ANTRAM lamenta fim da isenção de mais-valias na venda de viaturas usadas

A ANTRAM lamentou hoje que a proposta de Orçamento do Estado para 2025 tenha deixado cair a isenção das mais-valias na venda de viaturas usadas pelas empresas de transporte, uma medida que estava no atual Orçamento.

© D.R

“Isso é uma medida para nós fulcral, que motiva o investimento, e se queremos dar passos na transição energética e se queremos frotas melhores, devemos promover essa transição energética através de medidas fiscais nesse sentido”, disse o presidente da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias à agência Lusa.

No início do 23.º congresso desta associação que decorre até sábado, nos arredores de Albufeira, distrito de Faro, Pedro Polónio sublinhou que, no projeto de lei do Orçamento do Estado para 2025 (OE2025), a medida “não parece constar”, estando a ANTRAM “já em contacto [com o Governo] para tentar perceber por que razão não consta uma medida que é altamente favorável”.

O presidente da ANTRAM insistiu que, nomeadamente por questões ambientais, a renovação da frota de veículos de transportes deve ser apoiada “não com subsídios à renovação da frota, mas sim, por exemplo, com a isenção fiscal das mais-valias” da venda da frota antiga.

Segundo Pedro Apolónio, trata-se de uma medida “histórica no setor, que foi retirada durante alguns anos”, mas “reposta no último Governo, ainda no governo do PS, para 2024, e que agora volta a não constar no projeto para o orçamento de 2025”, sendo “o facto muito preocupante para o setor”.

Sobre o fim das portagens nalgumas autoestradas, o dirigente da ANTRAM deu o seu apoio e considerou que a medida “vai no sentido de repor uma situação que nunca deveria ter deixado de existir, que as pessoas no interior, sobretudo”, e sem vias alternativas poderem usufruir sem terem um custo de contexto ainda mais elevado”.

O fim das portagens nas ex-SCUT está previsto para 01 de janeiro próximo, depois de a Assembleia da República ter aprovado, em junho passado, uma proposta do PS nesse sentido.

Por outro lado, o presidente da ANTRAM lamentou que o projeto de OE2025 tenha prevista o descongelamento da taxa de carbono, “apesar dela não afetar sobremaneira o nosso setor”.

O Governo entregou esta quinta-feira no parlamento a proposta de Orçamento do Estado para 2025, que prevê que a economia cresça 1,8% em 2024 e 2,1% em 2025 e um excedente de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano e de 0,3% no próximo.

A proposta ainda não tem assegurada a viabilização na generalidade e a votação está marcada para o próximo dia 31, no parlamento.

Se a proposta de Orçamento do Governo PSD/CDS for viabilizada na generalidade com a abstenção do PS ou, em alternativa, com os votos favoráveis do Chega, será então apreciada na especialidade no parlamento entre 22 e 29 de novembro. A votação final global do Orçamento está prevista para 29 de novembro.

Pedro Apolónio espera que durante o congresso, os associados tenham uma discussão sobre a situação da economia europeia e a sua influência no transporte rodoviário em Portugal.

Segundo ele, no sábado haverá uma troca de ideias voltada para o futuro sobre as energias alternativas e até que ponto a transição energética é sustentável.

Últimas de Economia

O consumo de gás em Portugal aumentou 11,1% para 45,0 TWh (terawatts/hora) em 2025, face a 2024, mas ficou 20% abaixo da média dos cinco anos anteriores, informou hoje a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).
O índice de preços da habitação aumentou 17,6% em 2025, mais 8,5 pontos percentuais do que em 2024 e a taxa mais elevada na série disponível, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Os juros da dívida portuguesa subiam hoje de forma acentuada a dois, cinco e 10 anos em relação a sexta-feira, alinhados com os de Espanha, Grécia, Irlanda e Itália, e os da Alemanha acima de 3% no prazo mais longo.
O preço do gás natural para entrega num mês no mercado holandês TTF, referência na Europa, subiu esta segunda-feira cerca de 3%, sendo negociado acima dos 61 euros por megawatt-hora (MWh), devido ao conflito no Médio Oriente.
O déficit comercial de bens entre a zona euro e o mundo aumentou para 1,9 mil milhões de euros, em janeiro, face aos 1,4 mil milhões de euros do mesmo mês de 2025, segundo o Eurostat.
Os preços dos combustíveis em Portugal vão continuar a subir na próxima semana com o gasóleo simples a aumentar cerca de 15 cêntimos por litro, e a superar os dois euros, e a gasolina 95 a encarecer nove cêntimos.
Mais de metade das habitações familiares anteriores a 1960 não sofreram obras de renovação para melhorar a eficiência energética e 30,1% das casas construídas antes de 1945 são ocupadas por famílias em risco de pobreza, indicou hoje o INE.
O relatório final dos peritos europeus confirma que o apagão ibérico foi provocado por falhas em cascata e recomenda reforçar tanto os quadros regulatórios como a coordenação entre operadores da rede e grandes produtores, de forma a prevenir eventos semelhantes.
A taxa de juro implícita dos contratos de crédito à habitação diminuiu para 3,079% em fevereiro, ficando abaixo dos 3,111% de janeiro de 2026 e dos 3,830% de fevereiro de 2025, indicam dados divulgados hoje pelo INE.
O preço do gás na Europa disparou hoje 35% após os ataques às infraestruturas energéticas no Médio Oriente, em particular um ataque iraniano à maior instalação de produção de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, no Qatar.