria

O suplemento de missão atribuído em novembro à PJ tem retroativos a janeiro de 2023, uma decisão que o Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia considera “uma anormalidade” que vai “inflamar ainda mais” o desagrado dos elementos da PSP e GNR.

A atribuição do suplemento de missão aos inspetores da Polícia Judiciária foi aprovada pelo Governo a 29 de novembro e, segundo o decreto-lei publicado em Diário da República a 29 de dezembro, tem retroativos a janeiro de 2023.

No decreto-lei, o Governo justifica a atribuição deste suplemento com “o regime especial de trabalho e dos ónus inerentes ao exercício de funções em condições de risco, insalubridade e penosidade, sendo remunerado em conjunto com a respetiva remuneração base mensal”.

Em alguns casos, representou um aumento de quase 700 euros por mês. Em declarações à Lusa, o presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia, Bruno Pereira, considera que o pagamento de retroativos “representa uma anormalidade do ponto de vista da técnica legislativa”.

Reforçando a ideia de que os polícias da PSP e militares da GNR não estão contra a atribuição do suplemento aos inspetores da PJ, Bruno Pereira, que tem sido também o porta-voz da plataforma de 11 sindicatos e associações das forças de segurança, sublinhou que o pagamento de retroativos a janeiro de 2023 “criou uma clivagem e uma assimetria” para com os restantes polícias, além de passar uma mensagem “de um país rico”.

O presidente do sindicato que representa a maioria dos comandantes e diretores da PSP frisou que pagar retroativos é como atribuir “um prémio retroativamente aos polícias”.

“Se o Governo aparentemente tem tanta elasticidade orçamental, não vejo como não exigir o pagamento na mesma monta e na mesma modalidade aos profissionais da PSP e GNR”, disse.

Bruno Pereira afirmou que só agora os polícias se aperceberam de que o subsídio será pago com retroativos, um detalhe que vai “naturalmente acossar mais a tristeza reinante” nas fileiras dos polícias da PSP e dos militares da GNR.

“Esse detalhe representa e ilustra bem a posição do Governo relativamente ao tratamento digno ou extremamente digno para os profissionais da PJ e extremamente indigno para os profissionais da PSP e GNR”, precisou, antevendo que esta medida vai “inflamar ainda mais o desagrado, tristeza e exaustão” dos polícias.

Há mais de uma semana que os polícias da PSP e militares da GNR têm realizado protestos em várias cidades do país para exigir melhores condições salariais e de trabalho, numa iniciativa que começou com um agente da PSP em frente à Assembleia da Republica, em Lisboa.

A contestação dos elementos da PSP e dos militares da GNR teve início após o Governo ter aprovado o suplemento de missão para as carreiras da PJ, que não tem o mesmo valor nas restantes forças de segurança.

Estes protestos surgiram de forma espontânea e não foram organizados por qualquer sindicato, apesar de existir uma plataforma, composta por sete sindicatos da PSP e quatro associações da Guarda Nacional Republicana, criada para exigir a revisão dos suplementos remuneratórios nas forças de segurança.

Os protestos dos polícias estão a ser organizados através de redes sociais, como Facebook e Telegram.

Últimas do País

A Câmara de Cascais estima em mais de 6,5 milhões de euros os prejuízos no município devido às recentes tempestades, principalmente no litoral e vias rodoviárias, e criou fundos para apoio de munícipes e empresários afetados por intempéries.
Os novos helicópteros de emergência médica foram acionados 446 vezes entre 01 de julho e 31 de dezembro de 2025, apresentando uma disponibilidade operacional de 93%, anunciou hoje o INEM.
A maioria das universidades não procedeu ao reposicionamento remuneratório dos docentes um ano após a publicação do despacho governamental que permitia fazê-lo, segundo o Sindicato Nacional do Ensino Superior, que reconhece as dificuldades financeiras das instituições.
Uma criança foi erradamente submetida a uma cirurgia a uma hérnia, devido a um erro de identificação, um caso que remonta a 2023 e que levou o regulador a emitir instruções a duas unidades de saúde.
A Câmara de Alcácer do Sal tem contabilizados cerca de 30 milhões de euros de prejuízos, um mês após as cheias que atingiram o concelho, e continua a reclamar “apoio urgente” para “salvar os negócios”.
Cerca de 51 mil pessoas continuavam na segunda-feira sem comunicações na sequência do mau tempo, revelou hoje a Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País.
O movimento de aterragens e descolagens no Aeroporto Internacional da Madeira - Cristiano Ronaldo continua condicionado pelo segundo dia consecutivo, tendo sido hoje cancelados cerca de 70 voos devido às condições meteorológicas adversas.
O Hospital São Francisco Xavier deixou esquecidas compressas vaginais após o parto em duas mulheres, o que levou o regulador a alertar para a necessidade de ser garantido o direito dos utentes a receber cuidados mais corretos.
A Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos, no distrito de Lisboa, declarou um prejuízo de 22 milhões de euros relacionado com os danos causados pelo mau tempo, disse hoje o presidente.
Um português de 25 anos suspeito dos crimes de homicídio qualificado e ofensas à integridade física, em novembro de 2020 em Manchester, no Reino Unido, foi localizado em Lisboa e detido pela Polícia Judiciária (PJ), foi hoje divulgado.