Albuquerque diz que faz o que entender e não precisa do apoio de Montenegro

O presidente demissionário do Governo da Madeira, Miguel Albuquerque, que manifestou a intenção de se recandidatar à liderança do PSD regional, afirmou hoje que faz o que entender e não precisa do apoio do líder social-democrata, Luís Montenegro.

© Facebook/Luís Montenegro

Em declarações aos jornalistas à margem do encerramento da final europeia do campeonato do mundo de criação de jogos ‘Game Jam Plus’, que decorreu no Funchal, Miguel Albuquerque foi questionado sobre a declaração de Montenegro na sexta-feira à noite de que “talvez tivesse uma decisão diferente” da sua.

“Esse é problema dele, não é meu. Eu faço o que eu entender, no meu juízo e na minha consciência. É a opinião dele”, respondeu o chefe demissionário do executivo madeirense, de coligação PSD/CDS-PP, e líder dos sociais-democratas madeirenses.

Sobre se tem o apoio de Luís Montenegro, realçou: “Eu não preciso do apoio de Lisboa para nada, o que eu preciso é do apoio do povo madeirense”.

Albuquerque demitiu-se depois de ter sido constituído arguido no âmbito de um processo em que são investigadas suspeitas de corrupção na Madeira, que levou à queda do seu Governo regional, de coligação PSD/CDS-PP, com o apoio parlamentar do PAN.

Na segunda-feira, o PSD/Madeira marcou eleições diretas para 21 de março e, no final da reunião da Comissão Política regional, Miguel Albuquerque indicou que “quase de certeza” se irá recandidatar, considerando que tem condições políticas.

Esta posição foi transmitida dias depois de os três detidos na investigação judicial sobre suspeitas de corrupção terem sido libertados. O juiz de instrução criminal entendeu que não havia indícios de crime.

Na sexta-feira, no debate com os oito partidos com representação parlamentar, na RTP, no âmbito das eleições legislativas antecipadas de 10 de março, Luís Montenegro foi confrontado com declarações suas a defender que um político que esteja envolvido num caso judicial deve, “por princípio”, demitir-se, contrapondo os casos que levaram às demissões do primeiro-ministro, António Costa, e de Miguel Albuquerque.

O líder do PSD defendeu que, “por princípio, não faz sentido” e que se deve avaliar “a situação concreta que possa envolver quem está na atividade política”.

Luís Montenegro disse que a intenção de Miguel Albuquerque, com quem disse não ter falado, se recandidatar é uma “opção dele”, a qual respeita.

Em 17 de fevereiro, o representante da República, Ireneu Barreto, anunciou que vai manter o Governo da Madeira em gestão até o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, decidir se dissolve a Assembleia Legislativa, o que só poderá ocorrer depois de 24 de março, seis meses após as últimas eleições legislativas regionais.

Caso Marcelo Rebelo de Sousa opte pela não dissolução do parlamento regional, o representante da República irá nomear “o presidente e demais membros de um novo Governo Regional”.

Em 24 de janeiro, a Polícia Judiciária (PJ) realizou cerca de 130 buscas domiciliárias e não domiciliárias sobretudo na Madeira, mas também nos Açores e em várias zonas do continente, no âmbito de um processo que investiga suspeitas de corrupção ativa e passiva, participação económica em negócio, prevaricação, recebimento ou oferta indevidos de vantagem, abuso de poderes e tráfico de influência.

Na sequência desta operação, a PJ deteve o então presidente da Câmara do Funchal, Pedro Calado (PSD), que já renunciou ao cargo, o líder do grupo de construção AFA, Avelino Farinha, e o principal acionista do grupo ligado à construção civil Socicorreia, Custódio Correia. Os arguidos foram libertados três semanas após as detenções.

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