Amnistia Internacional denuncia detenções arbitrárias de defensores dos Direitos Humanos na China

A organização não-governamental (ONG) Amnistia Internacional (AI) denunciou hoje a detenção arbitrária de defensores dos Direitos Humanos na China, “esmagar a dissidência e reduzir o espaço da sociedade civil".

© D.R.

 

Num relatório anual, a organização revelou que a situação dos Direitos Humanos na região de Xinjiang (noroeste) continua a ser “grave”, já que as autoridades continuam a perseguir membros de minorias étnicas de origem muçulmana.

“Os peritos da ONU voltaram a manifestar a sua preocupação com programas governamentais que conduzem à destruição das línguas e culturas de grupos étnicos, incluindo a tibetana”, afirmou a AI.

A organização destacou a opacidade e “persistente falta de transparência” do regime comunista em 2023 pelos “desaparecimentos súbitos” dos antigos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, que foram afastados sem qualquer explicação oficial e não voltaram a ser vistos em público.

A AI alegou que as autoridades chinesas “continuaram a restringir severamente os direitos à liberdade de expressão, de associação e de reunião pacífica”, aplicando abusivamente leis, muitas vezes sob o pretexto de proteger a segurança nacional.

A autoridade reguladora do ciberespaço da China impôs “limitações ainda maiores” aos utilizadores das redes sociais, o que suscitou receios de perda do direito à privacidade, referiu o relatório.

“A perseguição dos jornalistas continuou, nomeadamente devido às tensões geopolíticas”, afirmou a AI, destacando que a “presença formal de órgãos indianos na China foi encerrada”.

A organização sublinhou que, em 2023, o Governo chinês “continuou a visar sistematicamente os defensores dos Direitos Humanos”, num “esforço para esmagar a dissidência e reduzir o espaço da sociedade civil”.

“Vários indivíduos, incluindo advogados, intelectuais, jornalistas, ativistas e funcionários de ONG, foram processados por ameaçarem a segurança nacional” durante 2023, com “longas penas de prisão para ativistas”, referiu a AI.

A organização mencionou o jurista Xu Zhiyong e o advogado Ding Jiaxi, que foram condenados por “subversão do poder do Estado” em 2022 e sentenciados em abril do ano passado a 14 e 12 anos de prisão, respetivamente.

Outro caso de grande destaque foi o de Chang Weiping, advogado condenado a três anos e meio de prisão por divulgar informações sobre a tortura que alegou ter sofrido na prisão em 2020.

O relatório relatou que, em abril de 2023, a polícia deteve o advogado Yu Wensheng e a mulher, Xu Yan, quando se dirigiam para uma reunião com diplomatas na delegação da União Europeia em Pequim.

A AI mencionou ainda a pressão do Governo chinês contra a comunidade LGBTI, como evidenciado pelo encerramento do Centro LGBT de Pequim, uma das maiores e mais antigas organizações de apoio e defesa da comunidade na China.

As contas nas redes sociais de vários grupos LGBTI, incluindo a Trans China Brotherhood, o Beijing Lesbian Centre e a filial de Pequim da Trueself, também foram banidas sem explicação.

Em 2023, o Comité para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres, um órgão especializado independente da ONU, manifestou preocupação com os relatos de intimidação, assédio e violência sexual e baseada no género contra as mulheres defensoras dos Direitos Humanos na China.

A AI recordou que o Comité dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais da ONU estava preocupado com “a falta de segurança e o assédio generalizado no local de trabalho”, em especial “o assédio sexual das mulheres, bem como a insuficiência dos mecanismos de inspeção do trabalho para investigar as queixas”.

A organização referiu ainda que a informação sobre a pena de morte na China é limitada e que os dados “sobre condenações e execuções continuam a ser classificados como segredos de Estado”.

O relatório exprimiu receio de que a reforma da Lei Contraespionagem possa ser utilizada contra defensores dos Direitos Humanos e que a repressão contra a dissidência radicada no estrangeiro aumente.

Últimas do Mundo

Um homem matou oito familiares, incluindo quatro crianças, enquanto se reuniam para um jantar de domingo numa casa nos arredores de Billings, no estado de Montana, no leste dos Estados Unidos.
Uma mulher de 101 anos foi detida no sudoeste da Nigéria por vender ilegalmente canábis em pequenas saquetas, anunciou a Agência Nacional Nigeriana de Combate às Drogas (NDLEA).
Os assaltos a museus europeus estão a ganhar um nível de violência até aqui ausente, o que pode significar a entrada no meio de criminosos com diferentes perfis, revelou um relatório divulgado hoje pela Europol.
O Instituto Geográfico Nacional (IGN) espanhol registou seis terramotos na madrugada de hoje em diferentes cidades da província de Granada, o mais significativo de magnitude 3,4 na escala de Richter.
Cuidadoras denunciam gatos mortos e alertam que várias colónias foram abandonadas depois de os habitats dos animais terem sido ocupados por acampamentos improvisados.
Yoli deixou a própria casa com as filhas depois de o medo ter tomado conta da família. Uma das crianças já não queria sair à rua e acordava de madrugada aterrorizada. O relato surge num momento em que Ceuta enfrenta uma vaga de imigração ilegal e 15 denúncias de violação, segundo fontes da Guardia Civil.
O sarampo provocou 17 mortes num total de 1.500 casos registados nos últimos 12 meses, no município angolano do Songo, província do Uíje, divulgaram as autoridades sanitárias locais.
Catorze mineiros ilegais morreram numa mina abandonada na África do Sul, revelou hoje a polícia, que admite que tenha havido um desmoronamento.
Pelo menos 2.000 pessoas morreram devido ao surto do vírus Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo), que regista o crescimento mais rápido de sempre, segundo os dados mais recentes do Governo.
O forte sismo que abalou hoje a Colômbia causou estragos em pelo menos seis aeroportos, destruiu parcial ou totalmente habitações e provocou dezenas de feridos, levando o recém-empossado Presidente colombiano a convocar uma reunião de crise.