Diretor da PJ diz que legislar é o primeiro passo para prevenir a corrupção

O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) enfatizou hoje a importância de legislar como elemento fundamental para prevenir a corrupção, salientando que numa fase posterior é importante haver “investigações coesas” no mais curto espaço de tempo.

© Facebook da PJ

“O momento de legislar é o primeiro momento de prevenção da corrupção. Tudo o que for feito a montante terá reflexos na investigação criminal e na esfera do julgamento. Transparência, ampla discussão pública, saber quem é quem, e quem está por detrás é o primeiro patamar de independência e de transparência para o combate à corrupção”, afirmou Luís Neves.

O diretor nacional da PJ falava na conferência “A Independência na Justiça: a decisão de legislar, investigar e julgar”, organizada pelo Centro de Arbitragem Administrativa (CAAD), no Mercado da Ribeira, em Lisboa.

Numa intervenção por videoconferência a partir de Glasgow, Escócia, onde está a participar numa reunião da Interpol, o diretor da PJ centrou as atenções na definição ao nível do direito penal, da moldura de penas e de alterações no processo penal.

Frisou, porém, que devem ser dadas “todas as garantias àqueles que são presumivelmente suspeitos”, desde que haja “um equilíbrio nos meios de investigação criminal”.

Num discurso em que fez também uma breve retrospetiva das últimas duas décadas da PJ, das dificuldades de recrutamento e das condições que a instituição viveu durante algum tempo, Luís Neves assumiu que chegou a colocar por duas vezes o lugar à disposição, porque “não ia ser o coveiro da instituição”, reconhecendo que atualmente há outros meios e mais motivação.

Identificando algumas áreas de maior pressão ao nível da corrupção, como o direito urbanístico, a contratação pública ou as questões de mobilidade e sustentabilidade, Luís Neves realçou também a independência do exercício das suas funções e da PJ e a confiança “nos dois sentidos” entre a tutela e a instituição.

“Nunca me senti pressionado em momento algum, a independência foi sempre total. A questão da confiança não é só da tutela para o tutelado, é nos dois sentidos. E a prioridade deve ser o fortalecimento e robustecimento da instituição, para ter meios para a sua missão, mas sempre com uma componente de humildade para com os cidadãos”, observou, sublinhando ainda a relevância da questão orçamental.

O diretor da PJ apontou como principais causas de interferência na investigação criminal a atividade de grupos de pressão, a influência nas nomeações, a pressão da comunicação social e o descrédito e a apatia que se podem instalar a nível social.

Como consequências dessas interferências, Luís Neves referenciou “a perda de confiança nas instituições, o descrédito, os laivos de impunidade na comunidade e a desvalorização da investigação criminal”, que resultam num comprometimento da “ética e da forma de estar na vida”.

“Coloca-se também a questão da autonomia técnico-tática da justiça. As polícias investigam e o Ministério Público supervisiona. Tem de haver uma separação nestes dois momentos para não coincidir quem investiga e quem depois tem o trabalho de acusar. Existindo esse respeito pela autonomia da instituição, há ainda um grau superior que permite a independência que é expectável pelo cidadão”, finalizou.

Últimas do País

Dez distritos do litoral do continente estão esta terça-feira sob aviso vermelho, até às 21h00, devido à agitação marítima forte, com ondas que podem chegar aos 14 metros, anunciou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
O Tribunal Central Criminal de Lisboa condenou hoje a 25 anos de cadeia, em cúmulo jurídico, o homem acusado por um triplo homicídio numa barbearia na Penha de França.
A Polícia Judiciária (PJ) deteve em Estarreja, no distrito de Aveiro, um jovem de 18 anos suspeito de partilhar na Internet vídeos e fotografias contendo crianças em práticas sexuais com adultos.
Mais de 610 mil clientes da E-Redes estavam às 11:00 sem energia elétrica em Portugal continental, sendo Leiria, com cerca de metade dos clientes afetados, Coimbra, Castelo Branco, Portalegre e Santarém, os distritos mais afetados, segundo a empresa.
A passagem da depressão Kristin causou hoje cerca de 2.600 ocorrências no continente, sobretudo queda de árvores e de estruturas e inundações, afetando principalmente os distritos de Leiria, Coimbra, Lisboa e Santarém, disse a Proteção Civil.
Uma pessoa morreu hoje em Vila Franca de Xira, Lisboa, após a queda de uma árvore em cima do automóvel em que seguia, na sequência do mau tempo, disse à Lusa fonte da proteção civil.
A GNR desmantelou uma fábrica clandestina de produção “massificada” de tabaco, em Vila Pouca de Aguiar, e deteve um homem de 47 anos, no âmbito de uma investigação que decorria desde setembro, foi hoje anunciado.
A Associação Protetora de Diabéticos de Portugal (APDP) recebeu 18.667 utentes no ano passado, mais 609 que em 2024, disponibilizando acompanhamento clínico e informações sobre a diabetes, revelaram hoje responsáveis da organização.
Cerca de 1.500 ocorrências foram registadas pela proteção civil entre as 00:00 e as 08:00 de hoje por causa do mau tempo, um número que deverá subir devido às muitas situações ainda não contabilizadas.
A Carris Metropolitana registou em 2025 um total de 194 milhões de passageiros transportados e sucessivos recordes de procura em todos os municípios da Área Metropolitana de Lisboa (AML), revelou esta terça-feira a empresa.