Canil suspeito de maus-tratos em Santa Maria da Feira continua a acolher animais

O canil da freguesia de Canedo, em Santa Maria da Feira, que nos últimos anos tem sido objeto de protestos e inspeções por suspeitas de maus-tratos, continua a acolher animais errantes sem condições, alerta hoje a equipa de resgate ComRaça.

© D.R.

Ana Pinto Costa é a representante dessa estrutura de ativismo animal e, recordando que o referido canil do distrito de Aveiro e da Área Metropolitana do Porto já foi “diversas vezes alvo de notícias por manter dezenas de animais em condições deploráveis”, afirma agora: “Com acusação por parte do Ministério Público por maus-tratos e morte de animais de companhia, e com julgamento marcado para dezembro, [o canil] está novamente cheio de animais a seu cargo e nas condições que já são do conhecimento geral”.

O espaço para recolha de animais errantes é gerido pela associação não-governamental DZG Canedo, em concreto por Berta Brazão e Dick Leegwater, que deixaram de atualizar a página de Facebook da DZG Canedo e agora divulgam a sua ação num site de língua holandesa chamado ‘Animal Rescue Canedo’ com redes sociais no mesmo nome.

Após uma visita ao canil a semana passada, a ComRaça diz que encontrou no local “vários animais a deambular pela via pública com feridas abertas, moscas, parasitas e alguns em avançado estado de magreza”, assim como diversos cães “enjaulados em condições bastante precárias”.

Referindo que “é prática comum dessas pessoas [que gerem o canil] a participação no envio de animais para países estrangeiros”, a ComRaça defende: “Fica cada vez mais claro e evidente que existe uma máfia bem instalada na causa animal, com intenções dúbias e sigilosas. Estão envolvidas nestes esquemas pessoas, entidades e associações que jamais nos passariam pela cabeça”.

A Lusa pediu esclarecimentos à Câmara Municipal de Santa Maria da Feira e essa respondeu que “continua a acompanhar este assunto em articulação com as autoridades competentes e a desempenhar o papel que lhe compete em termos legais”.

A autarquia realça, contudo, que “é expectável que situações como esta continuem a verificar-se, enquanto não forem tomadas medidas legais que ponham termo, de uma vez por todas, a estas recorrências”.

“Recordamos que, após a demolição e limpeza total do espaço, a câmara municipal já voltou a encontrar, por várias vezes, animais no mesmo local, agindo sempre com base nas suas competências legais”, afirma a mesma fonte.

Após o alerta da ComRaça na semana passada, a autarquia retirou animais de Canedo, levou-os a uma clínica veterinária “para avaliação das respetivas condições sanitárias” e transportou-os para o canil municipal, mas não acredita que isso seja solução definitiva.

“A Câmara Municipal tem consciência de que esta é uma situação que não vai parar enquanto as autoridades competentes não tomarem medidas legais que ponham termo, de uma vez por todas, a estas recorrências”, insiste a autarquia, sem especificar que entidades devem ser responsabilizadas nem que medidas considera necessárias.

A Lusa também contactou os gestores do canil, mas ainda não obteve resposta.

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