Portugal vai ter novo estudo sobre comunidades ciganas 10 anos depois

Portugal vai ter um novo estudo nacional sobre as comunidades ciganas, de quantificação, mas também caracterização, que deverá arrancar em maio, tem a duração prevista de dois anos e será elaborado por um consórcio académico.

© D.R.

 

O estudo é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), na sequência de um concurso público, em que venceu o projeto apresentado pelo Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras do Porto e o Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES), do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa.

Em declarações à agência Lusa, Maria Manuela Mendes, da equipa do CIES, afirmou que o estudo deverá começar a ser feito brevemente, em princípio em maio, tendo em conta que ainda falta aguardar pelo fim do prazo para que os outros projetos contestem o resultado do concurso.

A investigadora adiantou que o objetivo é “fazer um novo estudo sobre a população cigana” depois de o anterior ter sido publicado em 2014, e atualizar o diagnóstico e o conhecimento sobre as comunidades ciganas.

“Até avançar noutras frentes, nomeadamente um conhecimento histórico mais aprofundado sobre a presença também das pessoas ciganas em Portugal, que é uma coisa que não está muito desenvolvida e não há muito conhecimento produzido a esse propósito”, explicou.

Maria Manuela Mendes adiantou que o financiamento do projeto é para dois anos, estimando que em maio de 2026 esteja concluído. Adiantou que haverá resultados parcelares que irão sendo divulgados, além de estarem pensadas publicações, eventos para a apresentação e discussão de resultados, que incluirá organizações, ativistas e membros da comunidade cigana.

Segundo a investigadora, o estudo vai incluir projetos com a comunidade cigana, que irá “fazer uma espécie de consultoria ao projeto”, além de dois inquéritos nacionais, englobando continente e ilhas.

“Vai haver um inquérito à população cigana portuguesa, com uma amostra bastante elevada, um inquérito também à população não cigana sobre os ciganos, sobre as representações que têm relativamente à população cigana”, adiantou.

Acrescentou que haverá uma componente qualitativa de aprofundamento e um trabalho etnográfico “em algumas comunidades que experienciam situações habitacionais mais complicadas e, eventualmente, mais precárias, em diferentes zonas do país”.

Referiu que o estudo irá procurar saber quantas pessoas ciganas vivem em Portugal, mas também terá “uma componente qualitativa, com entrevistas, com histórias de vida” e retratos sociológicos sobre “alguns perfis de pessoas e famílias ciganas”.

Maria Manuela Mendes sublinhou que esta componente histórica terá “bastante ênfase”, havendo também componentes como ‘workshops’ participativos com as pessoas ciganas, ou exposições.

“Acho que vai ser um trabalho muito interessante”, apontou.

O primeiro, e até agora único, estudo nacional sobre as comunidades ciganas, encomendado pelo Alto Comissariado para as Migrações, realizado em 2014, com base em entrevistas a 1.599 pessoas ciganas, revelou que os ciganos portugueses tinham baixos níveis de escolaridade, casavam cedo e faziam da venda ambulante a principal atividade económica.

Últimas do País

As recentes tempestades provocaram uma "erosão costeira acentuada" no Algarve, com perdas significativas de sedimentos, recuo da linha de costa e quedas de arribas, alertou hoje o investigador Óscar Ferreira, defendendo intervenções urgentes.
O presidente da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País, Paulo Fernandes, revelou esta quarta-feira, 18 de fevereiro, que há ainda quase 84 mil utilizadores sem comunicações na sequência do mau tempo.
As 4.310 candidaturas das empresas à linha de crédito à tesouraria criada na sequência do mau tempo somam cerca de 905 milhões de euros, para um montante de mil milhões de euros, anunciou hoje a Estrutura de Missão.
A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) decidiu hoje, em Cascais, solicitar ao Governo o alargamento dos concelhos abrangidos por apoios aos danos das tempestades, isenção de portagens nas zonas mais afetadas e auxílio nas candidaturas das populações.
Cerca de 75 milhões de euros já foram pedidos para recuperação de habitações danificadas pelo mau tempo, anunciou hoje o coordenador da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País, Paulo Fernandes.
As duas escolas de saúde da Universidade do Porto (U.Porto) vão abrir em setembro, no ano letivo 2026/27, uma nova licenciatura em Ciências da Saúde Pública, que visa formar profissionais capazes de intervir em ameaças emergentes, foi hoje divulgado.
As Forças Armadas transportaram esta terça-feira em veículos anfíbios 427 pessoas em Ereira, freguesia de Montemor-o-Velho isolada devido às cheias, e outros 192 cidadãos, "em coordenação com as entidades locais".
Oito distritos do norte e centro do país estão esta quarta-feira, a partir das 09h00, sob aviso amarelo devido à previsão de vento forte, informou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O quartel dos Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, que ficou inoperacional desde a depressão Kristin, há três semanas, vai ser instalado transitoriamente na Zona Industrial do Valbom, afirmou hoje à agência Lusa o presidente da Câmara.
Cerca de 7.600 clientes da E-Redes nas localidades afetadas pela depressão Kristin, que passou pelo continente em 28 de janeiro, continuavam pelas 08:00 desta quarta-feira, 18 de fevereiro, sem energia elétrica, informou a empresa.