Associação diz que há unidades com camas de paliativos vazias

O presidente da Associação Nacional de Cuidados Continuados (ANCC) revelou hoje que há unidades com camas de cuidados paliativos vagas e manifestou-se surpreendido com o relatório da Entidade Reguladora da Saúde (ERS).

© Folha Nacional

 

Em declarações à Lusa, José Bourdain disse ter lido “com estupefação” os resultados do relatório da ERS que indica que quase metade (48%) dos doentes referenciados no ano passado para unidades de paliativos contratualizadas com o setor privado ou social morreram antes de ter vaga.

“Desde há pelo menos cerca de quatro a cinco anos que as nossas associadas que têm cuidados paliativos se queixam de que as taxas de ocupação andam na casa dos 50 a 60%, ou seja, as entidades perdem imenso dinheiro, porque quando a taxa de ocupação baixa dos 85% é feito um corte de dezenas de milhares de euros”, explicou.

José Bourdain disse que, tal como nas outras tipologias de cuidados continuados, de cada vez que abre uma vaga é comunicado à Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) e afirmou: “se não são colocados lá doentes, partimos do princípio de que, se calhar, não há doentes suficientes, mas pelos vistos não é assim”.

O responsável denunciou ainda que, muitas vezes, há utentes colocados em unidades de longa duração (onde as camas são mais baratas do que as de paliativos), que deveriam ir para paliativos: “só pode ser para se poupar dinheiro”.

“Nós até chegamos a questionar o governo anterior se isso seria alguma ordem que teria sido dada nesse sentido, numa lógica de poupar dinheiro, porque as unidades de longa duração não estão minimamente preparadas para receber doentes paliativos, nem sequer têm médico 24 horas, nem o pessoal tem formação necessária para esse efeito e, portanto, já denunciamos isso há bastante tempo”, acrescentou.

De facto, o relatório da ERS hoje divulgado refere que nem todos os utentes com referenciação para Unidades de Cuidados Paliativos-RNCCI são necessariamente admitidos em unidades dessa tipologia ou noutra tipologia da Rede Nacional de Cuidados Paliativos (RNCP), sublinhando que apenas 32% acabaram admitidos em unidades daquela tipologia.

A RNCP contempla duas tipologias de Unidades de Internamento de Cuidados Paliativos: as UCP hospitalares, que prestam cuidados paliativos a doentes com doenças graves e/ou avançadas e progressivas, que necessitam de internamento, e as UCP–RNCCI, que são contratualizadas com entidades do setor social ou privado e prestam cuidados em situações de complexidade baixa a moderada.

Foi sobre estas últimas que a ERS se pronunciou, no relatório hoje divulgado.

“Atendendo a que a natureza de cuidados paliativos prestados em cada uma das tipologias de UCP (UCP-RNCCI e UCP hospitalares) se distingue pela complexidade clínica, poderá subsistir um problema de acesso a cuidados paliativos para utentes com necessidade de cuidados paliativos de baixa complexidade, em particular nas regiões de saúde do Centro e do Algarve”, refere a ERS.

Dos utentes referenciados para UCP-RNCCI em 2023, mais de um em cada três (37%) foram admitidos em unidades do SNS. Cerca de 48% dos utentes referenciados durante esse período “não foram admitidos por óbito anterior à admissão”, conclui.

O tempo médio de espera para admissão dos utentes referenciados em 2022 e 2023 foi inferior a um mês: os que foram referenciados e admitidos em 2022 aguardaram, em média, 20 dias e, em 2023, esse valor subiu para 21 dias.

“Os utentes que faleceram, que representam a maior proporção dos utentes referenciados, estiveram em média 12 dias a aguardar uma vaga, nos dois anos em análise”, refere o regulador.

A ERS concluiu ainda que mais de um em cada 10 (12%) utentes referenciados e admitidos em 2023 residiam a mais de uma hora de viagem da unidade em que foram internados.

Últimas do País

A Polícia Judiciária (PJ) deteve hoje 12 homens no Norte do país por associação criminosa, branqueamento e burla qualificada por meio informático, pondo cobro à atividade de uma organização criminosa, que fez circular 17 milhões de euros.
O partido liderado por André Ventura foi o único a votar contra o diploma, considerando que o novo Estatuto do Apátrida alarga o acesso à residência, ao SNS, à educação e a outros apoios públicos sem reforçar os mecanismos de fiscalização nem proteger os interesses dos portugueses.
A serra do Marão é vigiada desde hoje por patrulhas da GNR a cavalo para sensibilizar as populações e visitantes, dissuadir comportamentos de risco e reforçar a prevenção neste período de maior risco de incêndio rural.
Portugal tem atualmente cerca de 1,6 milhões de residentes estrangeiros, o equivalente a 14% da população, segundo os dados revistos do Instituto Nacional de Estatística (INE). Nunca o país teve um peso tão elevado de população estrangeira, entrando agora no grupo dos Estados-membros da União Europeia com maior percentagem de residentes de nacionalidade estrangeira.
A Polícia Judiciária (PJ) deteve hoje uma médica de Benavente, no distrito de Santarém, suspeita de ter recebido verbas indevidas para viabilizar reformas por invalidez, confirmou à Lusa fonte da força policial.
O Tribunal da Relação do Porto (TRP) manteve a condenação de uma falsa vidente de Santo Tirso que burlou uma mulher em mais de 175 mil euros, mas reduziu a pena de cinco para quatro anos e meio de prisão efetiva.
Caixotes do lixo e outros equipamentos públicos foram vandalizados nas últimas semanas com mensagens relativas ao grupo anarquista e de extrema-esquerda 'ANTIFA'. Onda de vandalismo reacende debate sobre proposta do CHEGA para classificar o movimento como organização terrorista.
O presidente do CHEGA defendeu hoje que o Estado português não deve pagar qualquer indemnização a José Sócrates, mesmo que a tal seja condenado em última instância, assegurando que se for primeiro-ministro não o fará.
O tempo quente que afeta Portugal dará origem a uma onda de calor que se prolongará por oito a 10 dias e atingirá praticamente todo o país, estimou hoje o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O Tribunal de Leiria condenou hoje quatro arguidos a penas de prisão que variam entre os quatro e os nove anos, por furtos, sobretudo em cemitérios, num processo em que outros quatro arguidos receberam penas suspensas.