Há falta de vagas nas creches e o CHEGA quer priorizar quem trabalha

Apesar de existir um programa do Estado que garante o acesso universal e gratuito às creches, 7 em cada 10 crianças não têm acesso a creche, segundo um estudo da Universidade Nova de Lisboa intitulado ‘Portugal Balanço Social, 2023’.

© Folha Nacional

À SIC Notícias, uma mãe relatou que, ainda durante a gravidez, começou a procurar creche para o seu filho, mas deparou-se logo com o problema da falta das creches.

“Fiz alguma investigação nas Caldas da Rainha para ver quais as creches que estavam disponíveis e percebi que, na maior parte delas, a inscrição é só depois de o bebé nascer. Quando chegou a altura, em setembro, fiquei em lista de espera. Em outubro, voltei à minha atividade profissional”, afirmou Catarina Américo.

O Duarte acabou por ficar com os avós para que os pais conseguissem trabalhar, mas esta é uma opção que nem todos os pais têm, levando mesmo a que alguns pais considerem despedir-se para poderem tomar conta dos filhos.

‘Creche Feliz’ é o programa criado pelo anterior governo socialista e que, numa lista de 10 requisitos para acesso ao programa, dá prioridade a quem recebe subsídios e deixa para último o requisito que permite que “crianças cujos encarregados de educação desenvolvam a atividade profissional” tenham acesso ao programa.

Nos Açores, o partido CHEGA apresentou, no último mês, um projeto que tem como objetivo dar “prioridade às crianças provenientes de agregados familiares cujos progenitores ou encarregados de educação estejam empregados” que, após um debate aceso, foi aprovado.

Numa conferência de imprensa, na semana passada, André Ventura, líder do partido CHEGA, sobre a proposta aprovada nos Açores, afirmou que “o que quem trabalha estava a sentir é que era ultrapassado por todos os outros no acesso dos seus filhos à creche”, concluindo que este era “um sistema absolutamente pervertido a que a alguns compensava despedirem-se para que os filhos pudessem ter acesso à creche”.

André Ventura pretende trazer esta medida também para o resto do país, podendo eventualmente alargar-se a outros bens públicos, pretendendo “dar prioridade a quem trabalha”.

“Chega de um país em que quem trabalha não tem direitos nenhuns”, afirma André Ventura.

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