Odemira reclama verbas do PRR para território mais resiliente

A Câmara de Odemira, no distrito de Beja, reclama do Governo a disponibilização de verbas do PRR para financiar ações que permitam tornar a área devastada pelo incêndio florestal ocorrido em agosto de 2023 mais resiliente aos fogos.

©D.R.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do município, Hélder Guerreiro, indicou que estas ações estão contempladas na Área Integrada de Gestão da Paisagem (AIGP), a criar no território e já determinada numa resolução do Conselho de Ministros.

“Fizemos tudo. Só falta o Governo abrir um aviso” no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para “o ICNF [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas] avançar com a candidatura e podermos ter uma AIGP naquele território”, afirmou.

Com início no dia 05 de agosto de 2023, na zona de Baiona, na freguesia de São Teotónio (Odemira), o incêndio alastrou-se aos concelhos algarvios de Monchique e Aljezur e só foi dado como dominado seis dias depois de ter deflagrado.

Segundo o ICNF, este fogo foi o maior registado em 2023 e consumiu, pelo menos, 7.530 hectares.

Nas declarações à Lusa, o autarca salientou que a criação de uma AIGP permitiria “uma intervenção de fundo, planeamento e estruturação do território para o futuro”, como, por exemplo, “substituir eucaliptal por áreas de arvoredo autóctone”.

“A área ardeu e, se ardeu, é preciso agora um trabalho para o futuro de planeamento e estruturação do território para resistir a incêndios, preveni-los até, se possível, como é óbvio”, sublinhou.

Assinalando que a população dos três concelhos está mobilizada e até já foi criada uma cooperativa para gerir a AIGP, Hélder Guerreiro frisou que também “há verba no PRR e há já uma área definida e ações preparadas”.

“A candidatura está pronta. É só abrir o aviso. É a única coisa que o Governo precisa de fazer”, insistiu.

O autarca revelou que se vai reunir com o secretário de Estado das Florestas para tentar uma solução que permita que Sabóia, Santa Clara e Santo Teotónio sejam consideradas freguesias prioritárias para fiscalização da gestão de combustível.

As freguesias, sustentou, “têm elevado risco de incêndio, só que não é em mais de 20%” do território, mas, “como são muito grandes do ponto de vista geográfico, 20% ou 19% do seu território é muita área e viu-se bem que é uma área de risco de incêndio”.

“Mas não foi isso que obstaculizou a ideia de poder existir, no âmbito dessa resolução do Conselho de Ministros, uma AIGP”, referiu, notando que o documento abre essa possibilidade porque “é uma área que ardeu com uma dimensão estrutural”.

Questionado sobre o valor previsto para financiar as ações contempladas pela AIGP, o presidente do município disse que a candidatura “precisa de ser ainda estruturada”, mas apontou que será “sempre acima de seis milhões de euros”.

Hélder Guerreiro destacou o trabalho feito pela câmara com o ICNF no período que se seguiu ao fogo, nomeadamente na reposição de condições do terreno, limpeza de cursos de água ou desimpedimento de passagens.

“Temos mais uma equipa de sapadores florestais a trabalhar no terreno, não só do ponto de vista preventivo, mas também para a execução de trabalhos”, como ações de fogo controlado, que já se realizaram na freguesia de Santo Teotónio.

De resto, o autarca considerou que após o incêndio os ministérios da Agricultura e da Economia deram “uma resposta rápida e estruturada” com apoios para os moradores, empresários e até autarquias com prejuízos.

“Todos precisaríamos eventualmente de um apoio maior, mas o apoio inicial foi positivo e grande parte das pessoas afetadas que tinham atividades económicas não informais foi-lhe permitido esse apoio”, defendeu.

O presidente do município reconheceu que, em relação a casas não licenciadas ou precárias, os proprietários “não tiveram essa possibilidade de apoio”, mas garantiu que para os que ficaram sem alojamento foi encontrada uma solução.

“Não ficou, do meu ponto de vista, ninguém desalojado no concelho de Odemira”, acrescentou.

Últimas do País

A Câmara de Lamego, no distrito de Viseu, decidiu hoje ativar o Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil, atendendo ao "agravamento severo das condições meteorológicas" que afetam o concelho.
A Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste registou um aumento de consultas externas e não médicas, bem como cuidados de saúde primários e cirurgias programadas em 2025, face ao ano anterior, segundo dados divulgados hoje pela ULS.
A ANADIAL - Associação Nacional de Centros de Diálise informou hoje que a rede nacional tem estado totalmente operacional, garantindo os tratamentos aos doentes renais, apesar da gravidade dos temporais que têm assolado o país.
A Proteção Civil alertou hoje para o risco de inundações em várias bacias hidrográficas, sobretudo no Norte e Centro do país, lembrando que a precipitação para as próximas horas será elevada e poderá agravar a situação.
Cerca de 2.500 militares estão atualmente no terreno a apoiar as populações afetadas pelas tempestades que assolaram Portugal continental nas últimas semanas, tendo resgatado 252 pessoas desde 28 de janeiro, anunciou hoje o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA).
A Proteção Civil registou 11.957 ocorrências relacionadas com as tempestades entre o dia 01 de fevereiro e as 12:00 de hoje em Portugal continental, adiantou o comandante nacional.
Um homem morreu hoje e outro ficou ferido num acidente de trabalho, em Leiria, quando reparavam estruturas eléctricas para as E-Redes, na sequência da depressão Kristin, disseram à agência Lusa várias fontes.
O estado do tempo em Portugal continental vai continuar a ser afetado por precipitação forte e persistente na terça e na quarta-feira devido a uma massa de ar com características tropicais, segundo a meteorologista Ângela Lourenço.
Um total de 56 mil clientes da E-Redes continua sem abastecimento de energia elétrica em Portugal continental devido aos danos provocados pelo mau tempo na rede de distribuição, informou hoje a empresa.
A proteção civil não registou durante a noite ocorrências relevantes relacionadas com o mau tempo e houve uma ligeira melhoria da situação nas zonas inundadas, disse à agência Lusa José Costa.