Testes de diagnóstico custaram ao Estado mais 153,4 milhões de euros do que deviam

Os preços fixados pelo Governo para os testes de diagnóstico da covid-19 resultaram num aumento da despesa pública estimado em 153,4 milhões de euros entre 2020 e 2021, revelou hoje o Tribunal de Contas (TdC).

©D.R.

 

Num relatório divulgado no seu ‘site’, o TdC conclui que os preços fixados pelo Ministério da Saúde para os testes de diagnóstico da doença causada pelo coronavírus SARS-CoV-2, comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), “nem sempre tiveram subjacente a fundamentação técnica apresentada pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA, IP)”.

Isto “prejudicou a transparência dos respetivos processos de formação de preços e se traduziu em acrescida despesa pública”, conclui o relatório.

Entre 01 de março de 2020 e 30 de abril de 2022 foram realizados em Portugal Continental 37,9 milhões de testes de diagnóstico da covid-19, dos quais 19,4 milhões de testes de amplificação de ácidos nucleicos (TAAN) (51,2%) e 18,5 milhões de testes rápidos de antigénio (TRAg) (48,8%).

A larga maioria dos testes (28,1 milhões; 74,1%) foi realizada por prestadores do setor privado.

O TdC considera que a demora “nas atualizações dos preços dos testes e a não adoção dos preços técnicos propostos” ao Ministério da Saúde levaram a aumentos na despesa do SNS “de 97 milhões de euros, no caso dos TAAN, e de 56,4 milhões, no que respeita aos TRAg”.

A “auditoria à testagem e rastreio de contactos no âmbito da resposta à pandemia covid-19 por parte do Ministério da Saúde” visou “avaliar a sua eficiência, eficácia e economia, face aos objetivos definidos, aos recursos utilizados e aos resultados alcançados” e o período considerado abrange as cinco vagas da doença registadas em Portugal.

Segundo a instituição, “os níveis de testagem da população e a notificação dos testes positivos às autoridades de saúde e aos utentes nem sempre se revelaram oportunos, adequados e proporcionais ao risco evidenciado”.

E, apesar da sua intensificação ao longo da pandemia, “não foram suficientemente eficazes para o seu adequado controlo, particularmente no último trimestre de 2020 e nos primeiros meses de 2021”.

O relatório conclui igualmente que “a estratégia de testagem e rastreio de contactos em Portugal foi, de forma geral, clara”, adiantando que em relação ao diagnóstico da doença “foram os laboratórios do setor privado que mais contribuíram para o alargamento da capacidade instalada”.

Quanto à vigilância epidemiológica, esta “foi prejudicada pelas limitações dos sistemas de informação utilizados, obrigando à criação de múltiplas e distintas soluções ‘ad-hoc’ à escala regional e ou local, o que desviou recursos de saúde pública, induziu ineficiências e afetou a qualidade dos dados acerca da atividade desenvolvida”, limitações que “prejudicaram a avaliação do desempenho operacional dos processos de testagem e rastreio de contactos”.

Tendo em conta as conclusões, o relatório recomenda ao ministro da Saúde que assegure “a resiliência do Sistema de Saúde, desenvolvendo a sua preparação e capacidade de resposta a futuras emergências de saúde pública”, e que garanta que “a fixação de preços administrativos e não sujeitos à concorrência tem subjacente uma adequada fundamentação do respetivo valor, obedecendo a critérios de eficiência económica”.

À diretora-geral da Saúde, o TdC aconselha que promova uma análise dos processos de testagem e de rastreio de contactos, para avaliar a “sua adequação, eficiência e eficácia na resposta à covid-19”, bem como “um estudo científico acerca do efetivo impacto das atividades de testagem e rastreio de contactos (…) na quebra de cadeias de transmissão e no controlo da propagação da doença”.

A covid-19 é uma doença respiratória causada pelo SARS-CoV-2, um tipo de vírus detetado em finais de 2019 na China e que se disseminou rapidamente pelo mundo, assumindo várias variantes e subvariantes, umas mais contagiosas do que outras.

A doença foi classificada como pandemia em 11 de março de 2020 e, em maio de 2023 deixou de ser uma emergência de saúde pública internacional.

Em Portugal, o primeiro caso e o primeiro óbito relacionados com o coronavírus registaram-se em março de 2020 e até hoje, segundo dados da Direção-Geral da Saúde, morreram mais 28 mil pessoas devido à covid-19.

Últimas do País

A Região de Leiria perdeu cerca de 30% da sua riqueza regional em pouco mais de duas horas, na madrugada de 28 de janeiro, revelou hoje o secretário executivo daquela Comunidade Intermunicipal (CIM).
Os distritos de Leiria e Lisboa viram hoje serem agravados os avisos meteorológicos de vento e agitação marítima para sexta-feira, que passaram a laranja numa atualização do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O Tribunal Constitucional rejeitou o recurso apresentado pelo primeiro-ministro para impedir a inclusão dos clientes da Spinumviva no seu registo de interesses, mas a decisão não é definitiva porque que foi pedida a sua anulação.
Três homens foram detidos e nove pessoas constituídas arguidas numa operação da Polícia Judiciária que desmantelou uma rede suspeita de introduzir substâncias proibidas no meio prisional. A investigação levou a buscas em várias cidades e resultou na apreensão de armas, dinheiro e criptoativos avaliados em cerca de 150 mil euros.
Um grupo de cientistas, coordenados pela Universidade de Coimbra (UC) e pela Universidade de Lund (Suécia), reprogramou pela primeira vez em laboratório um tipo de célula do sistema imunitário que atua na primeira linha da defesa tumoral.
O Infarmed alertou para a indisponibilidade do fármaco Mononitrato de Isossorbido Mylan 60, para o tratamento da angina de peito, até 30 de junho, recomendando alternativas terapêuticas e a dispensa limitada nas farmácias para garantir 'stock'.
Um homem, de 46 anos, foi detido na quarta-feira por suspeita de incêndio florestal, em Cabeceiras de Basto, no distrito de Braga, originado por uma queimada, indicou hoje a GNR.
Um professor de 65 anos foi hoje condenado pelo Tribunal Judicial de Leiria a três anos de prisão, pena suspensa por igual período, pela prática de sete crimes de abuso sexual de crianças.
Associações humanitárias de bombeiros de todo o país recolheram em 2025 mais de três milhões de toneladas de pilhas, baterias, lâmpadas e outros equipamentos elétricos, que foram enviados para reciclagem pela Associação Electrão.
Os prejuízos causados ​​pelo mau tempo no Baixo Alentejo ascendem a quase 38 milhões de euros, de acordo com um levantamento que a comunidade intermunicipal já entregue à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo.