Treinador de natação condenado por assédio pode voltar a dar aulas

A Relação de Coimbra confirmou o cancelamento do registo criminal de um treinador de natação condenado em 2023 por importunação sexual a uma atleta de 19 anos, por forma a permitir que este pudesse regressar ao ativo.

© DR

O Tribunal da Relação de Coimbra, num acórdão publicado no final de maio, julgou improcedente o recurso do Ministério Público que defendia a realização de uma perícia psiquiátrica ao treinador de natação, como condição para avaliar o pedido de cancelamento provisório do registo criminal do mesmo, que estaria em vigor por um prazo de cerca de 20 anos.

A segunda instância seguiu a decisão do Tribunal de Execução de Penas de Coimbra que optou pelo cancelamento provisório do registo criminal, em janeiro de 2024, sem exigir qualquer perícia, ao contrário do que era defendido pelo Ministério Público.

Segundo o acórdão da Relação de Coimbra consultado pela agência Lusa, o homem pediu o cancelamento provisório do registo criminal da condenação por importunação sexual com o objetivo de voltar a “exercer a atividade de treinador de natação de atletas entre os 14 e os 20 anos de idade”.

A condenação está relacionada com uma situação ocorrida na noite de passagem de ano de 2018 para 2019, no estágio de natação de um clube onde treinava.

Nessa noite de passagem de ano, o treinador, alcoolizado, tirou o telemóvel de uma atleta e saiu do quarto do hotel desta, passando a enviar mensagens para outra atleta de alta competição, de 19 anos, fazendo-se passar pela amiga, formulando propostas de teor sexual.

Entre as 00:20 e as 06:53, o homem enviou diversas mensagens de teor sexual à atleta, pedindo fotos e vídeos.

Fazendo-se sempre passar pela amiga, escrevia que esta estaria a ter relações sexuais com um homem, prometendo também enviar fotos.

Para além de mensagens escritas, o treinador de natação chegou a enviar para a vítima uma fotografia onde era visível um pénis.

O arguido foi condenado com uma pena de multa de 840 euros pela prática de um crime de importunação sexual.

Face ao pedido de cancelamento do registo criminal, o Ministério Público (MP) defendia que, para tal acontecer, o arguido deveria ser sujeito a perícia psiquiátrica, para que se demonstrasse que haveria “diminuto perigo para a segurança e bem-estar de menores, que poderia decorrer do exercício da profissão”.

O MP criticava ainda o facto de o Tribunal de Execução de Penas tomar a medida sem ter por base qualquer relatório médico.

O pouco tempo decorrido entre a condenação e o pedido de cancelamento do registo criminal também não permitia ao tribunal depreender, “sem mais, pela ausência de uma disfunção de personalidade ou propensão para comportamentos sexuais desviantes” do treinador, argumentou o MP.

Já a Relação salientou que a multa já paga foi declarada extinta e que a matéria de facto dada como provada aponta para aquela condenação como algo “pontual” ou isolado, salientando ainda que o treinador se encontra integrado socialmente.

O acórdão considera ainda que nem todos os crimes contra a liberdade sexual têm o mesmo nível de gravidade, realçando que a prática de um crime de importunação sexual não pode, por si, pressupor “um qualquer perigo para a segurança e bem-estar de menores”.

O tribunal de segunda instância sustenta ainda a decisão, com o facto de as penas terem também em vista “a ressocialização”.

Nesse sentido, o registo criminal “não deve e não pode promover a estigmatização do condenado e não deve ser meio de evitar a sua socialização, contrariando a finalidade de penas”, argumenta a Relação de Coimbra, que julga improcedente o recurso do MP, que também avançou com o caso para o Tribunal Constitucional.

Últimas do País

O presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) reconheceu hoje que o aumento do número de utentes, devido à imigração, coloca sobre o SNS uma pressão acrescida, mas não justifica, por si, a falta de médicos de família.
A Europa enfrenta esta semana uma nova onda de calor que obriga vários países a tomar medidas, como o encerramento de escolas, com temperaturas a atingir os 42º C (graus Celsius).
Homem é suspeito da prática de dois crimes de roubo, dois de extorsão, oito de extorsão na forma tentada, um de ofensas à integridade física simples, dois de ameaças agravadas, um de ameaças e outro de detenção de arma proibida. Foi detido em Moura.
A associação dos Produtores de Leite de Portugal (APROLEP) mostrou-se hoje preocupada com a situação do setor, seja pela falta de apoios após a guerra no Irão, a importação vinda da Europa ou a "guerra de preços" nos hipermercados.
Homem de 28 anos vivia em situação irregular em Portugal desde 2021. Foi intercetado pela PSP com uma arma proibida na mochila e admitiu transportá-la diariamente para se proteger.
Dois homens foram detidos pela PSP em Coimbra e Leiria ao abrigo de mandados internacionais emitidos pelo Brasil. Suspeitos são acusados de burla e fraude comercial que terá causado prejuízos superiores a 168 mil euros.
Dois cidadãos estrangeiros, naturais do Kuwait, foram detidos no Aeroporto da Madeira quando tentavam embarcar para Manchester com documentos que levantaram suspeitas às autoridades. O caso junta-se a uma lista crescente de detenções por fraude documental registadas este ano.
Entre os dias 13 e 19 de junho, a Polícia de Segurança Pública (PSP) deteve 37 suspeitos por furtos, roubos e burlas e 59 por tráfico de estupefacientes, tendo sido apreendidas 13 968 doses individuais de droga.
O ex-ministro dos Transportes de Espanha José Luis Ábalos foi hoje condenado a 23 anos e três meses de prisão por corrupção em contratos públicos para compra de máscaras na pandemia.
Portugal ultrapassou os 11,4 milhões de habitantes, com a população estrangeira a mais do que duplicar. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, em apenas quatro anos, os imigrantes representam 14% dos residentes no país.