Regulador avisa unidades de saúde que devem cumprir direito acompanhamento utentes

A Entidade Reguladora da Saúde alertou hoje as unidades de saúde para a necessidade de garantir o direito ao acompanhamento dos utentes, sobretudo as pessoas com deficiência, dependentes, com doença incurável em avançado estado ou em fim de vida.

© D.R.

 

Num alerta de supervisão hoje divulgado, o regulador lembra que o direito de acompanhamento dos utentes está consagrado legalmente e sublinha que as restrições ao direito de acompanhamento devem ser excecionais e fundamentadas.

O regulador sublinha igualmente que o legislador teve “especial cuidado” na garantia do direito destes utentes a serem acompanhados nos estabelecimentos de saúde públicos, privados ou dos setores cooperativo ou social.

Explica ainda que a lei define que estes doentes têm direito a serem acompanhados, de forma permanente, por “ascendente, descendente, cônjuge ou equiparado” ou, na ausência destes ou por vontade do doente, este pode indicar uma outra pessoa.

Apesar de estar prevista na lei a possibilidade de limitar este direito de acompanhamento, a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) considera que “tal não poderá assumir-se como regra aplicável de forma irrestrita e indeterminada” para qualquer situação “sem a necessária ponderação circunstanciada de cada caso concreto”.

Esta ponderação – sublinha – “ganha uma nova dimensão quando em causa estão pessoas com deficiência, em situação de dependência, com doença incurável em estado avançado ou em estado final de vida”.

Nas situações “verdadeiramente excecionais” em que se decida pelo não acompanhamento, a ERS diz que as unidades de saúde devem ter procedimentos internos que assegurem que estas pessoas “são devidamente monitorizadas e acompanhadas, de forma consentânea com a verificação de eventuais alterações do seu estado de saúde”.

Diz ainda que, nestes casos, deve igualmente ser garantida a prestação de informação aos utentes e seus acompanhantes sobre os motivos que impedem a continuidade do acompanhamento.

Apesar de reconhecer que os diplomas que define o direito ao acompanhamento dos utentes não concretizam a definição de “pessoas com deficiência, em situação de dependência, com doença incurável em estado avançado ou em estado final de vida”, a ERS lembra que é possível, noutra legislação, “enquadrar linhas orientadoras” que, apesar de não taxativas, permitem uma concretização conceptual”.

Como exemplo, apresenta a Declaração de Direitos das Pessoas Deficientes, aprovada pela Assembleia Geral da ONU em 1975, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, adotada em dezembro de 2006 pela Assembleia Geral da ONU, e a lei que define os direitos das pessoas em contexto de doença avançada e em fim de vida.

Em janeiro, a ERS anunciou ter recebido, no ano passado, 994 queixas relacionadas com problemas no acompanhamento de doentes aos serviços de urgência, um direito consagrado na lei há uma década.

O desaparecimento e posterior morte de uma senhora com Alzheimer que tinha sido impedida de entrar acompanhada nas urgências do Hospital Francisco Xavier alertou para as falhas na aplicação de uma legislação que existe desde 2014.

A família da idosa iniciou uma petição, subscrita pela Alzheimer Portugal, a pedir mecanismos que previnam o desaparecimento de pessoas com demência.

Últimas do País

A Polícia Marítima realiza hoje buscas por um jovem de 26 anos que alegadamente se encontra desaparecido desde a madrugada de quarta-feira, na Nazaré, informou a Autoridade Marítima Nacional (AMN).
O vereador da Câmara Municipal do Funchal, Leandro Silva, eleito pelo CDS-PP, pediu hoje a suspensão do mandato, depois de ter atropelado uma pessoa no centro da cidade quando conduzia sob o efeito do álcool.
A Guarda Nacional Republicana deteve hoje de madrugada 151 condutores, a maioria por excesso de álcool, nos principais eixos de acesso às áreas metropolitanas de Lisboa, Porto e Algarve.
A PSP deteve hoje de madrugada 17 pessoas, 12 das quais por excesso de álcool ao volante, em duas operações realizadas em Lisboa e que duraram quatro horas.
Onze pessoas morreram nas estradas portuguesas e 255 foram detidas por excesso de álcool pela PSP e GNR em cinco dias no âmbito das operações que estão a realizar durante o período de ano novo.
Um menino de 9 anos morreu e um adolescente de 14 ficou ferido, na quarta-feira à tarde, na sequência de um alegado disparo acidental de caçadeira efetuado por um familiar num bairro de Setúbal, revelaram hoje fontes policiais.
A Força Aérea anunciou hoje ter apoiado diretamente 931 pessoas no ano passado, entre transportes médicos aéreos, resgates e missões de busca e salvamento, referindo que o valor representa um crescimento de 5% face a 2024.
O tempo de espera para doentes muito urgentes no serviço de urgência geral do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, era de 13 horas e 46 minutos pelas 09:30 de hoje, segundo dados do Portal do SNS.
O Hospital Amadora-Sintra alerta hoje para incorreções nos tempos médios de espera relativamente às urgências relatadas no portal do SNS, destacando que estes constrangimentos não estão a afetar a assistência e a segurança dos doentes.
A GNR esclareceu hoje que o aeroporto de Lisboa vai ser reforçado com 24 militares com formação de guarda de fronteira a partir da próxima terça-feira.