Pastoral dos Ciganos alerta para marginalização no acesso à educação, saúde e habitação

O diretor da Pastoral Nacional dos Ciganos, Hélder Afonso, alertou hoje para a marginalização que a população cigana enfrenta “em alguns locais” de Portugal, especialmente no acesso à educação, saúde e habitação.

© Facebook de Helder Afonso

Numa mensagem a propósito do Dia Nacional do Cigano, que se assinala no dia 24 de junho, data em que “a Igreja celebra a festa de São João Batista, um santo tradicionalmente festejado pelos ciganos portugueses”, Hélder Afonso considera que “muitas vezes, essa marginalização é alimentada pela falta de conhecimento sobre a cultura cigana, as suas particularidades e seu modo de vida”.

O responsável por este organismo da Conferência Episcopal Portuguesa adianta que a efeméride “pode servir para reverter esta situação de afastamento e desconhecimento, celebrando com as comunidades ciganas as suas tradições e alertando para as suas dificuldades no acesso a diversos serviços públicos, o que as torna mais vulneráveis à exclusão social”.

“A educação, a habitação e a saúde são pilares fundamentais na erradicação de preconceitos, racismo e xenofobia. Queremos promover uma convivência saudável onde diferentes culturas e tradições possam coexistir em diálogo e integração, sem isolamento ou desrespeito pelos direitos e dignidade de cada um”, acrescenta o documento do diretor da Pastoral Nacional dos Ciganos.

Hélder Afonso aproveita ainda para recordar o apelo deixado à comunidade cigana na Peregrinação do Povo Cigano, em Roma, em 26 de outubro de 2015.

“Vós mesmos sois os protagonistas do vosso presente e do vosso futuro. Como todos os cidadãos, podeis contribuir para o bem-estar e o progresso da sociedade, respeitando as leis, cumprindo os vossos deveres e integrando-vos também através da emancipação das novas gerações”, disse o pontífice na ocasião.

Para Hélder Afonso, “estas palavras são um encorajamento à comunidade cigana, destacando a importância de construir uma nova história baseada na erradicação de preconceitos e na edificação de uma sociedade mais justa e misericordiosa, muitas vezes contaminada por discursos fáceis de ódio e xenofobia”.

“No Dia Nacional do Cigano, que a Igreja em Portugal se proponha caminhar para a comunhão com as populações ciganas portuguesas. Que estas, sentindo-se compreendidas e acolhidas pela Igreja Católica, colaborem na superação da distância que infelizmente ainda separa muitas delas de uma vida digna e plenamente participada na cidadania cigana e portuguesa”, apelou ainda o Diretor da Pastoral Nacional dos Ciganos.

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