Candidato sindical dos juízes critica “desnorte” do poder político para reformar Justiça

O juiz desembargador José Francisco Moreira das Neves, candidato à liderança da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), manifestou-se preocupado com “um certo desnorte dos órgãos políticos” para a reforma da Justiça e recusou qualquer “politização da investigação criminal”.

© DR

 

Em declarações à Lusa, o magistrado do Tribunal da Relação de Évora, que se candidata com uma lista que integra vários membros da direção cessante, apresenta propostas “viradas para a modernização do sistema, com os olhos postos na cidadania e na democracia”.

“Para já preocupa-nos, sobremaneira, um certo desnorte dos órgãos políticos, acerca do que se vai chamando ‘reforma da justiça’, a reboque de chavões intencionalmente vazios e sem estribo num conhecimento efetivo da realidade do sistema, dos seus verdadeiros problemas e das suas necessidades”, disse à Lusa.

O candidato falava à Lusa a propósito das eleições para a ASJP, que decorrem no sábado, com duas listas candidatas, a outra liderada pelo desembargador Nuno Matos, da Relação de Lisboa.

Moreira das Neves revelou disponibilidade da ASJP para contribuir para quaisquer alterações na organização do sistema de justiça, “mas cirúrgicas”, referindo também a necessidade de “introduzir modernidade ao nível organizativo”.

“Mas terá sempre de preservar-se a não politização da investigação criminal; e garantir-se, enquanto direito fundamental de uma cidadania democrática, a independência dos tribunais e dos seus juízes”, acentuou o candidato.

A degradação dos edifícios onde funcionam os tribunais e dos equipamentos da Justiça, o sistema informático obsoleto, a escassez de meios humanos, nomeadamente funcionários judiciais, mas também dos próprios juízes, “comprometedores da independência interna e externa do poder judicial”, são preocupações que constam do programa desta candidatura, a lista B, cujo lema é “Lado a Lado com os Juízes – Proximidade e Independência”.

Moreira das Neves alerta ainda para o que classifica como “interferências indevidas dos órgãos de gestão da organização (do Tribunal) e de inspeção (do Conselho Superior da Magistratura) na gestão dos processos – a qual cabe exclusivamente a cada juiz”, assim como para a “falta de estabilidade das regras e critérios de promoção aos tribunais superiores”.

Do programa constam ainda propostas para “adequação do serviço às implicações da doença, parentalidade e idade”, nomeadamente a “progressiva implementação da redução da distribuição de serviço aos juízes com mais de 60 anos de idade”, melhorar o processo de acesso a reforma por invalidez e sugerir aos conselhos superiores da magistratura um “redimensionamento dos quadros complementares” para assegurar a substituição de juízes.

A ASJP representa cerca de 90% dos juízes portugueses, havendo cerca de 2.300 magistrados em Portugal que podem votar nas eleições que este ano permitem a votação ‘online’, com autenticação através do Cartão do Cidadão, que já está a decorrer.

Últimas do País

O presidente do CHEGA acusa grupos de extrema-esquerda de se infiltrarem nas manifestações pela habitação para provocar confrontos com a polícia. Ventura defende a atuação das forças de segurança e exige medidas urgentes no Orçamento do Estado, rejeitando reuniões políticas sem soluções concretas.
O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) alertou que mais de 60 ambulâncias do INEM estão em oficinas sem ordem de reparação, suspeitando que o instituto pretende substituí-las por viaturas ligeiras.
Portugal registou 2.767 acidentes rodoviários e 13 vítimas mortais entre 13 e 19 de outubro, mais oito mortes do que no mesmo período de 2025. Durante a campanha 'Viaje sem Pressa', a GNR e a PSP fiscalizaram mais de 5,4 milhões de veículos e detetaram 12.994 infrações por excesso de velocidade.
O Ministério Público (MP) acusou 11 pessoas e 15 sociedades dos crimes de associação criminosa, fraude fiscal, burla tributária e branqueamento, através da venda de veículos, componentes automóveis e deduções indevidas de IVA, segundo publicação hoje consultada pela Lusa.
O património imobiliário do PCP está avaliado em cerca de 14,5 milhões de euros, segundo dados divulgados, que identificam mais de 300 prédios associados ao partido. Entre compras, vendas e permutas, destaca-se um negócio em Aveiro que envolve um imóvel adquirido por 350 mil euros e uma permuta por cinco frações avaliadas em 800 mil euros, operação que foi alvo de investigação do Ministério Público.
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) apoiou 100 vítimas de 'bullying' em 2025, a maioria raparigas entre os 11 e os 14 anos, segundo dados divulgados hoje, Dia Mundial do Combate ao Bullying.
Um casal suspeito de burlar idosos em Silves através da simulação de acidentes de viação, exigindo dinheiro para reparar danos nos veículos, foi detido na segunda-feira pela GNR. Os suspeitos, ambos com 45 anos, convenciam as vítimas de que tinham provocado estragos nas viaturas e pressionavam-nas a pagar de imediato, evitando a comunicação do caso às autoridades ou às seguradoras.
As autoridades policiais apreenderam desde 01 de janeiro deste ano 42 toneladas de cocaína, mais 17 do que em todo o ano de 2025, revelou hoje o diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ).
A Polícia de Segurança Pública (PSP) deteve hoje 55 manifestantes que resistiram quando a força de segurança retirou as tendas da Acampada de Lisboa que se encontrava na Praça D. Pedro IV (Rossio).
Um esquema de tráfico internacional que utilizava filtros de água para esconder cocaína proveniente de um cartel colombiano terminou com condenações em tribunal. Segundo avança o Jornal de Notícias, os equipamentos eram utilizados para dissimular a droga e facilitar a sua importação.