Cancro infantil aumenta custos das famílias em mais 650 euros mensais

O diagnóstico de cancro numa criança aumenta os gastos da família em mais de 650 euros mensais, mas pode ir aos 850, indica um estudo divulgado hoje, no início do “setembro dourado”, mês de Sensibilização para o Cancro Infantil.

O estudo baseado num inquérito é divulgado hoje pela Acreditar – Associação de Pais e de Amigos de Crianças com Cancro, criada em 1994 para minimizar o impacto da doença oncológica, no jovem e na sua família.

A propósito da efeméride a associação, em comunicado, explica que dedica este mês internacional a alertar a sociedade para o impacto da doença na família, a par das comemorações dos 30 anos da Acreditar, com o mote: “Quando o cancro se mete no caminho, ninguém vai sozinho”.

Recordando que em Portugal surgem anualmente cerca de 400 novos casos de cancro em crianças, a associação cita “evidências de vários especialistas e estudos” para dizer que “um diagnóstico de cancro numa criança afeta entre 50 e 100 pessoas”, entre familiares próximos e de família alargada, amigos, colegas, professores e comunidade.

A Acreditar explica que o inquérito se destinou a identificar as dificuldades das famílias, tendo os resultados apontado “para a necessidade de mudanças que visem uma maior qualidade de vida para doentes, cuidadores e sobreviventes”.

Tendo a participação de 472 famílias, concluiu-se que aumentam as despesas e diminuem os rendimentos quando um filho ou filha tem cancro.

“A média mensal, entre mais gastos e menos rendimento, é de 654,45€. São mais 21% do que em 2017, ano em que Acreditar fez um inquérito idêntico a nível nacional”, explica-se no comunicado.

No caso dos trabalhadores por conta própria, destaca a Acreditar, o valor de mais gastos e menos rendimento chega aos 844 euros.

Segundo o documento o que mais contribui para o aumento da despesa é o transporte, com 67% das famílias a optar por usar automóvel, até porque o sistema imunitário do doente fica frequentemente fragilizado.

E despesa suplementar também na alimentação, que é mais cuidada, e na medicação.

“A perda de rendimento deve-se, sobretudo, ao facto de o subsídio de acompanhamento a filho com doença oncológica ser pago apenas a 65% ou, em alguns casos, à necessidade de um dos pais se desempregar para poder acompanhar o filho doente, ou de o desemprego lhe ser imposto”, nota a associação.

A Acreditar defende a importância de “reforçar a necessidade de se alterar o valor deste subsídio para a totalidade do ordenado auferido anteriormente ao diagnóstico. Como é importante, segundo a maior parte dos pais, que o outro cuidador tenha direito à licença de acompanhamento nas fases críticas da doença.

Ainda de acordo com os resultados do inquérito, após a alta, 34% dos sobreviventes responderam não serem seguidos numa consulta de acompanhamento, o que reforça “a necessidade da implementação de consultas estruturadas de sobrevivência”.

Os cuidadores também se queixam da falta de recursos humanos e materiais, ou da falta de investimento global do país em novos tratamentos de maior precisão, direcionados para a especificidade do tumor dos seus filhos (o cancro pediátrico engloba 12 tipos e mais de 100 subtipos).

A Acreditar, presente em Lisboa, Coimbra, Porto e Funchal, vai celebrar os 30 anos com uma reflexão sobre o que mudou na oncologia pediátrica e o que ainda é preciso mudar.

A sensibilização para o cancro infantil é este mês promovida em todo o mundo. Só na Europa registam-se cerca de 35.000 novos casos em cada ano, 6.000 deles fatais. A maioria do meio milhão de sobreviventes na Europa tem efeitos adversos que constrangem a qualidade de vida.

A Organização Mundial de Saúde estima que em cada ano 400.000 crianças e adolescentes desenvolvam cancro no mundo, sendo mais frequentes as leucemias, os cancros no cérebro ou os linfomas. Nos países ricos mais de 80% das crianças com cancro são curadas mas nos países pobres esse valor fica abaixo de 30%.

Últimas do País

Dezassete pessoas ficaram hoje desalojadas na sequência de um incêndio num quadro elétrico no prédio onde habitavam no concelho de Felgueiras, no distrito do Porto, disse fonte da proteção civil.
Dos nove arguidos suspeitos de associação criminosa visando o assalto a ourivesarias no Alto Minho, apenas uma mulher aceitou hoje falar no início do julgamento no tribunal de Viana do Castelo, negando os crimes que lhe são imputados.
O projeto de saúde mental “Let’s Talk About Children” (LTC), coordenado em Portugal pela Universidade de Coimbra (UC), pretende reduzir nos próximos anos a percentagem de jovens com sintomas depressivos, perturbações de ansiedade e problemas de comportamento.
A Liga dos Bombeiros alertou que os meios de socorro estão a ser acionados com base apenas na distância e avisou que nem sempre quem está mais perto é quem chega primeiro.
O imóvel do Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, será vendido e a verba arrecadada servirá para apoiar a construção do novo Hospital Central e Universitário da região, anunciou hoje o presidente do Governo da Madeira, Miguel Albuquerque.
Cerca de 230 ocorrências relacionadas com o mau tempo, devido à passagem da depressão Ingrid, foram registadas hoje em Portugal continental entre as 00:00 e as 12:00, sobretudo queda de árvores e limpezas de via, revelou a Proteção Civil.
Cerca de 6.500 clientes da E-Redes estavam às 12:00 sem energia elétrica, em vários pontos do norte de Portugal continental, devido aos efeitos do mau tempo, disse à agência Lusa fonte da empresa responsável pela distribuição.
As Câmaras de Tondela, Vouzela, São Pedro do Sul e Tabuaço, no distrito de Viseu, decidiram encerrar as escolas durante a tarde desta sexta-feira, devido ao alerta de mau tempo, motivado pela depressão Ingrid.
Tentou travar uma rixa na rua e acabou esfaqueado com uma navalha escondida na manga. A vítima ficou em risco de vida. O agressor fugiu para o norte do País, mas foi capturado pela Polícia Judiciária.
Um homem de 38 anos foi detido hoje em flagrante delito por suspeita da prática do crime de pornografia de menores, no concelho de Sintra, no distrito de Lisboa, informou a Polícia Judiciária (PJ).